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domingo, 2 de agosto de 2015

Santa Gertrudes de Helfta


Silêncio, oração, estudo, exímia prática da Liturgia... Eis algumas das principais características do estado monástico, abraçado por inúmeras almas de escol ao longo dos tempos. Uma vida de completa renúncia às glórias mundanas que, paradoxalmente, tornou os mosteiros eficacíssimo esteio da cultura e da Fé, em tantas épocas da História. Sempre foram eles — afirma um conhecido historiador — “focos de luz, de calor religioso, de vida litúrgica, que não só mantiveram acesa a fé e o fervor religioso nos povos cristãos, mas também evangelizaram e civilizaram nações inteiras, conquistadas para a Igreja de Roma”.1
No século XIII a vida social e religiosa da Europa era iluminada pela Ordem de Cister, cujas abadias irradiavam o “ora et labora” beneditino, renovado pela santidade, força da personalidade e eloquência arrebatadora de São Bernardo.
Em Helfta, no centro da atual Alemanha, florescia um desses mosteiros beneditinos do ramo feminino, o qual, tendo adotado usos e costumes cistercienses, tornou-se palco de grandes manifestações místicas. Nessa época, ali reluziram os primeiros albores da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e conviveram três grandes Santas que marcaram a história do monaquismo: Santa Matilde de Magdeburgo, Santa Matilde de Hackeborn e Santa Gertrudes Magna, “uma das místicas mais famosas, única mulher da Alemanha que recebeu o apelativo ‘Grande’, pela estatura cultural e evangélica”.2
Alma eleita posta em vergel perfumado
Quase nada se conhece da primeira infância de Santa Gertrudes, nem mesmo quem seriam seus pais ou onde teria nascido. Supõe-se haver sido em Eisleben, na Alta Saxônia. O que se sabe ao certo é que ela veio à luz na festa da Epifania, em 6 de janeiro de 1256, e bem pequena ingressou no Mosteiro de Santa Maria de Helfta, onde foi acolhida na escola claustral, recebendo elevada formação intelectual e religiosa.