Subia sóror Josefa ao terceiro andar
do convento a fim de fechar algumas janelas antes de se recolher, quando
encontrou Nosso Senhor Jesus Cristo no corredor.
- De onde vens? - perguntou Ele.
- Fechava as janelas, Senhor.
- E agora que estou aqui, para onde
vais?
- Vou terminar de fechá-las, meu
Jesus.
É a miséria que atrai a misericórdia
Cenas como esta não eram raras no dia
a dia da irmã Josefa...
Na Páscoa de 1922, Jesus ressurrecto
lhe aparece "formosíssimo e cheio de luz". Todavia, ela se mostra
indiferente à sua presença, alegando não estar autorizada a quebrar o silêncio
monástico. "Não tens permissão para falar comigo, Josefa! - respondeu com
bondade - E para Me olhar? [...] Olha-Me... e deixa que Eu te olhe... isto nos
basta". Ela fitou-O e Ele disse: "Quando a madre te chamar, pede
permissão para falar comigo",1 e desapareceu.
Que pensar de alguém que, deparando-se
com o próprio Cristo, deixa-O só para fechar umas janelas ou se recusa a falar
com Ele alegando um simplório pretexto? Por que Nosso Senhor insiste em
aparecer a esta alma, e não a alguma outra que manifestasse maior amor?
A resposta nos vem dos lábios do Divino Salvador: "Se na Terra tivesse encontrado uma criatura mais miserável que tu, teria pousado sobre ela meu olhar amoroso, e lhe teria manifestado os desejos de meu Coração. Mas não tendo encontrado, escolhi a ti. [...] O único desejo de meu Coração é aprisionar-te e inundar-te de meu amor, fazer de tua pequenez e tua fraqueza um canal de misericórdia para muitas almas".
A resposta nos vem dos lábios do Divino Salvador: "Se na Terra tivesse encontrado uma criatura mais miserável que tu, teria pousado sobre ela meu olhar amoroso, e lhe teria manifestado os desejos de meu Coração. Mas não tendo encontrado, escolhi a ti. [...] O único desejo de meu Coração é aprisionar-te e inundar-te de meu amor, fazer de tua pequenez e tua fraqueza um canal de misericórdia para muitas almas".
É a miséria das almas, pois, que
atrai a bondade e a misericórdia do Divino Coração! E foi nosso tempo, tão
ingrato para com Deus, que recebeu, pela pena de sóror Josefa Menéndez, o
tesouro das revelações que aqui vamos contemplar.
Escolhida desde muito cedo
Nascida em Madri, a 4 de fevereiro de
1890, teve Josefa Menéndez uma infância muito alegre e tranquila. Possuía ela
um temperamento vivo, jovial e um tanto altivo, o que a tornava um polo de
atração para toda a família.
Desde muito pequena sentia-se chamada
a entregar-se a Jesus, mas não sabia ainda como... Na festa de São José de 1901
fez sua Primeira Comunhão e prometeu a Nosso Senhor, formalmente e por escrito,
manter perpétua virgindade. Foi repreendida pelo confessor, pois para ele
"as meninas não devem prometer nada mais que ser muito boazinhas", e
ordenou-lhe destruir o papel do compromisso assinado. Ela, entretanto, não o
fez e repetia a Jesus sua promessa cada vez que comungava.
Começou a estudar no colégio das
Religiosas do Sagrado Coração de Jesus - instituição fundada por Santa Madalena
Sofia Barat, à qual viria a pertencer - e a capela era seu lugar preferido, onde
se recolhia e fazia companhia, por largas horas, ao Divino Prisioneiro do
sacrário. Com frequência visitava também o Carmelo de Loeches, do qual uma tia
materna era a priora. Conheceu a regra carmelitana na biblioteca das freiras e
a punha em prática quando brincava "de convento" com suas irmãs
menores: Mercedes, Carmem e Ângela. Ela sabia, contudo, no fundo de seu
coração, que aquilo era mais do que uma distração... Tomava força em sua alma o
chamado à vida religiosa.
Dotada de grande habilidade com a
linha e a agulha, foi aprender corte e costura no ateliê de uma modista de
confiança dos pais, onde reinava um ambiente frívolo e vazio, muito distinto do
calor piedoso de seu lar. Ali conheceu os primeiros embates espirituais e se
manteve firme graças à Comunhão diária que não abandonava, à custa de
verdadeiros sacrifícios. Aos domingos se dedicava a visitas de caridade,
atendendo pobres e enfermos, tanto com o socorro material como nos mais
humildes serviços.
Desta época de sua vida, relata ela
em seus escritos: "Atravessei muitos perigos, mas Deus, Nosso Senhor,
sempre me guardou no meio deles e das más conversas no ateliê. Quantas vezes
chorei ao ouvir aquelas coisas que me perturbavam, porém, não deixei de
encontrar força e consolo em Deus. Nada nem ninguém me fizeram mudar ou duvidar
jamais de que Jesus me queria para Si".
Longa e dolorida espera

