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quinta-feira, 31 de março de 2016

Santo Efrém

Século IV: o Cristianismo emerge das catacumbas, Santos ilustres marcam a História; contudo, também irrompem heresias com força e dinamismo no Oriente, na vã tentativa de cobrir a Santa Igreja com sua tenebrosa sombra. Foi nessa quadra histórica que nasceu em Nísibe, nas combativas fronteiras do Império Romano, uma luz destinada a brilhar com especial fulgor no firmamento da Igreja: Efrém, o Sírio, diácono e Doutor da Igreja.
Discípulo de um Bispo e Santo
Poucos dados seguros temos acerca de sua infância. De acordo com alguns dos seus biógrafos, sua mãe era cristã, mas o pai, sacerdote pagão, proibiu-lhe educar o filho segundo as Leis do Evangelho. Não conseguindo ele, porém, evitar que florescesse na alma do menino uma profunda inclinação para o Cristianismo, expulsou-o de casa.
Efrém acorreu então ao Bispo, São Tiago, que o acolheu como a um filho: deu-lhe profunda formação catequética e ministrou-lhe o santo Batismo. Notando, com alegria, quanto o rapaz se sobressaía por sua inteligência e sabedoria, concedeu-lhe, aos 18 anos, a ordenação diaconal.
Pouco depois, entre maio e junho de 325, teve lugar o I Concílio de Niceia, marco histórico na luta contra as insidiosas doutrinas de Ário. Sabe-se que São Tiago participou dele e se crê que o jovem diácono também compareceu como secretário do santo Bispo.
Encerrada a assembleia, Efrém passou a dar aulas na escola teológica aberta em Nísibe, como meio de combater as heresias que proliferavam por aquelas ruas e praças. Dedicou-se então de alma e corpo a esta tarefa e, em pouco tempo, conseguiu elevar a um alto grau o nível de formação de seus alunos. Com grande perspicácia e sabedoria, travou uma batalha sem tréguas na defesa da verdadeira Fé, cujo resultado não se fez esperar: muitas almas retornaram ao caminho da salvação.
Os três assédios de Nísibe
Enquanto crescia a fama de santidade de Efrém, bem como a admiração dos seus concidadãos, Sapor II, rei persa e inimigo da Cruz de Cristo, ansiava por conquistar a cidade das mãos dos romanos. Por três vezes tentou assediá-la e nas três vezes foi repelido pelos cristãos.
Foi por esta época que Efrém compôs as conhecidas Carmina Nisibena - Canções de Nísibe -, nas quais "canta em termos e figuras bíblicas as gestas e peripécias ocorridas na cidade de Nísibe para defender sua Fé Católica e não cair sob o domínio dos pagãos da Pérsia".
Conta-se que, durante um desses assédios, a população viu o diácono Efrém subir nas muralhas da cidade e traçar com determinação um grande sinal da Cruz, com o qual amaldiçoava as tropas do rei invasor. Em seguida, como que guiadas por uma mão invisível, nuvens de moscas e outros insetos se abateram sobre o exército inimigo. Entraram eles nas trombas dos elefantes, nas orelhas e narinas dos cavalos de guerra e bestas de carga, e provocaram um alvoroço tal que determinou a retirada das tropas.
Entretanto, o que os arrogantes esforços militares dos persas não conseguiram obter, foi-lhes entregue sem esforço, alguns anos mais tarde, pelo imperador Joviano, como parte do preço de um tratado de paz... Forçados a escolher entre o exílio, a escravidão ou a morte nas mãos dos pagãos, os cristãos viram-se obrigados a retirar-se de sua terra.
Teologia e poesia se encontram