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terça-feira, 26 de maio de 2015

Santa Josefina Bakhita


Desde as mais remotas épocas, a escravidão era praticada entre os povos antigos, afundados na barbárie e no paganismo após o desastre da Torre de Babel. Se uma nação triunfava sobre outra na guerra, os derrotados eram levados para o cativeiro e condenados à humilhante servidão. Até no Império Romano, tão civilizado sob muitos aspectos, os escravos tinham o status jurídico de coisa (res), sobre a qual o direito conferia aos senhores poder de vida ou morte.
A Igreja une a humanidade
Foi a Igreja Católica que, como mãe bondosa, suavizou aos poucos o duro jugo imposto pela crueldade, ao ensinar por todas as partes o “Amai-vos uns aos outros” (Jo 13, 34), o novo mandamento de Jesus, e conduziu as relações humanas a um equilíbrio cristão. Pregando a existência de uma alma racional e imortal, elevada à participação da vida divina pelo Batismo, a doutrina católica alça todos à dignidade a que são chamados.
Longe de abolir as desigualdades decorrentes da missão ou dos dons conferidos pelo Criador a cada alma em particular, a Igreja convida os homens a um relacionamento de mútuo respeito: os inferiores submetendo-se com alegria aos superiores, por verem neles um reflexo do próprio Deus, e estes debruçando-se sobre os primeiros com verdadeiro afeto e proteção.
Já no século I, o grande São Paulo escrevia aos Efésios uma síntese deste estado de espírito: “Servos, obedecei aos vossos senhores temporais, com temor e solicitude, de coração sincero, como a Cristo […]. Senhores, procedei também assim com os servos. Deixai as ameaças. E tende em conta que o Senhor está no Céu, Senhor tanto deles como vosso, que não faz distinção de pessoas” (Ef 6, 5.9).
Almas modelo
Entretanto, dado o orgulho do coração humano, ao longo da História, as admoestações do Apóstolo das Gentes e de tantos outros santos e pregadores, muitas vezes não foram ouvidas, quer pelos grandes, quer pelos pequenos. Daí a tirania por parte de uns e rebeliões por parte de outros, dando origem a guerras e dissensões cuja narração nos faz estremecer de horror.