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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Santa Luzia

Santa Luzia, não querendo abandonar a fé verdadeira, nem macular sua virgindade, enfrentou seus perseguidores, para assim testemunhar com o martírio o que disse: "Tenho o meu patrimônio em lugar seguro. Jamais privei com corruptores, nem de alma, nem de corpo".

(Pe. René François Rohrbacher, Vida dos Santos)

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Carmelitas de Compiègne

Em 17 de julho comemora-se o martírio das 16 carmelitas de Compiègne1, guilhotinadas nesse dia, em 1794. Com frequência, a Igreja celebra a festa dos mártires no dia de sua morte, porque foi o mais glorioso dia de suas vidas, e também porque nasceram para a vida eterna.
Firmeza heroica diante do tribunal revolucionário
A respeito de uma delas, Irmã Marie Henriette de la Providence, que contava com 34 anos por ocasião do martírio, escreveu a Irmã Marie de Encarnation, biógrafa das santas mártires:
Quando as religiosas entraram no tribunal, Irmã Henriette distinguiu-se sem pretensão por uma atitude de firmeza verdadeiramente heroica; tendo ouvido o acusador público tratá-las de fanáticas, interpelou-o deliberadamente:
“Queira, cidadão, dizer-nos: o que entende por essa palavra ‘fanática’?”
O juiz, irritado, respondeu-lhe com uma torrente de injúrias que vomitou contra ela e suas companheiras.
Nossa Santa, nem um pouco desconcertada, disse-lhe com um tom de dignidade e firmeza:
— Cidadão, vosso dever é honrar o direito a uma pergunta de uma condenada. Eu vos peço, portanto, que nos responda e nos diga o que entendeis pela palavra “fanática”.
— Eu entendo — respondeu Fouquier-Tinville — o vosso apego por vossas tolas práticas de religião.
Irmã Henriette, depois de haver agradecido, voltou-se para a Madre Priora e disse:
“Minha querida Madre, minhas irmãs, vós acabais de ouvir o acusador declarar que é por nosso apego a nossa santa Religião que vamos ser mortas. Todas nós desejávamos esse testemunho e nós o veneramos. Graças imortais sejam dadas Aquele que, em primeiro lugai nos abriu o caminho do Calvário. Oh! que felicidade morrer por nosso Deus!”
Segundo outra versão, Fouquier-Tinville teria respondido:
— Pelo que quereis conhecer saibais que é por vosso apego à vossa religião e ao rei.
Ao que Irmã Hentiette teria dito:
— Agradeço, cidadão, essa feliz explicação.
E, voltando-separa as companheiras, teria declarado:
“Minha querida Madre, minhas irmãs, exultemos e regozijemo-nos na alegria do Senhor porque morremos por causa de nossa santa Religião, nossa Fé, nossa confiança na Santa Igreja Católica Romana.”
Irmã Henriette foi a última a morrer antes da Priora, e até o fim exortou suas companheiras à coragem.
Quando uma pessoa caridosa ofereceu água a uma das religiosas, como esta ia aceitar Irmã Henriette impediu-a, dizendo: “No Céu, no Céu, minha irmã, nós tomaremos longos tragos.”
Caracterizado o martírio
Para que ficasse constando, ad perpetuam rei me moriam2, serem elas mártires, era preciso que o acusador público declarasse o motivo da condenação.
Ficava, assim, caracterizado o martírio. Isso foi um consolo na resistência delas. Eis a razão da pergunta, à qual se seguiu a resposta. De fato, elas eram mártires porque estavam sendo condenadas por causa da Igreja Católica.
Como vimos, há duas versões desse fato. Uma diz que Fouquier-Tinville não teria falado do rei, mas somente de religião. A outra afirma que ele declarou estarem elas morrendo por causa do rei também. Esta segunda versão parece-me muito mais provável porque, uma vez que ele matava todo mundo por causa da fidelidade a Deus e ao rei, o normal é que ele tenha se referido também ao monarca.
Mas o essencial era Deus, Nosso Senhor. E quando souberam disso, todas se alegraram, e a Irmã Henriette acompanhou-as até à morte.
Depois, veio o belo episódio do copo d’água. Por certo, era uma religiosa que estava com muita sede, abalada, naturalmente, do ponto de vista emocional, pelo trauma de quem está se sentindo às portas da morte, e uma morte trágica, violenta. Essa religiosa quis aceitar um copo d’água que alguém lhe oferecia.
A Irmã Henriette pensou: “Esse pequeno sacrifício vai ser uma pérola a mais para a glória de Deus. Para que beber água? Para que ter esse pequeno consolo na hora em que se pode oferecer mais um pouco de sacrifício?”
Então ela teve essa expressão magnífica: “No Céu, no Céu, minha irmã, nós beberemos grandes tragos.”
É claro, porque ali estão as fontes de água viva, Nosso Senhor Jesus Cristo, a contemplação de Deus face a face e, portanto, a felicidade perpétua.
A outra religiosa atendeu e, ao receber a coroa do martírio, tinha uma estrela a mais nessa coroa, por toda a eternidade, por causa desse pequeno sacrifício.
Diversidade das escolas de vida espiritual
Podemos estabelecer um contraste entre essa narração da Irmã Marie de Encarnation e aquela famosa figura da peça teatral 3 de Bernanos, Irmã Blanche de la Force, carmelita que, pelo simples fato de ou vir falar da morte, ficava apavorada, e, dominada por uma espécie de complexo, acabou fugindo do convento. Ao saber que suas irmãs do Carmelo estavam indo para o patíbulo, quis assistir à execução.
Quando as últimas religiosas, que subiam ao cadafalso entoando o Veni Creator Spiritus, se encaminhavam à guilhotina, a Irmã Blanche saiu do meio da multidão e, cantando também, entrou na fila, galgou o patíbulo e morreu.
Outra comparação caberia também entre esta personagem e sua Superiora, que representava uma escola espiritual oposta à psicologia da Irmã Blanche.
La Force é o nome da familia francesa dos Duques de la Force, e significa “a força”. Ela chamava-se, portanto, Branca da Força. Ora, essa Blanche de la Force, segundo o “Diálogo das Carmelitas”, era uma pessoa com uma espécie de psicose de medo, possuindo verdadeiro pavor de morrer.
A Superiora, ao contrário, era como a mulher forte da Escritura: coerente, varonil, de grande personalidade, dessas que veem aproximar-se a morte de longe, e que vão de encontro a ela, passo a passo, em holocausto. E, no momento da dor e da imolação, cumprem um ato de vontade ponderado e maturado antes, profundamente, durante anos inteiros. Portanto, o esplendor da coerência e da grande escola clássica de vida espiritual.
Essa Superiora poderia morrer tendo nos lábios aquelas palavras de São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a Fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça que me dará o Senhor, justo Juiz...”4
Em contraposição a ela está a Irmã Blanche de la Force: fraca, frágil, suscetível a pânicos, muito desejosa de ser fiel, mas tendo até a miséria de, por psicose, fugir do convento para escapar da guilhotina. Mas, depois — triunfo da fidelidade dos fracos —, subindo ao cadafalso, na última hora, e deixando-se matar juntamente com as outras.
A oposição das duas escolas insinuã a possibilidade — que existe mesmo — de uma alma ter essa estrutura e, entretanto, ser muito bem intencionada e fiel.
O perigo está no fato de isso poder ser legitimo, mas ao mesmo tempo muito parecido com o contrário da virtude, com a covardia, a incongruência. E, por essa razão, a divulgação de uma coisa dessas, muito legítima, tanto pode fazer muito bem, em alguns casos, como muito mal em outros, pois de um lado contribui para animar as pessoas fracas chamadas a uma grande santidade, mas pode também servir de pretexto à fraqueza de almas sem generosidade. .
O caso dessas carmelitas de Compiègne é bem o contrário disso.
Pulcritudes da Santa Igreja
Li o parecer de um Delegado Apostólico que esteve com elas, alguns anos antes da Revolução Francesa, e que dizia ter feito uma visita longa, pormenorizada, severa, e as achou, em tudo e por tudo, de tal maneira perfeitas que ele nem sequer sabia como lhes aconselhar para melhorarem.
Não se pode fazer um elogio mais magnífico do que este. Percebe-se que a visita, para ele, redundou em embaraçosa porque, provavelmente, elas diziam: “Padre, nós estamos descontentes conosco, queremos melhorar, indique-nos novas virtudes!” E elas estavam num tal ápice, que ele não sabia o que lhes aconselhar para terem uma virtude ainda maior.
Então elas foram colhidas como fruto maduro, quer dizer, a virtude nelas tinha alcançado seu apogeu, quando chegou a Revolução, a qual foi de encontro a elas, o que significava também a morte. Mas com a morte, era o Esposo que vinha de encontro às virgens. E elas eram as virgens fiéis, cujas lâmpadas se encontravam repletas de azeite, e cujas chamas cintilavam com o maior brilho. De maneira que, chegando o Esposo, realmente elas estavam prontas para o martírio.
Foi lindíssima a morte dessas religiosas! Todas elas, antes de subirem ao patíbulo, passavam diante da Superiora e pediam licença para morrer; a Superiora concedia, dava-lhes a bênção, e elas iam para a guilhotina. Saíam, assim, diretamente das mãos do carrasco para as mãos imaculadas de Nossa Senhora.
Essas coisas são de uma beleza angélica, supraterrena!
É uma trajetória em linha reta, toda feita de força, de coerência, que consola, anima e estimula a quem, como em nossa época, é obrigado aos zigue-zagues das incoerências, das exceções, dos conformes.
Ali, não! É como o voo da águia; não tem incoerências nem transigencias. Vai direto da torre ao mais alto rochedo, olhando para o Sol numa linha reta que verdadeiramente nos entusiasma!
O que devemos deduzir disso?
Há almas fracas a quem esses exemplos enregelam e paralisam. Entretanto, não os recordo para causar-lhes terror, mas a fim de que compreendam e amem todas as vias dentro da Igreja Católica. Há moradas para todos; e cada um deve amar sua morada e também as moradas dos outros. Porque é o conjunto dessas moradas que constitui, na Terra, a Igreja militante, e no Céu formará a Igreja triunfante.
E reconheçamos que a morada dessas carmelitas é esplêndida, um verdadeiro palácio. E o palácio da coerência, da previsão e do grande estilo da vida espiritual.
São as vias diferentes da Providência Divina para as almas, e as várias maravilhas que Deus opera nas pessoas que Ele escolhe. A algumas, por exemplo, Ele chama por meio desse ato da Irmã Henriette, que é o contrário da Irmã Blanche de la Force. Vê a morte de longe, encara-a, enfrenta com alegria o acusador, fá-lo declarar o martírio para todas, ajuda-as a aceitar a morte, e só não morre depois da Priora porque a ordem hierárquica pedia que esta morresse por último.
É um caminho de Deus, um modo de guiar as almas e de modelá-las. Mas Ele é infinitamente belo na unidade e na variedade desse caminho. Exatamente por serem os santos tão diversos e haver escolas espirituais distintas dentro da Santa Igreja Católica, cada uma delas refletindo uma beleza de Deus, compreendemos algo da pulcritude da Igreja.
Assim, temos uma ideia do que pode ser a beleza no Céu, onde não só vemos Deus face a face, mas O contemplamos pela formosura incomensurável de cada uma das almas que ali se encontram; cada Anjo, cada Santo e, sobretudo, Aquela que compendia em Si e supera indizivelmente a beleza espiritual de todos os Anjos e todos os Santos: Maria Santíssima.
Plinio Correa de Oliveira – Extraído de conferências de 23/6/1965, 23/7/1969 e 1 /8/1972)
1) Cidade próxima a Paris.
2) Do latim: para a perpétua memória do fato.
3) “Diálogo das Carmelitas” (título Original: Dialogue des Carmelites), de Georges Bernanos (* 1888 - t1948).

4) 2Tm 4, 7-8.

terça-feira, 20 de março de 2012

ATÉ A MORTE, SE NECESSÁRIO FOR!

A Fé move as montanhas, diz o Salvador, e chega a vencer, com heroísmo, o próprio instinto de conservação. Conheçamos neste artigo um dos mais belos aspectos da história da Igreja.
Roma, sedenta e desenfreada, acorria mais uma vez para embriagar-se com o sangue dos mártires.
O Coliseu, a majestosa mole de pedra construída por Vespasiano, abria seus pórticos para a turba que subia precipitadamente pelas largas escadarias e se acotovelava nas arquibancadas de mármore.
Quase cinqüenta mil espectadores aguardavam impacientes o momento de serem lançados às feras os cristãos.
Subitamente, a multidão emudeceu, e durante alguns instantes reinou um silêncio impressionante: um homem havia sido introduzido na arena e avançava lenta e gravemente em direção ao seu ponto mais central. Logo, porém, ressoou no majestoso edifício um alarido frenético, seguido de uma ensurdecedora salva de palmas. Do fundo das cavernas onde estavam encerradas, as feras responderam com um longo rugido à explosão daquela alegria sangüinária. O mártir, porém, continuava impassível e aguardava com sobrenatural calma o momento supremo.
Ouviu-se um curto toque de trombeta e abriu-se a porta de um dos porões, da qual saltou na arena um enorme leão africano. Faminta por um prolongado jejum e atiçada pelos clamores da multidão, a fera deu uma volta inteira ao circo, agitando nervosamente a cauda, antes de perceber a vítima, que permanecia imóvel no centro da arena, absorta numa oração que só terminaria na eternidade...
Instantes depois, uma poça de sangue e os restos de um corpo destroçado, proclamavam a invencibilidade da verdadeira Fé, cujo Divino Fundador havia ensinado: “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois nada mais podem fazer” (Lc 12, 4).
Quantas vezes esta cena gloriosa e terrível repetiu-se durante os primeiros séculos da Santa Igreja Católica? Foi do Sacrifício do próprio Deus encarnado que Ela havia nascido, e era o sangue dos seus fiéis que faria germinar em todo o orbe as sementes de novos cristãos.
Quantas vezes também, com variantes próprias ao tempo e aos lugares, esta cena repetiu-se ao longo de sua existência duas vezes milenar? Só Deus sabe! Mas é um fato incontestável que em nenhum momento da história da Igreja, deixou de haver homens e mulheres que selaram seu testemunho de fé com o derramamento do próprio sangue: os mártires.
Supremo testemunho de Fé
Mártir: eis uma palavra cuja sonoridade desperta na alma de todo católico um surto de entusiasmo e veneração.
Mártir significa, em grego, testemunha. “O martírio é o supremo testemunho prestado à verdade da Fé; designa um testemunho que vai até a morte” (CIC, 2473).
“Vós sereis minhas testemunhas até as extremidades da terra” (At 1, 8), havia dito o Mestre a seus discípulos. E estes proclamaram, quando foram chamados a juízo pelo Sinédrio, por causa de Cristo: “Nós somos testemunhas”! (At 5, 32).
Este testemunho levado até as últimas conseqüências, acendeu nos primeiros séculos da Igreja um entusiasmo até então desconhecido, e fez um incontável número de católicos, como Santo Antônio Maria Claret, exclamar: “Oxalá pudesse eu, com o sangue de minhas veias, selar as verdades que proclamo!” 1.
Não há maior amor
Inácio, o santo bispo de Antioquia, foi condenado, sob o imperador Trajano, a ser lançado às feras por professar a Fé de Jesus Cristo. Sacerdotes e fiéis multiplicavam seus esforços para livrá-lo do suplício. Porém, ele rogava: “Deixai-me fazer o meu sacrifício, enquanto o altar está preparado! Nem as chamas, nem a cruz, nem os dentes dos leões me causam medo. É por meio deles que chegarei até Deus”. No meio do anfiteatro, exclamou antes de ser devorado pelas feras: “Eu sou o trigo de Cristo e desejo ser moído pelos dentes dos leões para tornar-me um pão agradável a meu Senhor Jesus!”
O que levou Santo Inácio e milhões de outros cristãos a enfrentar a morte para não renegar a verdadeira Fé?
Explica São Tomás de Aquino que, no martírio, o cristão é movido por uma ardente caridade 2. E afirma o teólogo dominicano Pe. Lumbreras, comentando a Suma Teológica, que o mártir “demonstra que ama a Deus sobre todas as coisas”, pois “despreza a vida na defesa da Fé e dos ensinamentos de Jesus Cristo” 3.
Diante de Pilatos, Jesus havia respondido: “Vim ao mundo para dar testemunho da Verdade” (Jo 18, 37); e “obediente ao Pai Celeste até a morte” (Fil 2, 8), o Filho Unigênito levou seu testemunho até derramar, no alto do Calvário, a última gota de seu Sangue divino.
Considerando que a própria vida é o bem mais prezado pelo homem, São Tomás conclui que “o martírio é, entre os atos humanos, o mais perfeito em seu gênero, como sinal de maior caridade, pois segundo São João (15, 13), não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos” 4.
Ato de fortaleza
Que espanto para os incrédulos, contemplar ao longo da História este exército interminável de católicos que caminham para o martírio como quem vai a um banquete, e “enfrentam a morte num ato de fortaleza”! (CIC, 2473).
Esta virtude heróica da fortaleza que, por amor a Deus, leva o cristão a enfrentar a morte com o desdém e a sobranceria de quem tem a certeza do Céu, fez Santo Agostinho exclamar admirado: “Oh bem-aventurados mártires! Oh soldados fortíssimos! Com que elogios explicarei a fortaleza de vossos corpos?” 6
É unicamente graças ao Espírito de Fortaleza prometido pelo Salvador (cfr. Jo 15, 26-27) que uma indefesa donzela como Santa Inês ou um menino inocente como São Tarcísio foram “fortes na guerra” (Hb 11, 34) e manifestaram uma tão grande intrepidez que espantou até os próprios perseguidores da Fé.
A glória
Recompensa “demasiadamente grande” (Gen 15, 1) a que recebem estes heróis da Fé! Explica o Pe. Lumbreras que “o martírio confere a graça santificante, apaga os pecados e perdoa a pena — inclusive a temporal — a estes devida; o mártir sobe diretamente ao Céu, sem passar pelo Purgatório (...). Recebe, finalmente, um prêmio acidental, (...) a aureola dos mártires” 7.
Por isso, canta a Igreja noTe Deum: “O exército dos mártires canta os vossos louvores”. Sim, é o exército invencível daqueles que “lavaram seus vestidos e os embranqueceram no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14); são os escolhidos por Jesus para lutarem e vencerem com Ele (cfr. Ap 17, 14) e que depois, pelos séculos dos séculos, estarão junto ao trono de Deus, abrigados sob seu Tabernáculo (cfr. Ap 7, 15).
O martírio hoje e sempre
Em recente documento, o Santo Padre assim proclamou a perene atualidade do testemunho de Fé levado até as últimas conseqüências:
“O fiel que tenha considerado seriamente sua vocação cristã, dentro da qual o martírio aparece como uma possibilidade prenunciada na Revelação, não pode excluir esta perspectiva do horizonte da própria vida. Estes dois mil anos depois do nascimento de Cristo estão marcados pelo persistente testemunho dos mártires (...). À admiração pelo seu martírio associe-se, no coração dos fiéis, o desejo de poderem, com a graça de Deus, seguir o seu exemplo caso o exijam as circunstâncias” 8.
* * *
“Tende confiança, Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33) havia proclamado o Redentor a seus apóstolos na véspera de sua Paixão. Este brado divino ecoará sempre vivo através dos séculos como o cântico de vitória da Santa Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo. A Igreja, pura e imaculada, não cessa de estender o Reino de Deus, crescendo sempre em santidade e glória, a despeito de todas as tormentas e perseguições que Satanás possa levantar contra Ela. E nós, católicos do século XXI, participamos da invencibilidade da Igreja na medida em que sejamos membros vivos d’Ela, unidos à Rocha inabalável contra a qual o inferno nunca prevalecerá. E pela mediação da Virgem Santíssima, a Rainha dos mártires, certos estamos de receber a fortaleza do Espírito Santo que “ajuda a nossa fraqueza” (Rom 8, 26) para levar nosso testemunho de Fé até a morte se preciso for.
1) J. M. Gil, Epistolário Claretiano, I.
2) Cfr. Suma Teológica, 2-2,q 124, a2, ad2
3) Introd. q 124, in Suma Teológica, vol. IX, BAC.
4) Suma Teológica, 2-2,q 124, a3,c
5) Suma Teológica, 2-2, q.124 a2,c
6) Ep. 8 ML: 4, 252
7) Suma Teológica, vol IX, apêndice ao tratado da fortaleza, 3. BAC
8) Incarnationis mysterium, 13.