Há certas almas que
se Deus, em sua misericórdia, não as chamasse para junto de Si quando ainda em
tenra idade, se extraviariam como ovelhas desgarradas, expondo-se a serem
devoradas pelos lobos ferozes da perdição e do mal. Cabe perguntar-se, por
exemplo, o que teria acontecido com os Santos Inocentes se Deus não os tivesse
levado quando ainda nem tinham possibilidade de manchar sua alma com o pecado?
Quem pode garantir que muitos deles, tornando-se adultos, não estariam bradando
no Pretório de Pilatos: “Crucifica-O!”? Entretanto, todos fazem parte do coro
dos mártires e cantam eternamente nos Céus a glória de Deus, junto com Santo
Inácio de Antioquia, Santo Estêvão, Santa Inês e todas as almas
bem-aventuradas.
Mas deixemos para
trás as maravilhas da Igreja nascente e voltemos nossos olhos para uma menina
do século passado, à qual Deus deu uma vocação bem diversa da maioria das
crianças: compreender e amar, sendo ainda muito pequena, o valor expiatório do
sofrimento.
