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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Santa Catarina de Alexandria

No dia 25 de novembro, comemoramos a festa de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir.Sobre a morte da Santa Catarina, o Abbé Daras, na "Vida dos Santos", traz a seguinte narração:
"Maximiliano, imperador, ordenou a morte de santa Catarina. Foi ela conduzida ao lugar do suplício em meio a uma multidão, sobretudo de mulheres de alta condição, que choravam a sua sorte. A virgem caminhava com grande calma. Antes de morrer, fez a seguinte oração:
“Senhor Jesus Cristo, meu Deus, eu vos agradeço terdes firmado meus pés sobre o rochedo da fé e terdes dirigido meus passos na via da salvação. Abri agora vossos braços feridos sobre a cruz, para receber minha alma, que eu sacrifico à glória de Vosso Nome.
Lembrai-vos, Senhor, que somos feitos de carne e sangue. Perdoai-me as faltas que cometi por ignorância e lavai minha alma no sangue que vou derramar por vós.
Não deixeis meu corpo, martirizado por vosso amor, em poder dos que me odeiam.
Baixai vosso olhar sobre esse povo e dai-lhe o conhecimento da verdade.
Enfim, Senhor, exaltai em vossa infinita misericórdia aqueles que Vos invocarão por meu intermédio, para que Vosso Nome seja para sempre bendito.
Em seguida mandou que os soldados cumprissem as ordens, e sua cabeça foi decepada de um só golpe.
Era o dia 25 de novembro. Numerosos milagres logo foram constatados. Os anjos, como ela o desejara, transportaram seu corpo para a santa montanha do Sinai, a fim de que repousasse onde Deus escrevera sobre pedra sua Lei, que ela guardava tão fielmente escrita em seu coração".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

São Gregório Taumaturgo

Se Deus fez grandes milagres para resolver pequenos assuntos, com muito mais razão realizará milagres extraordinários para solucionar questões de altíssima importância, desde que peçamos com muita insistência e confiança, através de Nossa Senhora.
Em 17 de novembro comemora-se a festa de São Gregório Taumaturgo, a respeito do qual temos os seguintes dados biográficos1:
Gregório nasceu em Neocesareia2, por volta de 213. Foi discípulo de Orígenes e se tornou bispo de sua cidade natal. Ilustre por sua doutrina e santidade, ele o foi ainda mais pelo número e pelo brilho dos milagres extraordinários — razão pela qual foi chamado o Taumaturgo — que o tornaram, segundo o testemunho de São Basílio, comparável a Moisés, aos Profetas e aos Apóstolos.
Por sua oração ele moveu do lugar uma montanha que o atrapalhava para construir uma igreja. Secou uma lagoa que era para seus irmãos uma causa de discórdia. Deteve as inundações do Rio Icus que devastavam os campos, introduzindo no rio seu bastão, o qual imediatamente criou raízes e se transformou numa grande árvore, formando um limite que o rio nunca mais excedeu.
Muitas vezes ele expulsou os demônios dos ídolos e dos corpos e realizou muitos outros prodígios, pelos quais multidões de homens foram conduzidas à Fé de Jesus Cristo.
Possuía também o espírito dos Profetas, e anunciava o futuro. No momento de deixar esta vida, tendo ele perguntado qual o número dos infiéis que permaneciam em Neocesareia, lhe responderam que não era senão dezessete. E dando graças a Deus ele disse: “Esse é o mesmo número dos fiéis, no começo do meu episcopado.”
Escreveu vários trabalhos que, como seus milagres, ilustraram a Igreja de Deus.
Morreu entre 270 e 275.
Milagres incontestáveis e não fruto de sugestão

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

São Remígio de Reims

A 16 de março do ano 455, o imperador Valentiniano III sucumbia sob os golpes de dois soldados da Guarda Imperial, no Campo de Marte. Com sua morte, extinguia-se a dinastia dos Teodósios, última estirpe a reinar sobre Roma, e apressava-se o fim de um Império já em declínio.
A partir daquele dia, o trono dos césares seria disputado durante mais de vinte anos por governantes efêmeros, joguetes das manobras políticas ou das paixões humanas desenfreadas. Velho e desgastado, o Estado Romano se desagregava antes de cair definitivamente, minado em seu interior, corroído em suas bases pela decadência dos costumes, bem como pela desorganização política, militar e financeira. “Entre os romanos já não havia educação, mas corrupção moral e intrigas, a vida de família estava destruída”.1
De outro lado, as sucessivas invasões dos bárbaros do norte haviam enfraquecido o poderio e a coesão da Roma de outrora. No entanto, “não foram os bárbaros que destruíram o Império, ele mesmo se aniquilou; os estrangeiros foram meros executores da sentença de morte pronunciada pela Ordem moral contra o mundo antigo”.2
Naquela crucial quadra histórica, a Divina Providência suscitou varões como São Severino, Santo Isício, Santo Avito de Vienne — e, mais tarde, Santo Agostinho de Cantuária, São Bonifácio ou São Columbano —, que haveriam de ser germens de uma nova era nascida dos escombros do Império Romano do Ocidente.
A figura desses homens de Deus, aureolada pela fama de suas virtudes — e quantas vezes por numerosos milagres! — exercia poderosa influência entre os bárbaros. Guerreiros de aspecto aterrador, eram eles homens ávidos por conhecer as verdades sobrenaturais e, ao tomar contato com os prelados e os religiosos, despertavam para a luz matinal da Religião Cristã, a qual lhes aparecia com o esplendor da aurora.

domingo, 17 de maio de 2015

Irmã Teresa Juliana de São Domingos

S Teresa Juliana“Morreu tendo vivido setenta e dois anos sem mancha de pecado mortal”. Esse magnífico epitáfio resume a vida de uma africana, nobre por seu sangue, mas muito mais pela virtude de sua alma.

Era o ano de 1676, quando os olhos de Tshikaba contemplaram pela primeira vez a luz deste mundo. Nascida na África Ocidental, às margens do Golfo da Guiné, era a última dos quatro filhos de uma família de reis. Bem cedo, demonstrara inteligência incomum e, por isso, comentava-se ser ela quem governaria após a morte de seus pais. 

O reino de Tshikaba era pagão e seus habitantes adoravam o Sol. Ansiosos, aguardavam as primeiras luzes do alvorecer para saírem ao encontro do astro-rei com cantos e aclamações rituais. Mas Tshikaba era uma menina diferente das outras. Reflexiva e contemplativa, indagava o sentido de todas as coisas ao seu redor, procurando responder à pergunta que surgia invariavelmente no seu interior: quem comanda e mantém esta natureza tão exuberante e repleta de beleza? Sem ela perceber, a sede insaciável do Absoluto brotava do mais profundo de sua alma inocente. 

Angustiada em seu pueril intelecto, foi interrogar seu irmão, o qual apenas soube lhe dizer que a “Estrela da Manhã” era, indiscutivelmente, a grande divindade à qual era preciso adorar. Insatisfeita e cheia de perplexidades, foi interrogar o rei:

— Papai, o astro que cultuamos está no céu como todos os outros. Nada o diferencia, a não ser seu brilho. Alguém o pôs lá; e esse alguém tem de ser muito mais poderoso do que o Sol. É esse Ser misterioso que procuro e desejo conhecer, porque só Ele deve ser adorado! 

O pai não teve resposta para dar à menina, inspirada pelo sopro da graça. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Santo Anselmo de Cantuária

Dia 21 de abril comemora-se a festa de Santo Anselmo de Cantuária, bispo, confessor e Doutor da Igreja, cuja biografia apresenta os seguintes traços 1:
Mansidão do cordeiro e vigor do leão
Anselmo nasceu em Aosta, no Piemonte, de familia nobre. Como o pai o afastasse da vida religiosa, entregou-se aos prazeres durante alguns anos. Mas aos 26 anos entrou na abadia de Bec, na Normandia, onde se entregou à pratica das virtudes religiosas e ao estudo das Escrituras. Aos 30 anos, tomou-se prior e em seguida abade.
Governou sua abadia com uma bondade incansável que lhe permitiu triunfar de todas as dificuldades. Os Papas Gregório VII e Urbano II manifestaram-lhe grande estima. “O bom odor de vossas virtudes chegou até nós”, escrevia-lhe Gregório, e Urbano II diz: “Vinde cá o mais depressa possível a fim de podermos gozar juntos da afeição que nos une.”
Chamado à Inglaterra em 1092, não pôde voltar à França, pois foi nomeado Arcebispo de Cantuária. Nesse cargo muito sofreu do Rei Guilherme o Ruivo pela defesa dos direitos e liberdade da Igreja. Exilado, foi a Roma, onde o Papa o cumulou de honras e lhe deu ocasião, no Concilio de Bari, de convencer do seu erro os gregos que negavam que o Espírito Santo procedesse do Filho como do Pai.
Voltando à Inglaterra após a morte de Guilherme, Santo Anselmo morreu a 21 de abril de 1109. Clemente XI, em 1720, o declarou Doutor da Igreja.
Monge, bispo, Doutor Anselmo reuniu em sua pessoa os grandes apanágios do cristão privilegiado. E se a auréola do martírio não veio completar tanta glória, pode-se dizer que a palma faltou a Anselmo, mas que ele não faltou à sua palma. Sua vida foi toda entregue às lutas pela liberdade da Igreja. Nele o cordeiro revestiu-se do vigor do leão.
“Cristo, dizia, não quer uma escrava para esposa. Nada Ele ama tanto no mundo quanto a liberdade de sua Igreja.” O nome de Anselmo lembra a mansidão do homem do claustro unida à firmeza episcopal, a ciência junto com a piedade. Nenhuma memória foi mais suave e, ao mesmo tempo, mais brilhante do que a sua.
Um varão que marcou o século XI

domingo, 29 de março de 2015

São José Cafasso

Dom Bosco tentava descrever aos meninos do Oratório um de seus sonhos, no qual lhe aparecera São 1 Domingos Sávio, mostrando-lhe o Paraíso:
— Que belo estava ele! Parecia um... um... Anjo!
O Santo Fundador havia interrogado seu discípulo, já na glória, acerca de sua obra.
— Quanto ao passado — respondeu ele —, muito já foi feito por tua Congregação. Olha aquele número incontável de jovens.
— Sim, parecem bem contentes! — comentou Dom Bosco.
— Todos eles foram salesianos. Portanto, foram salvos por ti ou por teus sacerdotes e clérigos, ou ainda por outros que encaminhaste nas vias de sua vocação.
Grande glória é ter contribuído para a salvação de tantas almas! Entretanto, poderia também contemplar com gáudio a legião dos bem-aventurados da família salesiana um varão, a respeito do qual afirmou São João Bosco: “se fiz algo de bom, o devo a este digno eclesiástico, em cujas mãos depositei todas as deliberações, estudos e ações da minha vida”.2
Quem será este? Deixemos que Dom Bosco mesmo no-lo apresente.
Uma amizade que se estreitaria ao longo dos anos
Agitado como um formigueiro encontrava-se o pequeno vilarejo de Murialdo, pertencente a Castelnuovo, no Piemonte: era a festa da Maternidade de Maria, do ano 1827. Enquanto alguns terminavam a arrumação da igreja e os preparativos para a Santa Missa, outros participavam, na praça, dos entretidos e inocentes jogos comemorativos.
Um rapaz de 16 anos, contudo, permanecia afastado daquela movimentação e atraiu a atenção de um menino do povo, de apenas 12 anos. Pela batina percebia-se ser um seminarista, “pequeno na estatura, olhos cintilantes, ar afável, rosto angelical”.3 Cheio de vivacidade e fascinado por tal figura, o jovenzinho resolveu aproximar-se para fazer-lhe um convite:

sábado, 7 de março de 2015

São Camilo de Lellis

Às vezes somos tentados a pensar que só é verdadeiramente Santo quem nunca cometeu a menor falta nem possui qualquer defeito, conservando alva e intacta sua veste batismal no decurso da vida. Mas como ignorar, entre numerosos Bem-aventurados, a santidade indiscutível de São Paulo Apóstolo, de Santo Agostinho ou daquela que é invocada como a primeira entre as virgens na Ladainha de Todos os Santos, Santa Maria Madalena?
São três fulgurantes casos de almas que se converteram na idade adulta, após terem cometido graves pecados. Deus — que é Misericórdia e Bondade — os resgatou por meio de graças superabundantes e os chamou para admiráveis missões a serviço da Santa Igreja. Pela fidelidade a estas graças, eles alcançaram a honra dos altares e deixaram, com o exemplo de sua vida, um rastro luminoso no firmamento dos Santos.
Tal é a vida de São Camilo de Lellis.
Um soldado dissoluto
Nascido em Bucchianico, Itália, no domingo de Pentecostes de 1550, teve a infância marcada pela piedosa formação de sua mãe, Camila Compellis. Acostumada ao governo da casa, devido às longas ausências do marido, Giovanni de Lellis, grande militar mercenário, ela sabia harmonizar a disciplina e a bondade na educação do filho.
Dotado de um caráter impulsivo e forte, o menino sentiu-se atraído desde pequeno pelo estilo aventureiro da vida do pai, capitão famoso por haver servido a vários reinos da Europa. Aos 17 anos, Camilo dirigiu-se a Veneza a fim de alistar-se na luta contra os corsários turcos. Não muito tempo depois, encontrava o pai em Ancona, pois este também decidira lutar em Veneza. Mas, já idoso, Giovanni de Lellis foi tomado por uma grave doença e faleceu nos braços do filho, a meio caminho, antes que o pudesse levar de volta a Bucchianico.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

São Pedro Nolasco

Aquele foi um dia memorável nos anais da Catedral de Barcelona. Uma multidão de fiéis aguardava ansiosa, aglomerada nas naves, o início do ato litúrgico, pois a notícia de sua realização correra como um estopim por toda a região. Ao bimbalhar festivo dos sinos, o Bispo Dom Berengário de Palou deu início à celebração, na presença do soberano Dom Jaime I e numerosos notáveis do reino. O povo cristão também viera em peso presenciar o acontecimento que, dizia-se, tinha origem numa inspiração celestial.
O sermão foi feito pelo ilustre Raimundo de Peñafort, na época ainda pertencente ao clero secular. Anunciou ele à assembleia ser vontade da Mãe de Deus a instituição de uma nova Ordem em honra de suas misericórdias, conforme revelação feita por Ela mesma a um filho seu muito dileto, chamado Pedro Nolasco. Então, na hora das oferendas, o rei e o sacerdote apresentaram o novo Fundador ao Prelado, que o revestiu com um branco hábito, idêntico ao que ostentava Nossa Senhora ao lhe aparecer.
Portando já a veste religiosa, o santo Fundador a impôs, por sua vez, a 13 outros nobres e fidalgos — seis sacerdotes e sete cavaleiros —, seus primeiros filhos espirituais. Estes se dispuseram a professar os votos de pobreza, castidade e obediência, e ainda um quarto voto...
Transcorrida com unção e gravidade junto ao histórico altar de Santa Eulália, a cerimônia estabeleceu no seio da Santa Igreja a Ordem Real, Militar e Religiosa de Nossa Senhora das Mercês, para a redenção dos cativos. Era o dia 10 de agosto do ano da graça de 1218.
Generosidade desde a infância
Este acontecimento coroou os esforços com os quais o Santo vinha se dedicando por longos anos à heroica empresa de resgatar os cristãos cativos de guerra. Era uma tarefa árdua, audaciosa e crivada de dificuldades quase intransponíveis, mas abençoada pela Santíssima Virgem, que ornou a alma de Pedro com todas as virtudes necessárias para o cumprimento desta missão.
De nobre linhagem, nascera ele entre os anos 1180 e 1182 na antiga região francesa do Languedoc,1 onde passou a infância na mansão senhorial de seus pais; ou, segundo outros estudos recentes, nas imediações de Barcelona, no antigo povoado de San Martín de Provensals, hoje incorporado à cidade.
Conta-se que o pequenino Pedro amava a oração, o silêncio e o recolhimento, ocupando-se satisfeito nestas práticas por horas seguidas, que para ele equivaliam ao mais entretido dos passatempos. Havendo recebido esmerada educação e por ser de índole generosa, era propenso a distribuir esmolas e sorrisos aos necessitados que batiam à porta ou encontrava em seus passeios. Se nada tinha para dar, irrompia em pranto até receber de algum adulto moedinhas para repartir.
Acontecia muitas vezes de sair de casa bem agasalhado e voltar tiritando de frio, pois ao encontrar meninos humildes de sua idade despojava-se das próprias vestes para cobri-los. Eram indícios de sua vocação, pois “os Santos destinados por Deus para serem exemplares em alguma grande virtude costumam demonstrá-la já na infância, do mesmo modo como nas árvores a raiz promete a abundância das flores e a doçura dos frutos”.2
Início da redenção dos cativos
Conforme crescia em idade, Pedro avançava a passos largos na vida espiritual, sempre convicto de ter sido chamado a viver só para Deus. Quando a mãe veio propor-lhe um auspicioso casamento ele recusou de imediato, por ter já decidido consagrar sua perfeita castidade a Maria Santíssima.
Com o falecimento dos pais, Pedro Nolasco, ainda na juventude, herdou uma considerável fortuna, na administração da qual mostrou-se bastante hábil, multiplicando os tesouros que logo passariam a alimentar suas ousadas obras de caridade.
Entre as mil atividades de assistência espiritual e material por ele empreendidas, uma o atraía mais que todas: fazer tratativas para obter a liberdade dos presos cristãos, à época em número elevado, nos reinos árabes da Península e do norte da África. As palavras do Divino Mestre — “estava no cárcere, e fostes visitar-Me” (Mt 25, 36) e “o Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu; e enviou-Me [...] para anunciar aos cativos a redenção” (Lc 4, 18-19) — encontraram especial ressonância na alma de Pedro, que as considerava como dirigidas a si.
Entre os cristãos cativos contavam-se não apenas homens, mas também mulheres, crianças e idosos. Viviam em regime de trabalhos forçados, privados dos Sacramentos, sujeitos a constantes carências materiais e humilhantes padecimentos morais. Muitos perdiam a fé e se rendiam ao desespero ou à corrupção dos costumes; outros, todavia, tais como os antigos hebreus “que gemiam sob o peso da servidão, clamaram, e, do fundo de sua escravidão, subiu o seu clamor até Deus” (Ex 2, 23).
Não terá sido a vocação de São Pedro Nolasco uma resposta a estas súplicas? Com sobrenatural coragem ele ouviu a voz da graça unida ao pranto dos infelizes e assumiu a arriscada empresa de libertá-los, contando com a benevolência do Céu. Lançou mão de seus bens, instrução, amizades na corte e ascendência sobre o rei para canalizar forças e recursos em benefício dos presos.
Com surpreendente habilidade começou a estabelecer tratativas junto aos potentados do reino de Valência e levou a cabo, contando pouco mais de 20 anos de idade, aquela que viria a ser sua primeira missão de exea — nome dado aos enviados a terras estrangeiras para libertar cativos —, na qual libertou 300 cristãos mediante trabalhosas negociações e vultosos pagamentos.
Soube-se logo da notícia em Barcelona, onde os resgatados foram recebidos com especiais manifestações de regozijo. Os campos encheram-se de gente, a nobreza acompanhou São Pedro Nolasco à frente do cortejo triunfal que, em meio a cânticos de ação de graças, louvava a Deus que Se inclinara “para escutar os gemidos dos cativos, para livrar da morte os condenados” (Sl 101, 21).
Vocação consolidada pela visão da oliveira
Embora tenha sido alvissareira, esta primeira missão não passava de um tênue raio de luz em meio às  densas trevas da escravidão na qual jaziam milhares de católicos, ou, segundo expressão de um biógrafo, “era tirar do mar uma gota”.3
Reforçado em sua disposição de seguir adiante, nosso Santo continuou a reunir esmolas em Barcelona e partiu repetidas vezes para Valência, Múrcia, Maiorca, Argel e Tunísia, com a finalidade de entabular negociações, o que supunha correr um não pequeno risco de vida. Entretanto, Pedro Nolasco acabou por ganhar a simpatia de muitos dos soberanos muçulmanos destes reinos. Ao cabo de algum tempo este sentimento de tal modo se consolidou que, no juízo de muitos deles, Pedro passou a ser uma figura digna de veneração.
Numa noite do ano de 1203, o Santo foi favorecido com uma visão profética que marcou para sempre a sua vida. Encontrava-se ele absorto em oração, quando lhe foi mostrada uma frondosa e verdejante oliveira, carregada de frutos maduros. Encantado com sua beleza, permaneceu alguns instantes a contemplá-la, enquanto descansava sob a ramagem.
De repente, viu aproximarem-se alguns varões que lhe fizeram uma comunicação: Deus o incumbia de cuidar daquela árvore, de guardá-la de todos os ataques. Retirando-se estes, acercou-se um grupo de homens violentos e logo se precipitaram sobre ela com fúria, no intuito de destruí-la. Pedro se interpôs e a defendeu valentemente, impedindo-os de lhe fazerem qualquer dano. Seu ardor foi maior que a sanha dos inimigos, os quais, por fim, se retiraram vencidos.
Após esta cena mística, Pedro sentiu-se confirmado na missão de salvar os cativos, tendo por certo que o impulso interior que o movia a empreender o resgate dos cristãos cativos correspondia, de fato, à vontade de Deus. Pouco depois estabeleceu uma confraria de modestas proporções, com a finalidade de angariar auxílio, e prosseguiu resoluto em seus piedosos intentos, visando novas conquistas.
A visita da Senhora das Mercês
As iniciativas de Deus, como a lâmpada do Evangelho, não são suscitadas para serem postas debaixo do alqueire (cf. Mt 5, 15). Outras confrarias semelhantes tinham sido fundadas pelos soberanos cristãos da Península, mas com resultados efêmeros, pois elas logo feneciam após a morte dos doadores ou patronos.
No caso de São Pedro Nolasco, havia ele articulado valorosos cavaleiros, membros da alta nobreza, sacerdotes piedosos, doadores de todos os quadrantes; tudo isso, porém, corria risco de se desagregar se ele viesse a falecer. Haveria um desígnio mais alto sobre aquela obra redentora, premiada pela Providência com um chefe sem precedentes? A resposta veio do Céu, pelos lábios de Maria.
Era a madrugada de 2 de agosto de 1218. Celebrara-se no dia anterior, de acordo com o calendário litúrgico medieval, a festa da libertação do Príncipe dos Apóstolos do cárcere (cf. At 5, 17-19), chamada São Pedro das Cadeias. Nesta evocativa comemoração, a Santíssima Virgem apareceu a São Pedro Nolasco, manifestando-Se com indizível bondade.
Vinha Ela pedir a fundação de uma nova Ordem religiosa em honra de suas misericórdias — portanto, de suas mercês —, que tivesse por principal objetivo a libertação dos escravos cristãos e o louvor de sua imaculada pureza, simbolizada no branco hábito dos membros desta Ordem. Ela própria o portava, em sinal de inteira união com aqueles que fossem segui-La nas novas fileiras.
Tal revelação deu ocasião, no dia 10 daquele mês, à solene cerimônia relatada no início destas linhas. Por inspiração da própria Santíssima Virgem Maria, como se lê nos mais antigos registros mercedários, o quarto voto que seus membros deveriam professar era: “todos os frades desta Ordem, como filhos da verdadeira obediência, estejam sempre alegremente dispostos a dar suas vidas, como Jesus Cristo a deu por nós”.4 Deveriam, assim, se oferecer e ficar no lugar de algum cativo, caso não obtivessem o dinheiro para o seu resgate.
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15, 13). Magnífico exemplo da compaixão cristã levada a um auge! É este um dos mais belos e radicais atos de heroísmo que um homem pode fazer. Com efeito, “não se pode imaginar caridade que vá mais longe em abnegação”. 5
O cativeiro do século XXI
A vida exemplar dos religiosos e os bons resultados de sua ação missionária tornaram famosa a nova Ordem. As naus de Colombo trouxeram, em sua segunda viagem, os padres mercedários para o Novo Mundo, e com eles a devoção à Virgem das Mercês. Vários países latino-americanos veneraram pela primeira vez a Mãe de Deus sob esta invocação, cuja presença perdura até hoje em nossas igrejas e santuários.
São Pedro Nolasco prosseguiu com bravura o cumprimento de sua missão, sem tréguas nem esmorecimentos, até ser colhido pela morte no dia 6 de maio de 1256. Séculos mais tarde, o célebre Bossuet, ao dirigir-se aos religiosos mercedários, reconhecia com estas palavras a eficácia da caridade benfazeja do seu Fundador: “Se fosse visto reluzir na Igreja esta caridade desinteressada, toda a Terra se converteria. Pois o que haveria de mais eficaz para levar a adorar um Deus que Se entregou por todos, do que imitar seu exemplo?”.6
Passaram-se mais de sete séculos desde a morte de São Pedro Nolasco e o cativeiro de guerra, tal como ele o conheceu, não existe mais. Não obstante, permanece no século XXI — e sempre existirá entre nós! — um cativeiro não menos grave e doloroso: o do pecador que se torna escravo do pecado (cf. Jo 8, 34). E tanto no longínquo século XIII quanto em nossos dias, ergue-se a soberana figura de Nossa Senhora das Mercês para resgatar-nos, com seu maternal auxílio, das mãos desta mais cruel das tiranias. Com maior amor ainda que os mercedários se propunham a dar a vida pelos cativos, Ela, em sua liberalidade, está “disposta, a todo momento, a nos dar coisas boas, a nos dar coisas excelentes, e a nos convidar a pedir estas coisas e a amá-La, por Ela ser tão boa assim”.7
Que esta invocação, tão cara a São Pedro Nolasco, abra nossa alma a um teor de relação muito filial e muito confiante com Maria Santíssima, para que Ela nos livre dos liames do pecado e da morte, obtendo-nos a graça para a prática da virtude, que é a suprema liberdade dos verdadeiros filhos de Deus.
1 A cronologia de São Pedro Nolasco é bastante controvertida. Seguimos neste artigo a de Zuriaga Senent, que afirma: “As crônicas indicam que seu nascimento ocorreu no último quarto do século XII. É comumente aceita a data de 1203 como o início do trabalho de resgatador ou exea. Estas datas dão a Nolasco uma idade aproximada de 40 anos no momento da fundação, em 1218; de 60 anos na conquista de Valência, em 1238; de 70 na conquista de Sevilha, em 1248; e por volta de 80 no momento de sua morte, que, segundo a tradição do século XVII, ocorreu em 1256” (ZURIAGA SENENT, Vicente Francesc. La imagen devocional en la Orden de Nuestra Señora de la Merced: tradición, formación, continuidad y variantes. Valencia: Universitat de Valencia; Servei de Publicacions, 2005, p.287).
2 COLOMBO, O de M, Phelipe. Vida del glorioso patriarca San Pedro Nolasco, fundador del Orden Real y Militar de María Santísima de la Merced, ó misericordia, redempción de cautivos. Madrid: Antonio Marín, 1769, p.22.
3 Idem, p.74.
4 ZURIAGA SENENT, op. cit., p.59.
5 DANIEL-ROPS, Henri. A Igreja das Catedrais e das Cruzadas. São Paulo: Quadrante, 1993, p.289.
6 BOSSUET, Jacques-Bénigne. Panégyrique de Saint Pierre de Nolasque. In: Œuvres Complètes. Paris: Louis Vivès, 1862, v.XII, p.103-104.

7 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Conferência. São Paulo, 24 set. 1965.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Venerável Antonieta Meo

Há certas almas que se Deus, em sua misericórdia, não as chamasse para junto de Si quando ainda em tenra idade, se extraviariam como ovelhas desgarradas, expondo-se a serem devoradas pelos lobos ferozes da perdição e do mal. Cabe perguntar-se, por exemplo, o que teria acontecido com os Santos Inocentes se Deus não os tivesse levado quando ainda nem tinham possibilidade de manchar sua alma com o pecado? Quem pode garantir que muitos deles, tornando-se adultos, não estariam bradando no Pretório de Pilatos: “Crucifica-O!”? Entretanto, todos fazem parte do coro dos mártires e cantam eternamente nos Céus a glória de Deus, junto com Santo Inácio de Antioquia, Santo Estêvão, Santa Inês e todas as almas bem-aventuradas.
Mas deixemos para trás as maravilhas da Igreja nascente e voltemos nossos olhos para uma menina do século passado, à qual Deus deu uma vocação bem diversa da maioria das crianças: compreender e amar, sendo ainda muito pequena, o valor expiatório do sofrimento.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Santo Odilon

Através da vocação, Deus traça para cada um dos seus filhos uma via específica de santificação e dá aptidões naturais e sobrenaturais que favorecem o cumprimento desse chamado individual e irrepetível. Mas Ele também os convida a colocar esses dons, de uma ou outra forma, a serviço da Igreja e do próximo.
Em uma de suas epístolas, o Apóstolo São Pedro exorta: “Cada um ponha ao serviço dos outros o dom que recebeu, como bons dispenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale com palavras de Deus; se alguém exerce um ministério, exerça-o como em virtude do poder que Deus lhe dá, para que em todas as coisas seja Deus honrado por Jesus Cristo” (I Pd 4, 10-11).
Analisando a trajetória duas vezes milenar da Santa Igreja Católica, comprovamos como a Providência costuma escolher algumas almas às quais chama para a realização de missões de singular importância. Elas não realizam a própria vocação no âmbito de suas relações, mas sua ação é destinada a atingir um campo mais amplo, e não raras vezes a Igreja no seu conjunto.
São pessoas providenciais, escolhidas para desempenhar um papel proeminente e assim apontar para seus contemporâneos os desígnios divinos. Assistidas por luzes sobrenaturais, elas compreendem com particular acuidade os erros difundidos em sua época, discernem as armadilhas do mal e as necessidades dos bons, apontando os rumos a seguir para se obter a expansão do Reino de Deus. Como corolário, são em muitos casos agraciadas com notáveis qualidades humanas, condizentes com a missão recebida.
Neste artigo contemplaremos um desses vultos da História da Igreja: Santo Odilon, abade de Cluny. Entretanto, para melhor apreciar sua obra e de seus monges será necessário analisar a difícil conjuntura dos dias nos quais ele viveu.
O mundo imerso no caos
As vicissitudes que ameaçavam o Ocidente nos séculos IX e X davam margem a enormes incógnitas e não menores apreensões. Com a desagregação do império carolíngio e a intensificação das investidas bárbaras, a sociedade ficara enfraquecida e minada em seus fundamentos.
Tomadas de insegurança e pavor, as populações procuravam refúgio junto aos senhores feudais, homens de armas que se comprometiam a protegê-las dos perigos em troca de seus serviços. Em sua maioria, porém, embora professassem a Fé Cristã, estavam eles longe de ostentar uma conduta moral conforme as exigências do Batismo. Valendo-se sem escrúpulos das possibilidades geradas pela anarquia para expandir os seus domínios, protelavam indefinidamente rivalidades sangrentas.
No âmbito religioso, os motivos para se temer não eram menos graves: a intromissão dos soberanos nas nomeações eclesiásticas, unida ao relaxamento de costumes dos clérigos, abriram as portas da Sagrada Hierarquia a candidatos pouco dignos, que não tardaram a se envolver em tramas políticas e ambições mundanas, e a dar largas às suas paixões desordenadas. O problema viria a assumir grandes proporções, culminando na célebre Querela das Investiduras.
Faltava à Europa uma força capaz de fazer frente aos erros disseminados, tanto na esfera temporal quanto na espiritual. Para surpresa de todos, essa força ergueu-se no silêncio de um claustro, onde monges pobres, obedientes e castos iniciaram uma ousada obra renovadora. Como filhos exemplares da Igreja, que “encarna o único elemento de estabilidade num Ocidente desorientado”,1 eles “dão um passo avante e, se se quiser, iniciam uma reviravolta no monaquismo ocidental, aproximando-se cada vez mais do povo e preocupando-se não apenas com sua própria santificação, mas também com a reforma moral do mundo cristão”.2
Cluny e seus santos abades
A Borgonha, linda região vinícola localizada no centro-leste da França, abriga ainda em nossos dias a pequenina cidade de Cluny, onde, no ano de 910, o duque Guilherme, o Piedoso, doou um terreno a São Bernon, o qual desejava iniciar ali uma comunidade monástica sob a regra de São Bento.
“Há locais abençoados por uma predestinação que ninguém pode prever e cujos segredos Deus reservou apenas para Si. Cluny é um desses lugares”.3 Segundo as aparências, a nova fundação seria apenas um mosteiro a mais, como tantos outros edificados na mesma época. Contudo, quando suas paredes de estilo românico passaram a abrigar as jovens vocações que logo vieram pedir admissão, foi possível notar que um élan de fervor distinguia esses homens de Deus.
De fato, os monges cluniacenses compreenderam a necessidade de iniciar uma obra que primasse pela máxima fidelidade aos preceitos da vida religiosa. Com grande entusiasmo dedicaram-se à oração, ao trabalho, ao estudo, às obras de caridade e, sobretudo, ao ofício litúrgico, podendo-se afirmar que “a vida em Cluny foi a vida beneditina total”.4
Digno de nota era seu amor à Santa Missa, que os levou a promover diariamente celebrações ininterruptas desde o amanhecer até o meio-dia, e a assídua recepção da Eucaristia por parte de todos os monges. O segredo do dinamismo de Cluny vem sendo questionado há séculos, mas podemos atribuir a esses dois fatores a razão mais profunda da força que a abadia veio a adquirir.
Cumpre recordar ainda que durante dois séculos o mosteiro teve à frente grandes abades, verdadeiras figuras de proa que souberam delinear e conduzir com sabedoria o novo estilo de consagração a Deus. Os governos de São Bernon, Santo Odon, São Maïeul, Santo Odilon e São Hugo deram um amplo reconhecimento a Cluny, o que levou incontáveis mosteiros a se unirem a ele, a ponto de contar com quase 1.500 unidades filiadas, esparsas pela Europa.
“A expansão de Cluny deve-se à qualidade monástica de algumas personalidades eminentes que estiveram à sua frente e puderam, desde as origens, liderar a comunidade realmente desejosa de reforma. Acrescente-se a isso a superioridade dos estatutos bem definidos, a brilhante organização de orientação internacional e a posição central no coração do Ocidente latino”.5
Santo Odilon, o quarto dos abades a merecer a glória dos altares, é o que parece melhor sintetizar o espírito da mítica instituição, tendo sido chamado de “Arcanjo dos monges”6 por São Fulberto, Bispo de Chartres, seu amigo e admirador.
Curado pela Santíssima Virgem
Nasceu ele na Auvérnia, por volta do ano de 962, numa família de elevada linhagem e ascendência principesca pelo lado materno. No entanto, o nascimento ilustre não livrou o bebê das desditas deste vale de lágrimas: terceiro filho de Béraud, Conde de Mercœur, e da não menos nobre Gerberge, foi ele vítima de uma grave doença que o deixou paralítico. A duras penas conseguia mexer as mãozinhas e os pés.
Todavia, um alto desígnio pairava sobre aquele menino. Estava ainda nos primeiros anos de sua infância quando, durante uma viagem, a família o deixou junto às bagagens, diante de uma igreja dedicada à Virgem Maria, enquanto se reabastecia de víveres. Nessa ocasião, sentindo uma misteriosa inspiração para entrar no recinto sagrado, ele arrastou-se como podia até a porta e, com comovedora pertinácia, conseguiu chegar ao altar dedicado à Rainha dos Céus. Ali agarrou-se à toalha que o cobria, na tentativa de ficar de pé, e, de repente, eis que sentiu penetrar em si uma força miraculosa. Estava curado!
Esse prodígio foi o início de um relacionamento entranhado e filial com a Mãe de Deus, que perdurou por toda a sua vida. Mais tarde, quiçá para confirmar sua gratidão, consagrou-se a Ela como escravo, cingindo o pescoço com uma corda, cuja ponta depositou aos pés de uma imagem de Maria, recitando uma piedosa fórmula de oferecimento. “A partir desse instante” — comenta Dom Jacques Hourlier —, “Odilon não é mais homem livre: ele acabava de ‘dar-se’ a Nossa Senhora, como outrora tantos outros alienavam sua liberdade nas mãos de um senhor”.7 Adiantava assim, de algum modo, a escravidão de amor a Nossa Senhora ensinada séculos depois por São Luís Maria Grignion de Montfort.
Sua frágil saúde não lhe permitiu seguir a carreira das armas, como era costume entre os nobres da época. Ingressou, então, na ilustre escola de Saint-Julien de Brioude, de cujo capítulo se tornou cônego. Porém, um encontro fortuito com São Maïeul, abade de Cluny, determinaria seu destino: seria monge naquela abadia. Deus abençoou desde o primeiro momento esse feliz encontro e uma profunda amizade os uniu para a vida e para a morte. O jovem Odilon, de apenas 26 anos, inclinava-se como um filho ante a venerável figura do abade octogenário, de quem se tornou discípulo.
Monge de eminente santidade
Ao ingressar no noviciado, o único desejo de Odilon era dedicar-se por completo à vida contemplativa. Seus anseios foram coroados com as bênçãos da Providência, pois não havia naquela casa de oração monge mais humilde do que ele, mais afeito aos trabalhos árduos, aos sacrifícios penosos, à prece e ao recolhimento com maior compenetração. Quem dele se aproximava, mesmo sem dirigir-lhe qualquer palavra, logo se sentia convidado a crescer no amor a Deus.
A alma desse despretensioso cluniacense parecia ter sido modelada desde o nascimento de acordo com os preceitos da regra, e nela reluzia todo o ideal beneditino. Seus irmãos de hábito, admirados e felizes pelo privilégio de gozarem de sua companhia, eram unânimes em reconhecer nele a perfeição da vida monástica.
Essa opinião era compartilhada por São Maïeul, que o elegeu para seu sucessor. Quando este faleceu, no ano de 994, a pesada cruz do governo da abadia recaiu sobre os jovens ombros de Odilon.
Santo Odilon, segundo um discípulo e contemporâneo
Os estudiosos da vida de Santo Odilon acabam recorrendo, cedo ou tarde, à pluma do monge Jotsald,8 seu contemporâneo, discípulo e biógrafo. Sensível à riqueza da personalidade de seu superior, deixou-nos preciosos relatos.
Odilon tinha passo grave e voz admirável. Exprimia-se bem e só de vê-lo se sentia alegria. Seu rosto angelical, a serenidade do olhar, seus movimentos, gestos e postura exprimiam retidão e pureza. As simples dobras de suas vestes manifestavam sua alta dignidade, bem como o respeito para consigo e para com os outros. Havia nele algo de luminoso que convidava a imitá-lo e a venerá-lo. A luz da graça presente em seu interior reluzia em sua fisionomia, fazendo transparecer sua bela alma.
Era de talhe mediano e porte elegante. Seu rosto exprimia, ao mesmo tempo, autoridade e benevolência. Com os mansos e humildes era gentil e afável; com os orgulhosos e maus, contudo, se tornava terrível, a ponto de estes quase não poderem fixar-lhe o olhar. Sua magreza acentuava-lhe o vigor e, mais tarde, a palidez não lhe tirou o frescor de sua nobre distinção. De toda a sua pessoa emanava uma espécie de gravidade e de paz.
Quando guardava o silêncio, era com o Senhor que se entretinha; quando falava, seu tema era o Senhor. “Examinando seus sermões e muitas de suas cartas, sente-se ali como o sabor de doces e saborosíssimos favos, o aroma da prudente eloquência, e o encanto da amenidade e da graça”.9
Espelho de virtudes para toda a sociedade
O período de seu governo foi extenso: 55 anos. Um fenômeno curioso verificou-se tanto nessas décadas quanto na administração dos outros abades. Por um lado, os poderes temporais desgastavam-se em lutas intestinas. De outro lado, Cluny ia conquistando as almas pela prática da caridade cristã; nos mosteiros cluniacenses reinavam a paz e a ordem, todos ali se entregavam a fecundos trabalhos, imitando o exemplo de dedicação dado por Odilon. O contraste entre essas duas situações atraía, naturalmente, as esperanças dos habitantes para o santo abade e seus filhos espirituais, e estes nunca os decepcionavam
Quando os aflitos, ou mesmo os desesperados de suas causas, já não tinham a quem recorrer, bastava bater às portas da abadia para receber um sábio conselho; os famintos ganhavam uma porção do alimento que muitas vezes os livrava da morte; os enfermos tinham tratamento e hospedagem garantida; e os mortos se beneficiavam com as Missas e preces oferecidas em sufrágio de suas almas. Graças a este zelo de Odilon deu-se origem na Igreja a Comemoração dos Fiéis Defuntos, a 2 de novembro. De dentro das muralhas desses mosteiros forjou-se uma nova era histórica, que impediu a desagregação total do Ocidente.
Sua figura venerável mostrou ser a santidade a solução para os graves problemas da sociedade. No decorrer do tempo, os soberanos foram se apercebendo desta verdade e passaram a se abeberar na fonte de sua sabedoria. Pode-se dizer que Santo Odilon está ligado a todas as grandes questões de seu tempo e influenciou, direta ou indiretamente, as principais decisões então tomadas, tanto na Santa Sé como nos reinos cristãos.
A consumação de uma santa carreira
O falecimento do abade é descrito com piedosa unção por Jotsald. Narra ele que, mesmo sentindo-se enfraquecido, o ancião de 87 anos empreendeu em outubro de 1048 uma viagem até o mosteiro de Souvigny, onde, apesar da crescente debilidade, continuou exercendo suas funções com perfeição.
No último dia desse ano, sua saúde dava mostras de estar chegando ao fim. Mesmo já prostrado no leito, pediu para ser conduzido até a igreja, a fim de recitar Vésperas com a comunidade, e ainda encontrou alento para entoar os Salmos. O santo abade avançava de encontro à morte com sua natural e nobre firmeza. Horas depois, na madrugada de 1º de janeiro de 1049 entregava sua alma a Deus. “Sem estremecimento, sem agonia, seus olhos se fecharam docemente e ele adormeceu na paz”.10
1DANIEL-ROPS, Henri. A Igreja dos tempos bárbaros. São Paulo: Quadrante, 1991, p.439.
2GARCÍA-VILLOSLADA, SJ, Ricardo. Historia de la Iglesia Católica. Edad Media: La Cristiandad en el mundo europeo y feudal. 6.ed. Madrid: BAC, 1999, v.II, p.243.
3JARDET, Pierre. Saint Odilon, abbé de Cluny. Sa vie, son temps, ses œuvres. Lyon: Emmanuel Vitte, 1898, p.51.
4 DANIEL-ROPS, op. cit., p.592.
5 HALLINGER, Cassio. Cluny. VI - Cause dell’ascesa e della decandenza. In: PIZZARDO, Guiseppe et al. (Dir.). Enciclopedia Cattolica. Città del Vaticano: Ente per L ’Enciclopedia Cattolica e per il Libro Cattolico, 1949, v.III, col.1890.
6GARCÍA-VILLOSLADA, op. cit., p.242.
7HOURLIER, OSB, Jacques. Saint Odilon, abbé de Cluny. In: Revue d’Histoire Ecclésiastique. Louvain. Fasc. 40 (1964); p.31.
8JOTSALD. De vita et virtutibus Sancti Odilonis abbatis. L.I, c.2-6: ML 142, 899-901.
9Idem, c.6, 901.
10 JARDET, op. cit., p.751-752.

Irmã Carmela Werner Ferreira, EP Revista Arautos do Evangelho jan 2014

sábado, 13 de setembro de 2014

Santa Pulquéria

Santa Pulquéria, sendo Imperatriz do Império Romano do Oriente, ocupou o mais alto cargo na esfera temporal e contribuiu possantemente para o esmagamento das heresias de Nestório e de Eutiques.
A respeito da Imperatriz Santa Pulquéria, virgem, temos alguns dados biográficos extraídos de diferentes fontes.
Um dos mais belos episódios da História
Ao lado de São Cirilo de Alexandria em sua luta contra Nestório, no triunfo da Mulher sobre o antigo inimigo, aparece-nos a admirável figura de uma mulher, de uma santa que foi, durante quarenta anos, o terror do inferno, e por duas vezes, em nome da Rainha do Céu, esmagou a cabeça da serpente odiosa.
Num século de ruínas, encarregada aos quinze anos da direção do Império, Pulquéria deteve por sua prudência, por sua energia, as convulsões internas, enquanto que, pela única força dos Salmos divinos — que ela entoava com suas irmãs, virgens como ela —, continha os bárbaros.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

São Simão Stock

São Simão Stock, confessor, era da mais alta nobreza da Inglaterra, e foi Prior Geral da Ordem do Carmo. Recebeu o Santo Escapulário das mãos de Nossa Senhora, como sinal da predileção d’Ela pela Ordem. Deu o primeiro grande impulso à vida contemplativa carmelitana. Século XIII.
Ponte desde os primórdios da devoção mariana até o fim do mundo
A respeito de São Simão Stock e da Ordem do Carmo, é preciso termos bem em mente a importância da obra deste santo numa linha muito alta das coisas, para compreendermos bem quão grata nos deve ser a festa que hoje se comemora.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

São João de Deus

Em sua primeira carta aos Coríntios, o Apóstolo assinala ser a linguagem da Cruz de Cristo “loucura para os que se perdem” (I Cor 1, 18). Pois o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, sendo para ele desatinos (cf. I Cor 2, 14).
Ora, muitas vezes, em sua sabedoria divina, o Paráclito pede tomar atitudes apresentadas aos olhos humanos como desvarios, exigindo uma submissão a Deus sem reservas e um completo esquecimento de si mesmo. Bem exprime esta realidade a piedosa súplica feita, em uma conhecida Consagração ao Espírito Santo: “Que meu amor a Jesus seja perfeitíssimo, até chegar à completa alienação de mim mesmo, àquela celestial loucura que faz perder o senso humano de todas as coisas, para seguir as luzes da fé e os impulsos da graça”.1
Foi justamente essa generosidade de alma, limítrofe ao desconcertante, pedida pela Providência a um jovem português chamado João Cidade. Após uma vida cheia de aventuras, sempre à busca de um ideal, encontrou Jesus nos mais necessitados e, com o coração apaixonado por Cristo, fez-se de “louco” pelos enfermos, pobres e desvalidos.

domingo, 17 de agosto de 2014

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Na tarde de 30 de setembro de 1897, uma cena inesquecível desdobrava-se na enfermaria do Carmelo de Lisieux. Cercada de toda a comunidade ajoelhada em torno de seu leito de dores, Santa Teresinha do Menino Jesus, fitando os olhos no crucifixo, pronunciava suas últimas palavras nesta terra de exílio:
— Oh! eu O amo... Meu Deus... eu... Vos amo!
Subitamente, seus amortecidos olhos de agonizante recuperam vida e fixam-se num ponto abaixo da imagem de Nossa Senhora. Seu rosto retoma a aparência juvenil de quando ela gozava de plena saúde. Parecendo estar em êxtase, ela fecha os olhos e expira. Um misterioso sorriso aflora-lhe aos lábios e aumenta a formosura de sua fisionomia.
“Eu não morro, eu entro na Vida”, havia ela escrito poucos meses antes.
Sua luz brilha no mundo inteiro
Talis vita finis ita. – “Cada um morre como viveu.”
Sua morte, aos 24 anos, foi um reflexo de sua breve existência — uma vida de virtude heróica, de amor a Deus e ao próximo levado a limites extremos, e de sofrimentos suportados com uma radiante alegria e uma santa despretensão.
Quis ela passar inteiramente despercebida neste mundo. E este seu desejo de vida oculta teria sido realizado, se Deus não tivesse outros desígnios a esse respeito.
Por ordem das superioras, a humilde carmelita escreveu seus famosos Manuscritos Autobiográficos — “História de uma alma” — que tanto bem fizeram, fazem e farão ao longo dos séculos, além de várias cartas, poesias e outros documentos registrados pela História. E algumas irmãs de hábito que bem compreenderam sua extraordinária virtude, tomaram nota das conversas tidas com ela nos seus últimos meses de vida.
Graças a isso, a chama acesa por Jesus na alma dessa Santa ilumina hoje o mundo inteiro. E nós podemos, nas linhas abaixo, apreciar alguns “flashes” fulgurantes dessa luz.
* * *
Em abril de 1897, quando a doença mortal entrava em sua última fase, sua irmã Paulina (em religião, Madre Inês de Jesus) fez percebida neste mundo. E este seu de- a primeira anotação em seu caderno:
“Quando somos incompreendidas e julgadas desfavoravelmente, de que nos serve defender-nos ou explicar-nos? É muito melhor não dizer nada e deixar que os outros nos julguem como lhes agrada. Não vemos no Evangelho Maria explicando-se quando sua irmã a acusou de ficar aos pés de Jesus sem fazer nada! Não, ela preferiu permanecer em silêncio. Ó abençoado silêncio que dá tanta paz às almas!”
Trechos como este, de conversas íntimas com a Santa, quase nos fazem esquecer que ela está passando por sofrimentos físicos atrozes, incompreensões e, muito mais duro de suportar, uma terrível provação espiritual, “a noite da Fé”.
                                                 * * *
Descrevendo essa provação nos Manuscritos Autobiográficos, ela afirma:
“Jesus permitiu que uma escuridão negra como boca de lobo varresse minha alma e deixasse o pensamento do Céu, tão doce para mim desde a minha infância, destruir minha paz e torturar-me...”
E em conversa com suas irmãs acrescenta: “Minha alma está exilada, o Céu está fechado para mim e do lado da terra tudo é provação também”.
Olhando pela janela da enfermaria, viu um “buraco negro” no jardim e confidenciou à Madre Superiora: “É num buraco como esse que eu me encontro, de corpo e alma. Oh! sim, que trevas! Mas estou em paz dentro delas”.
No dia da partida para a eternidade, pôde ela declarar com singela despretensão: “Oh, eu rezei fervorosamente a Ele, mas estou realmente em agonia sem nenhuma mistura de consolação”.
                                                 * * *
Apesar de todos os sofrimentos físicos e espirituais, ela iluminava com seu sorriso e aquecia com sua caridade as demais religiosas do convento. Naquela enfermaria não se respirava atmosfera de tristeza. Santa Teresinha não o permitia! Escreve sua irmã Maria: “Quanto à força moral, é sempre a mesma coisa, a alegria em pessoa, fazendo rir todos quantos dela se aproximam. Creio que ela morrerá rindo, de tal forma ela é alegre!”
A Santa usava seu vasto repertório de jogos de palavras, imitações de pessoas, ditos espirituosos a respeito dela mesma e da incapacidade dos médicos — tudo para praticar a caridade fraterna.
Sua alegria nada tinha de inautêntico, de forjado. A Irmã Teresinha detestava o fingimento! No entanto, ela se encontrava num tal extremo de padecimentos que chegou a dizer: “Nunca eu teria acreditado que fosse possível sofrer tanto. Nunca! Nunca! Não posso explicar isto, exceto pelos desejos ardentes que eu tive de salvar almas”. E em outra ocasião: “Que seria de mim se Deus não me desse forças? Não se tem idéia do que é sofrer tanto assim. Se eu não tivesse a Fé, eu teria me dado a morte sem hesitar um só instante...”
Donde lhe vinha, pois, tanta força e alegria? Da total aceitação da vontade de Deus — “o Papai bom Deus”, dizia ela graciosamente.
                                                       * * *
Santa Teresinha tinha um grande medo: o de desagradar, no mínimo que fosse, seu bem-amado Jesus. Quanto ao resto, nada temia, muito menos a morte. Fazendo alusão ao ensinamento do Evangelho: “a morte vem como um ladrão”, gracejava ela de forma encantadora: “Diz-se no Evangelho que a morte virá como um ladrão. Oh! ele virá roubar-me muito gentilmente. Como eu gostaria de ajudar este ladrão!”
E mais: “Não tenho medo do ladrão. Eu o vejo à distância e tomo muito cuidado para não gritar: ‘Socorro, ladrão!’ Pelo contrário, eu o chamo dizendo: ‘Por aqui, por aqui!’”
Como explicar uma tal serenidade diante da morte iminente, mais ainda, uma tal vontade de que ela se apresse? Muito fácil. Pela confiança inabalável no amor misericordioso de Jesus, e pelo ardente desejo de perder-se nesse Amor o mais cedo possível.
O amor à bondade e à misericórdia
Santa Teresinha foi escolhida por Deus para ensinar um caminho de santificação a ser trilhado pelas almas fracas — a “pequena via”, a via da Confiança por excelência.
Escreveu ela nos Manuscritos: “Sempre desejei ser uma santa (...) O bom Deus não inspira desejos irrealizáveis, eu posso, portanto, aspirar à santidade apesar de minha pequenez. Tornar-me grande, é impossível. Devo, pois, suportar-me tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via, bem reta, bem curta (...) Eu quereria encontrar um elevador para subir até Jesus, porque sou pequena demais para escalar a áspera escada da perfeição. (...) Ah! o elevador que me fará subir ao Céu são vossos próprios braços, ó meu Jesus!”
Essa grande Santa manteve intacta sua Inocência batismal, nunca manchou sua alma por um único pecado grave sequer. É por este motivo que ela demonstrava tal confiança na bondade do Divino Salvador?
Nem de longe! Nas últimas frases dos Manuscritos, podemos ler esta confortadora mensagem, a qual não deixa a menor dúvida de que a via da confiança está aberta inteiramente até para os maiores pecadores:
“... mas, sobretudo, imito a conduta de Maria Madalena. Sua admirável, ou melhor, sua amorosa audácia encanta o Coração de Jesus, e seduz o meu. Sim, eu o sinto: mesmo se me pesassem na consciência todos os pecados possíveis de cometer, eu iria, com o coração partido de arrependimento, jogar-me nos braços de Jesus, pois sei quanto Ele ama o filho pródigo que vem Lhe pedir perdão. Não é porque o bom Deus, em sua previdente misericórdia, preservou minha alma do pecado mortal que eu me elevo a Ele pela confiança e pelo amor.”
E já nos últimos dias de sua vida terrena, exclama:
“Oh! como sou feliz por me ver imperfeita e por ter tanta necessidade da misericórdia do bom Deus no momento da morte!”
Deixar-se carregar por Jesus, por Maria Santíssima, no caminho da santidade... Sentir-se feliz por ser fraco e ter necessidade da misericórdia e da bondade de Deus... Eis o caminho curto e seguro indicado por Santa Teresinha — Doutora da Igreja, note-se! — para os católicos de nossos dias, homens e mulheres, de todas as idades e condições sociais.
Ninguém tem pretexto para não desejar a santidade
O preceito do Divino Mestre, “sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”, é dirigido à humanidade inteira. O que para qualquer ser humano é impossível, Ele tornou possível até para os mais débeis, pelos méritos infinitos de sua Paixão e Morte na Cruz. As miríades de Santos do Céu dão testemunho dessa verdade consoladora.
Santa Teresinha, porém, vai mais longe. Além de nos ensinar pela doutrina e pelo exemplo, ela se põe à nossa disposição, como se pode ver nas palavras ditas a suas irmãs de Vocação no dia 17 de julho, menos de três meses antes de subir ao Céu:
“Sobretudo, sinto que minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo, de comunicar às almas minha “pequena via”. Se o Bom Deus realiza meus desejos, meu Céu se passará sobre a terra até o fim do mundo. Sim, quero passar meu Céu fazendo bem à terra.”

“... minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo”. — Então, que ela cumpra em cada um de nós, leitor, sua sublime lição! Peçamos esta graça com toda confiança. 

Revista Arautos do Evangelho n.33 set. 2004