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sexta-feira, 12 de maio de 2017

São Willehade


Os saxões eram pagãos muito agressivos e frequentemente invadiam as terras dos francos, cometendo crimes e pilhagens. Carlos Magno, numa cruzada em defesa da Religião Católica, atacou-os e derrotou-os. Eles se revoltaram, mas novamente o Imperador venceu-os e lhes impôs um tributo em benefício da Santa Igreja.
        São Willehade, bispo e confessor. Foi o primeiro Bispo de Bremen, diocese criada pelo Imperador Carlos Magno, após suas conquistas. No ano de 788, 21º do seu reinado, Carlos Magno deu àquela igreja um diploma lavrado nos seguintes termos:
        “Em nome de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Carlos, por vontade da Providência Divina, Rei. Sob o auxílio do Deus dos exércitos, conseguimos uma vitória nas guerras. É só n’Ele que nos gloriamos. E é d’Ele que nós esperamos neste mundo a paz e a prosperidade, e no outro a recompensa eterna.
        Salvem-se, pois, todos os fiéis de Cristo, e os saxões rebeldes aos nossos ancestrais, pela obstinação da perfídia e por um tão longo tempo rebeldes a Deus e a nós, até que os tivéssemos vencido pela Cruz do Senhor, não pela nossa. Por sua misericórdia, nós recebemos a graça do batismo, e os levamos à antiga liberdade, desobrigando-os de todos os antigos tributos que nos devem. Pelo amor d’Aquele que nos deu a vitória, de tributários os declaramos devotamente súditos.
        Como se recusaram a tal presente e o jugo de nosso poder, agora que foram vencidos pelas armas e pela Fé, ficam obrigados a pagar a Nosso Senhor Jesus Cristo e seus sacerdotes o dízimo de todos os seus animais, frutos e culturas.”
Zelo do poder civil para com o poder eclesiástico

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Santo Aretas

A coragem e firmeza de Santo Aretas diante do martírio fazem reluzir mais uma das maravilhas produzidas pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana nos povos que se põem sob seu maternal domínio.
No livro do Frei José Pereira de Santana, “Os dois Atlantes da Etiópia”, encontramos alguns dados biográficos de Santo Aretas. Trata-se de uma prédica de Santo Aretas aos católicos da cidade de Najran, na Arábia, antes de ser martirizado pelo tirano Dun’an.
Invectiva cheia de grandeza
Ouvi-me, inumano Rei, doutores da Sinagoga, apóstatas franitas, bárbaros confederados, cortesãos ilustres e esclarecidos habitantes de Najran.
Isto, sim, é saber dirigir uma apóstrofe!
“Apóstatas” é uma palavra de alta expressão. “Fulano é um apóstata!” Todo o horror da apostasia se descarrega nestes dois “tas”: “após-ta-ta”. Tem-se a impressão de que é uma coisa que caiu, que rola em dois “tas” e que se desfaz.
Um “apóstata franita” dá a impressão de ser alguém que se deu a uma das heresias mais infectas, aliciantes e, ao mesmo tempo, mais digna de rejeição.
“Bárbaros confederados” é também uma forma de ultraje; soa como se fossem bárbaros requintados, de tal maneira ligados a outros bárbaros que formam uma coesão de barbárie, uma espécie de ultrabarbárie, pior do que todas as barbáries.
Então, os doutores da Sinagoga, os apóstatas franitas e os bárbaros confederados, todos juntos num conglomerado imundo, nefando e agressivo contra o Santo que está sozinho. Vai ser martirizado, mas, antes de morrer, diz o que quer. Não falta grandeza a essa introdução.
Cântico de coragem, transbordante de Fé
E continua:
Companheiros, amigos, parentes e outros quaisquer dos circunstantes, sejais nobres ou plebeus, ou católicos ou infiéis, ouvi-me todos, vos suplico, pois com todos falo. Bem vos pudera dizer que canto, se observardes que, por artifício dos anos, me converti em cisne nacional, conservada na cabeça a candura, no coração, sem temor de morte, a alegria.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

São Mateus

Quando o Filho de Deus se fez homem e veio a este mundo, tomou o nome de Jesus ou Salvador, porque viera para salvar-nos e não para perder-nos. Ao iniciar a sua vida pública, escolheu doze apóstolos. Os primeiros foram Pedro e André, que viviam da pesca, em seguida Tiago e João.
Jesus passara alguns dias em Cafarnaum fazendo pregações e milagres. Um dia quando passava pela cidade em direção ao Mar da Galiléia, Jesus parou diante de uma banca de arrecadação de impostos, onde se travava uma acalorada discussão:
– Por favor, eu já disse, paguei tudo o que devia!
– Pagou?! Pagou nada! Ainda me deves 200 denários!!! – retorquiu inclemente o cobrador de impostos que se chamava Levi.
– Mas, não tenho mais dinheiro, tudo que tinha já lhe dei!
– Pois então, prepare-se! Se não me pagares amanhã, irás para a prisão!!!
– Mas eu tenho mulher e filhos para cuidar!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

São Pedro de Arbués

A História deixou-nos incontáveis exemplos de devoções ardentes ao Santíssimo Sacramento.
Corria o ano de 1485, época em que, devido a atuação dos hereges, aumentava também a vigilância da Santa Madre Igreja. No Reino de Aragão, havia alguns anos, atuava um fogoso amante da ortodoxia: um religioso agostiniano chamado Pedro de Arbués. Não se contentava em se opor aos propugnadores da heresia que lhe eram apresentados, mas buscava ele mesmo os adversários da Fé nas suas assembleias para convencê-los de seus erros, provocando tal ódio, que precisava de especiais cuidados de segurança.
Sendo ele o homem mais odiado pelos hereges, era frequentemente vítima de atentados. Quantos impios não foram surpreendidos ao tentarem cravar em seu corpo espadas e punhais, sendo impedidos pela cota de malha que o prudente homem de Deus vestia sob seu hábito!
Entretanto, alguns homens, meticulosamente instruidos, arranjaram um modo de acabar com o principal obstáculo das heresias. Em uma noite, rezava o santo na Catedral de Zaragoza Àquele que lhe foi durante toda a vida objeto de maior devoção: o Santíssimo Sacramento. Mas, ao contrário do que pensava, não estava só. Quatro homens armados de gladios estavam escondidos, esperando o momento para atacá-lo. Passado certo tempo, quando perceberam que São Pedro estava inteiramente atento à Sagrada Eucaristia, foram em direção a ele, passo ante passo, silenciosamente aproximaram-se dele, e introduziram as armas no único vão existente na cota de matha, na região do pescoço.
Imediatamente saíram correndo, enquanto o corpo caiu no chão, formando uma imensa poça de sangue, ao passo que as espadas permaneceram miraculosamente suspensas no ar, e até hoje se veneram nesse local. Ao amanhecer, um sacerdote da região foi abrir a catedral, e encontrou no chão o corpo do grande defensor da Fé. Sem hesitar, sua primeira providência foi celebrar uma Missa pelo santo, com o corpo ali presente. Entretanto, no momento da elevação, o sacerdote ouviu um pequeno ruído, e percebeu que, como último preito de devoção, o sangue ali jazente fervia a ponto de borbulhar!

Dessa maneira foi martirizado o grande São Pedro Arbués, protetor da Fé, defensor dos verdadeiros católicos de seu tempo e modelo de devoto do Santíssimo Sacramento. Possa o seu exemplo inspirar a devoção Eucarística.
Arautos do Evangelho - Chez nous

sábado, 1 de abril de 2017

São Cristóvão

Antes de seu batismo chamava-se “Reprovado”, depois recebeu o nome de Cristóvão, porque ele levou o Cristo de quatro formas: sobre seus ombros, para o fazer passar pelo rio; em seu corpo, pela mortificação; em seu coração pela devoção e sobre seus lábios pela confissão e pregação.
Sua festa é comemorada no dia 25 de julho e seu martírio deu-se no ano de 254, na cidade de Lícia.
Cristóvão era um homem gigantesco e de um terrível aspecto.
Um dia, em que ele se encontrava junto de um rei, lhe veio ao espírito o desejo de procurar o maior príncipe do mundo e de permanecer junto dele a seu serviço.
Ele se apresenta a um rei muito poderoso que tinha em toda parte a reputação de não ter ninguém que o igualasse em grandeza. Vendo-o, o rei o acolheu com bondade e o fez ficar em sua corte.
Ora, certo dia um bulhão cantava em presença do rei uma canção onde freqüentemente se repetia o nome do diabo; o rei, que era cristão, fazia um sinal da cruz, cada vez que ouvia pronunciar esse horrível nome. Cristóvão notando isso, ficou muito impressionado por esta ação e do significado de tal ato.
Interrogou o rei sobre isto, mas este não queria lhe responder, furioso, disse Cristóvão:
- Se vós não me disserdes, eu não ficarei mais convosco!
O rei, constrangido e até com um certo medo, disse:
-- Eu me muno deste sinal, diante de algum diabo que eu ouço nomear, no temor de que ele tome poder sobre mim e me prejudique.
Cristóvão lhe respondeu:
- Se vós temeis o diabo, é ele, evidentemente, maior e mais poderoso do que vós! A prova é que vós tendes um terrível medo dele. Eu estou, portanto, bem enganado em meu intento, eu pensava ter encontrado o maior e mais poderoso senhor do mundo; mas agora eu vos dou adeus, pois eu quero procurar o próprio diabo e o tomar por mestre e fazer-me seu servidor!
O rei tentou de todas as maneiras dissuadi-lo de tal intento, mas Cristóvão, ou melhor, o Reprovado, pôs termo à discussão com um grito:
- Já estou decidido, é assim que vou fazer!
Reprovado deixa o rei e começa a procurar o diabo.

quinta-feira, 23 de março de 2017

São Simão e São Judas Tadeu, Apóstolos

De nenhum dos Apóstolos nos refere o santo Evangelho menos coisas, do que do apóstolo São Simão. É verdade que diz bastante só com assegurar-nos que Nosso Senhor Jesus Cristo o escolheu para que fosse um dos doze apóstolos, ministério, que por si só, significa mais que tudo quanto nos podiam referir os historiadores. São Mateus sempre o chama de Simão, o Cananeu; este apelido vem-lhe da cidade de Caná na província da Galiléia, onde São Simão havia nascido. São Lucas chama-o de Simão, o Zelador (Zelotes).
São Judas Tadeu era irmão de São Tiago Menor, filho de Alfeu e de Maria Cléofas.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Santo Odon

A Idade Média, com suas catedrais, castelos, universidades e outras instituições, causa admiração até entre os não católicos. O espírito dessa época histórica nasceu de Cluny, uma pujante Abadia que teve Santo Odon como primeiro abade. Graças à sabedoria deste grande santo, Cluny pôde influenciar toda a Europa. Vejamos os comentários de Plinio Corrêa de Oliveira.
No dia 18 de novembro comemora-se a festa de Santo Odon. Na “Vida dos Santos”, de Omer Englebert1, encontramos a seguinte síntese biográfica deste santo abade de Cluny:
Graças a Santo Odon, a influência de Cluny espargiu-se por toda a Cristandade
Odon era filho de fidalgos que viviam na Alsácia, os quais atribuíam seu nascimento à intercessão milagrosa de São Martinho. Foi mandado ainda criança para a corte de Fulk, o Bom, Conde de Anjou, e mais tarde passou para a de Guilherme, Duque de Aquitânia. Aos 16 anos foi acometido de dores de cabeça, que só foram curadas quando o jovem ingressou no cabido de São Martinho, em Tours. Dedicou-se durante vários anos ao estudo dos clássicos e dos Santos Padres, seguindo em Paris, em 901, os cursos de Filosofia de Remígio de Auxèrre. Aplicou-se também profundamente ao estudo da Poesia e da Música, as quais cultivou durante toda a vida. Após ter sido cantor do cabido e de ter escrito várias obras, Odon ingressou no mosteiro beneditino de Baume-les-Messieurs, na Borgonha, mudando depois para Cluny, quando da fundação desse mosteiro, onde foi nomeado abade. As escolas que ele criou em Cluny atraíram em breve tudo quanto havia de mais nobre no Ocidente. Era costume dizer-se que um príncipe, no palácio de seu pai, não recebia educação mais apurada que os alunos de Cluny. Graças ao santo abade, a influência da abadia espalhou-se por toda a Cristandade. Os Papas a ele recorriam em suas dificuldades, e os príncipes chamavam-no para reformar os mosteiros em seus estados.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

São Vicente Ferrer

Certa ocasião, quando São Vicente Ferrer entrava em Barcelona — uma das maiores e mais ilustres cidades de seu tempo —, fizeram-lhe uma recepção tão extraordinária que de todas as janelas pendiam tapeçarias em sua honra, o povo o aclamava e ele caminhava debaixo de um pálio, cujas varas eram carregadas pelos principais da cidade. Então, alguém lhe perguntou, baixinho, ao ouvido:
— Irmão Vicente, e a vaidade?
— Esvoaça do lado de fora, mas não entra — respondeu ele.
A resposta de um orgulhoso seria: “Nem sinto tentação.”
E um pusilânime diria: “Pobre de mim, estou inundado de vaidade.”
Este Santo deu a resposta certa: Como homem, posso e estou sendo tentado. Porém, a tentação esvoaça do lado de fora, mas, pela graça de Deus, ela não entra.
De fato, neste vale de lágrimas é normal sermos tentados. A tentação tempera a alma. Quem diz “não” para o demônio sai mais forte, mais pertencente a Nossa Senhora. O servo bom e fiel que foi provado e venceu manifesta a sua fidelidade, faz render na luta os seus talentos, colhe louros e os entrega à sua Senhora.
Somos soldados da Igreja Militante e devemos nos entusiasmar com isso.

Plinio Corrêa de Oliveira – Extraído de conferência de 16/1/1970

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

São João Batista


Muito nos falam os Evangelhos da pessoa ascética do Batista, com suas vestes evocativas dos antigos profetas de Israel e sua austeridade de vida. Chegaram os judeus a pensar que estavam diante do Messias esperado.
Entretanto, a história deste varão tão singular, cuja pregação marca o fim do Antigo Testamento e dá início ao Novo, é desconhecida para muitos. Falemos um pouco sobre ela.
Nascimento anunciado por um Anjo
"Nos tempos de Herodes, rei da Judeia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias" (Lc 1, 5). Sua mulher, de estirpe sacerdotal, chamava-se Isabel. Eram ambos de idade avançada e não haviam recebido a principal bênção de todo lar hebreu: uma descendência. Justos e tementes a Deus, aceitavam sem poder consolar-se esta dura prova.
Estando de serviço no Templo, oferecendo o incenso no altar dos perfumes, Zacarias sentia palpitar seu coração na esperança da iminente chegada do Messias quando viu à sua direita um Anjo do Senhor, radiante de glória.
"Não temas, pois tua oração foi ouvida: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João", disse o celeste mensageiro. E acrescentou: "Ele será grande diante do Senhor" e "irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias" (Lc 1, 13.15.17). Entretanto, por ter duvidado da promessa por um instante, ficou mudo.
São Lucas nos transmite a seguir a Anunciação do Anjo à Virgem Maria e a visita desta a Isabel, pondo em contato a Mãe do Messias com a mãe do Precursor. Ao ouvir a saudação de Maria, Isabel sentiu o nascituro "saltar de alegria" em seu seio (cf. Lc 1, 26-45). O Precursor reconhecera o Messias e começou logo a exercer sua função de arauto.
Ao nascimento seguia-se a circuncisão, o rito de admissão do filho varão no povo de Deus. A esta se associava a imposição do nome, a qual era uma como que inscrição do recém-nascido no catálogo dos filhos de Israel. Os parentes e vizinhos queriam dar ao Batista o nome de seu pai, Zacarias, mas Isabel interveio sem vacilar: "Ele se chamará João". Replicaram eles que na família não havia ninguém com este nome. Consultado, Zacarias escreveu numa tabuinha: "João é o seu nome". Logo recuperou a fala, que havia perdido por ter duvidado da palavra do Anjo (cf. Lc 1, 58-63).
Sempre generoso com seus servidores, Deus não só o curou da mudez, mas também o encheu do Espírito Santo e o elevou às alturas do profetismo, colocando em seus lábios o belíssimo cântico do Benedictus: "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo, e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo" (Lc 1, 68-69). Por fim, fixando os olhos no filho, profetizou ­trêmulo de emoção: "E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e Lhe prepararás o caminho" (Lc 1, 76).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Santa Escolástica

Quando Nosso Senhor veio ao mundo, trouxe-nos um mandamento novo: "Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros"(Jo 13,34). Este amor levado às últimas consequências propiciou-nos a Redenção. E um relacionamento humano regrado e bem conduzido deve seguir o exemplo do Divino Mestre. O verdadeiro amor ao próximo é aquele que se nutre por outrem por amor a Deus e que tem o Criador como centro, visando a santidade daqueles que se amam. Já ensinava Santo Agostinho que só existem dois amores: ou se ama a si mesmo até o esquecimento de Deus, ou se ama a Deus até o esquecimento de si mesmo.
Assim foi Santa Escolástica, alma inocente e cheia de amor a Deus, de quem pouco se conhece, mas que, abrindo-se à sua graça, adquiriu excepcional força de alma e logrou chegar à honra dos altares. Sua história está intimamente ligada à aquele que por desígnios da Providência nasceu com ela para a vida, o grande São Bento, seu irmão gêmeo e pai do monacato ocidental, a quem amou com todo o seu coração.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Santa Juliana Falconieri


Pressa é uma palavra que a cada dia está mais presente na vida de todos. Quanto mais se acelera o ritmo de vida, menos se tem tempo para fazer as coisas. Ver pessoas apressadas é o comum em nosso cotidiano. Tem-se pressa para chegar ao trabalho, pressa para retornar a casa, pressa para não faltar a um compromisso, pressa, pressa, pressa… Sem dúvida, sempre atrás dos interesses pessoais!
Pressa é o que se encontra também na vida de uma dama oriunda de ilustre família da república florentina: Juliana Falconieri. No entanto, desta vez, os interesses são outros…
Uma nobre e piedosa família de Florença
Naqueles idos anos do século XIII, Florença tornara-se uma das maiores maravilhas da Itália, pela beleza de sua arquitetura, o rico comércio nela desenvolvido e o valor dos tecidos, pinturas e demais obras de arte ali produzidas.
Tais maravilhas, porém, não conseguiam satisfazer os anseios de sete prósperos comerciantes da cidade, que buscavam um tesouro muito mais precioso. Para obtê-lo, decidiram dedicar-se ao serviço da mais alta das soberanas: Maria Santíssima. E tanto os uniu e elevou este sublime exercício que, deixando na penumbra seus respectivos nomes de família, passaram eles para a História como os Sete Santos Fundadores da Ordem dos Servos de Maria, os servitas.
Caríssimo Falconieri, pai de Juliana, conhecia-os de perto, pois um deles era seu irmão Aleixo. Abastado e bem-sucedido, aquele não era indiferente à exemplar piedade deste. Passou Caríssimo por um estado de conversão e teve escrúpulos de haver sido desonesto em algum de seus negócios, pelo que, como eventual reparação, deu muitas esmolas. Financiou também a construção de uma igreja em louvor de Nossa Senhora da Anunciação, em cujo interior haveriam de repousar seus restos, sob o epitáfio: “Sepulcro do próvido varão, o senhor Caríssimo de Falconieri, que para remédio de sua alma fez alicerçar, edificar e concluir esta Igreja em louvor de Deus e da Bem-Aventurada e gloriosa Virgem”.
A atitude modelar do aristocrata florentino marcou de forma decisiva outro membro desta abençoada família: a própria filha, que lhe fora concedida pela Providência em 1270, quando ele e sua esposa estavam já em idade avançada.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

São Crispim de Viterbo


“Exultai no Senhor, ó justos” (Sl 32, 1); “Felizes aqueles cuja vida é pura, e seguem a Lei do Senhor” (Sl 118, 1). Estes e muitos outros ensinamentos dos Salmos poderiam ser citados, para mostrar o quanto a virtude e a verdadeira alegria andam sempre de mãos dadas.
O íntimo relacionamento entre ambas aparece especialmente visível no Santo cuja vida contemplaremos aqui: São Crispim de Viterbo. Com propriedade realçou São João Paulo II em sua homilia, ao canonizar este irmão leigo capuchinho do século XVII: “O primeiro aspecto de santidade que desejo fazer notar em São Crispim é o da alegria”.1
Consagrado desde criança a sua “Mãe e Senhora”
Ele veio ao mundo a 13 de novembro de 1668, em Viterbo, cidade então pertencente aos Estados Pontifícios, e dois dias depois foi batizado na Igreja de São João Batista, recebendo o nome do avô: Pedro. Seus pais, Ubaldo e Marzia Fioretti, eram de condição humilde, porém muito respeitados por sua conduta digna e piedosa.
Sendo Pedro ainda muito criança, o pai veio falecer, mas não sem antes confiar ao seu irmão Francisco a formação do pequeno. Marzia, por seu lado, empenhava-se em dar-lhe esmerada educação religiosa e moral.
Quando contava cinco anos de idade, ela o levou em peregrinação ao Santuário de Santa Maria della Quercia, a fim de consagrá-lo a Nossa Senhora. Lá chegando, ambos se ajoelharam diante da bela imagem e a mãe disse ao filho: “Estás vendo? Esta é a tua Mãe, e eu agora te entrego a Ela. Procura amá-La sempre de todo o coração e honrá-La como tua Senhora”.2 Tais palavras calaram tão fundo na alma do menino que, até o fim da vida, jamais deixou de dirigir-se à Virgem Santíssima sem chamá-la de “Mãe e Senhora”.
Melhor um santo magro, que um pecador forte
Desde a mais terna infância, comenta um de seus biógrafos, Pedro manifestou ter um temperamento extremamente dócil e agradável, acompanhado por uma alegria contagiante, qualidades estas que “demonstravam as mais vantajosas predisposições para avançar nas vias da virtude e pressagiavam sua futura santidade”.3

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

São Martinho I

Varão de espírito nobre, muito inteligente e culto, São Martinho I foi sujeito a uma das maiores humilhações a que um Papa tenha sido exposto, desde o começo da história do Pontificado. 
Vejamos os comentários que Plinio Corrêa de Oliveira:
Vamos analisar uma nota biográfica referente a São Martinho, Papa e mártir.
Condenado à morte por defender a verdade
São Martinho I sucedeu a Teodoro, no ano 649.
A alma do novo Papa deveria ser grande para suplantar as grandes dificuldades do momento. Para salvar especialmente as Igrejas do Oriente, devia anatematizar a heresia monotelista. E foi o que fez o novo Papa.
Imediatamente, por ordem do Imperador Constante II, foi preso numa emboscada e transportado num navio para o Oriente. Sofreu horrivelmente durante a viagem. Ao chegar a Constantinopla estava em extremo grau de debilidade; mesmo assim, manietado, arrastaram-no ao tribunal, chamaram testemunhas falsas que depuseram contra o Pontífice acusando-o de traidor e herético. Depois de condená-lo, carregaram-no para junto das cavalariças imperiais, onde se reunia incontável multidão.
São Martinho foi alçado a um terraço para que Constante pudesse vê-lo da sacada de seu palácio; depois o juiz que havia presidido o tribunal aproximou-se do ancião mofando:
— Viste como Deus te livrou de nossas mãos, eras contra o imperador. Deus te abandonou.
Em seguida ordenou aos soldados que rasgassem as vestes do Papa e lhe arrancassem os calçados. Entregando-o ao prefeito, recomendou-lhe que o fizesse em pedaços.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

BEATA ELISABETH CANORI MORA


Beatificada por João Paulo II em 24/4/1994. Um retrato no-la mostra aos 22 anos, como uma muito distinta jovem senhora. Filha de uma boa família romana, ela foi educada no recolhimento de um convento. Voltando a Roma com 17 anos, foi logo introduzida na sociedade. Lá, como ela mesma o diz, “esquecida de Deus” e “prisioneira dos nadas do mundo”, ela cedeu a “sua tendência de bem vestir-se, de procurar a boa sociedade, a querer ser uma mulher importante”. Ela se casou com a idade de 22 anos com um jurista de bela aparência, Christofero Mora, também abastado e de boa família romana. Ela deu à luz quatro filhas; duas das quais morreram depois do parto.
Entretanto, o matrimônio “não foi feliz”: seu marido tomou cedo uma concubina e tornou-se um perdulário que cada vez mais negligenciava a mulher e as filhas. Aos 27 anos, Elisabeth teve uma crise. Uma doença do estômago a leva aos bordos da sepultura; ela recebe a Unção dos Enfermos. Esta provação, diz ela, “levou-a a abandonar “os nadas” deste mundo. Em oração implorei sem descanso misericórdia e perdão. Eu esperava unicamente nos méritos de Jesus. Eu me ofereci inteiramente a Ele. Eu Lhe consagrei toda minha pessoa para a vida e para a morte...”
Ela se restabeleceu. Deus não é mais esquecido ou degradado como coisa colateral, mas o centro de sua vida. “Deus pôs novamente minha vida inteiramente em ordem, eu me ofereci a ele para seu santo serviço”. Ela pode dizer “Tu me venceste, santo Amor; Tu venceste a dureza de meu amor-próprio”.
Na presença de Deus ela formou o propósito de “praticar a mansidão e nunca ficar aborrecida pelas ofensas do próximo — não desejar o que serve meu interesse pessoal, mas em todos os instantes da vida cumprir a santa vontade de Deus —, de praticar as virtudes da castidade, da pobreza, da obediência, da humildade, da mortificação e da penitência”.
No amor de Jesus Cristo ela permanece fiel a seu marido; ela não se deixa separar dele também internamente: “A mulher com a qual ele se casou, lhe pertencerá para sempre e com ela sua família e sua casa. As portas da casa estão sempre abertas...” Ela reza e se sacrifica por ele; ela educa suas filhas nesse sentido. Entretanto, ela não dá seu consentimento à relação adúltera que ele quer fazê-la aceitar. Irritado com isso, ele reage com brutais maus tratos, com caçoadas e desprezo pela sua religiosidade. Ela, contudo, profetiza: “Depois de minha morte, tu voltarás a Deus e O honrarás”. No amor de Jesus Cristo ela está também livre de inveja e de ódio pela amante de seu marido; ela reza ao Senhor para que “ela possa encontrar no Céu a amada de meu marido”. Ela vende todos seus bens para poder pagar um tratamento a seu esposo e para preservá lo da prisão por dívidas. Finalmente, trabalha como costureira para sustentar a família.
Como sua conhecida, a bem aventurada Ana Maria Taigi, ela se torna Terciária da Ordem dos Trinitários e se dedica aos pobres e aos doentes e às famílias em necessidade. Misticamente favorecida, tem visões sobre o futuro da Igreja, rezando e se sacrificando pelos interesses desta.
Por ordem de seu confessor, ela relata por escrito a história de sua alma e suas experiências espirituais; são 1.160 páginas manuscritas.
Elisabeth morre a 5 de fevereiro de 1825 nos braços de sua filha Luciana. Ela ainda recomenda a suas filhas: “Não esqueçais o respeito e a consideração que deveis a vosso pai”. Depois de sua morte, Christoforo Mora se converte; e morre como sacerdote dos Franciscanos Conventuais.
Fontes:
Der Fels, junho de 1994 (tradução).
AAS 20 (1928) 111. — Antoni Pagani, “Biografia della Ven. Elisabeth Canori Mora”; Roma 1911.

Traduzido para o alemão e publicado sob o título “Die Visionariu Rom”, Theresia Verlag, CH 6423 Suwies   Suíça

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Santo Annon

Santo Annon, bispo e confessor, é um dos grandes e pouco conhecidos Santos da Idade Média.
Pessoa de trato verdadeiramente agradável
Santo Annon é um dos grandes santos dos primeiros anos do Sacro Império Romano Alemão. Seus altos feitos ficaram registrados não só na História, como na Literatura, pois sobre a sua vida foi escrito um poema em 876 versos, clássico da literatura medieval alemã.
Professor da escola de Bamberg, Arcebispo de Colônia e Chanceler do Sacro Império, fundador de mosteiros, a ele se deve também, em grande parte, a introdução da reforma cluniacense na Alemanha.
Era uma personalidade invulgar. De porte majestoso, bem proporcionado, seus contemporâneos o descreviam como um belo homem, grande orador, e não menor causeur1, suas aulas e sua prosa prendiam a atenção de todos os que o ouviam, nele admirando não só a ciência, como a ortodoxia de seu pensamento. A amenidade de seu trato e a extraordinária, e mais tarde legendária, energia impunham a todos respeito e veneração.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Santa Luzia

Santa Luzia, não querendo abandonar a fé verdadeira, nem macular sua virgindade, enfrentou seus perseguidores, para assim testemunhar com o martírio o que disse: "Tenho o meu patrimônio em lugar seguro. Jamais privei com corruptores, nem de alma, nem de corpo".

(Pe. René François Rohrbacher, Vida dos Santos)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Santa Catarina de Alexandria

No dia 25 de novembro, comemoramos a festa de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir.Sobre a morte da Santa Catarina, o Abbé Daras, na "Vida dos Santos", traz a seguinte narração:
"Maximiliano, imperador, ordenou a morte de santa Catarina. Foi ela conduzida ao lugar do suplício em meio a uma multidão, sobretudo de mulheres de alta condição, que choravam a sua sorte. A virgem caminhava com grande calma. Antes de morrer, fez a seguinte oração:
“Senhor Jesus Cristo, meu Deus, eu vos agradeço terdes firmado meus pés sobre o rochedo da fé e terdes dirigido meus passos na via da salvação. Abri agora vossos braços feridos sobre a cruz, para receber minha alma, que eu sacrifico à glória de Vosso Nome.
Lembrai-vos, Senhor, que somos feitos de carne e sangue. Perdoai-me as faltas que cometi por ignorância e lavai minha alma no sangue que vou derramar por vós.
Não deixeis meu corpo, martirizado por vosso amor, em poder dos que me odeiam.
Baixai vosso olhar sobre esse povo e dai-lhe o conhecimento da verdade.
Enfim, Senhor, exaltai em vossa infinita misericórdia aqueles que Vos invocarão por meu intermédio, para que Vosso Nome seja para sempre bendito.
Em seguida mandou que os soldados cumprissem as ordens, e sua cabeça foi decepada de um só golpe.
Era o dia 25 de novembro. Numerosos milagres logo foram constatados. Os anjos, como ela o desejara, transportaram seu corpo para a santa montanha do Sinai, a fim de que repousasse onde Deus escrevera sobre pedra sua Lei, que ela guardava tão fielmente escrita em seu coração".

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

São Francisco Xavier e a ressurreição da filha de um homem rico


A história afirma que quando São Francisco Xavier se achava em Cangoxima, no Japão, fez um grande número de milagres, o mais notável dos quais foi a ressurreição duma rica dama. Esta donzela morrera na flor da idade, e o pai, que a amava ternamente, estava a ponto de enlouquecer. Como ele era idólatra, não encontrava lenitivo para a sua aflição, e os seus amigos que iam consolá-lo não faziam mais do que aumentar a sua dor. Dois neófitos que o foram ver, antes de se proceder ao funeral daquela que ele chorava noite e dia, aconselharam-no que procurasse socorro junto do santo homem que fazia tão grandes coisas e pedisse-lhe, com confiança, a vida de sua filha.
O pagão, persuadido pelos neófitos de que nada era impossível ao bonzo da Europa, e começando a manter uma esperança contra todas as aparências humanas, como acontece de ordinário aos aflitos, que creem facilmente em quem os consola, foi procurar o Padre Francisco, lançou-se aos seus pés, e pediu-lhe com as lágrimas nos olhos que ressuscitasse uma filha única que acabava de perder, acrescentando que seria restituir-lhe a vida a ele mesmo.
Xavier, condoído da fé e da aflição do pagão, retirou-se com o seu companheiro Fernandes para orar a Deus, e voltando pouco tempo depois, disse ao pai inconsolável:
 ── Ide que vossa filha está viva.
O idólatra, que esperava que o Santo fosse com ele à sua casa, e invocaria o nome do Deus dos cristãos sobre o corpo de sua filha, tomou aquelas palavras por zombaria e retirou-se descontente. Mas apenas tinha dado alguns passos, viu um dos seus criados, que, todo cheio de alegria, lhe gritou de longe, dizendo-lhe que sua filha estava viva. E viu-a daí a pouco, porque ela correra ao seu encontro. Depois dos primeiros abraços, a filha contou a seu pai que, apenas entregara a alma, dois demônios horríveis se apoderaram dela e a quiseram precipitar num abismo de fogo; mas dois homens de aspecto nobre e modesto a tinham arrancado das mãos daqueles dois carrascos e lhe restituíram a vida, sem que lhe fosse possível dizer como isso se fizera.
O japonês compreendeu quais eram aqueles dois homens de quem lhe falava a filha, e conduziu-a logo a Xavier, para Lhe testemunhar o seu agradecimento, como era devido a um tamanho favor; e apenas ela viu o santo com o seu companheiro Fernandes, exclamou:
  Eis os meus dois libertadores!
E no mesmo instante pai e filha pediram o batismo.

Schouppe, S.J., Pe. F. X., "O Dogma do Inferno", trad. bacharel formado em Teologia na Universidade de Coimbra, Liv. Católica Portuense, Porto, 1896, p.5.

domingo, 27 de novembro de 2016

São Carlos Borromeu

São Carlos Borromeu não foi apenas um grande bispo contrarreformista, mas, em algum sentido, o Bispo da Contra-Reforma. Não só por ser um homem de grande preparo e cultura, que irradiou sua sabedoria em seu tempo, mas por ter realizado o modelo perfeito de bispo.
Não basta redigir obras refutando isso ou aquilo. A pessoa precisa ser a personificação, o próprio símbolo, o tipo humano das obras que escreveu. O trabalho que ele realizou, sendo o Bispo da Contra-Reforma e o modelo de bispo, foi de uma eficácia para a Igreja certamente maior do que a dos próprios escritos dele.

Plinio Corrêa de Oliveira -Extraído de conferência de 30/10/1963