O
peregrino que se proponha conhecer as origens cristãs do Velho Continente não
pode deixar de visitar a gruta de Subiaco, local escolhido pelo jovem Bento de
Núrsia para consumar sua entrega a Deus, abandonando a vida de estudos que até
então levava na Roma dos retóricos e literatos. E os que hoje trilham seus
passos sentem uma forte atração pelo local, marcado misteriosamente pela
presença do santo Patriarca e Patrono da Europa.
Enquanto
se sobe pelos íngremes caminhos que conduzem ao mosteiro — exercício desde logo
recompensado pelo belíssimo panorama —, o visitante pode discernir, se não
através de voz humana, certamente pela da graça, aquele chamado do varão de
Deus que atraiu legiões de almas à vida monástica: “Escuta, filho meu, os
preceitos do mestre, e inclina o ouvido do teu coração. Recebe de bom grado o
conselho de um bom pai, e cumpre-o eficazmente, para que, pelo trabalho da
obediência, voltes Àquele de Quem te havias afastado”. 1
Ao
atento observador não passarão despercebidas algumas árvores que adornam o
caminho, as quais bem simbolizam a história desta instituição. São vegetais de
inacreditável robustez, cujas raízes se embrenharam pelo solo pedregoso e
lograram subsistir em condições desfavoráveis. Enfrentaram os ventos das
intempéries e os da História, mantendo-se eretas apesar das adversidades, e
ostentando uma vitalidade que desperta surpresa e admiração.
Assim é
a Ordem Beneditina. Nascida da vocação de São Bento, conta ela hoje quase 1.500
anos de existência. Atravessou todas as catástrofes, venceu as rudezas das
guerras e as deficiências dos homens, e olha sobranceira para um passado que
lhe valeu uma legião de filhos canonizados e dezesseis Papas saídos do silêncio
de seus claustros. Dezesseis também foram os sucessores de São Pedro que se
colocaram sob a proteção deste santo fundador — curiosamente, nenhum deles foi
beneditino —, entre os quais nosso atual Romano Pontífice, Bento XVI.
Se a
Europa cristã deve, em larga medida, a esta Ordem seu itinerário de conversão e
civilização, também o século XX, palco de acontecimentos que mudaram os rumos
da humanidade, recebeu a ação benéfica dela emanada, por meio de uma figura
talvez pouco conhecida: o Beato Columba Marmion.
