O
grande Leão da Igreja
O leão
é, dentre todos os animais, aquele que merece o indiscutido título de rei. Sua
imponente presença lhe garante o respeito dos demais e sua força avassaladora,
que nada faz recuar, afiança sua supremacia na savana ou na floresta. Tido
também como o símbolo da lealdade, ele trava com ufania a batalha pela
sobrevivência, lutando sempre de frente. Vemos, assim, como a perfeita
ordenação da natureza consiste em cada criatura cumpra a finalidade para a qual
foi criada.
Tais
características do rei dos animais remetem nosso espírito para realidades mais
elevadas, das quais não é senão um pálido reflexo. Quis Deus nos dar a
conhecer, por meio desta imagem, algo da sua grandeza e poder infinito.
Entretanto, quando a majestade divina se espelha, não mais num ser irracional,
mas numa criatura humana qualificada pela graça, ela adquire alturas
verdadeiramente sublimes e arrebata as almas de modo incomparável.
Assim
sucede ao contemplarmos a figura de um Sucessor de Pedro que reinou em meados
do século V, época crucial da História, cujas vicissitudes, tanto no campo
político quanto no dogmático, contribuíram para realçar ainda mais a
personalidade fulgurante daquele Pontífice e seus dotes de governo e
organização. Seu nome — mantido por ele ao ser elevado ao Sólio Pontifício —
reproduzia em sua pessoa “um dos mais nobres títulos de nosso divino
Ressuscitado”:1 Leão, o grande defensor da Igreja.
Foi o
primeiro Papa a usar esse nome. “Ele o escolheu porque sentia dentro de si um
sopro do Espírito Santo que lhe dava um ímpeto de escolher tudo quanto era
grande. Ele gostava das coisas grandiosas e sabia perfeitamente o que devia
fazer para harmonizar todas as correntes e defender a Igreja da forma mais
extraordinária possível”.2
A estabilidade da Igreja repousa
sobre uma pedra inabalável
