quinta-feira, 23 de março de 2017

São Simão e São Judas Tadeu, Apóstolos

De nenhum dos Apóstolos nos refere o santo Evangelho menos coisas, do que do apóstolo São Simão. É verdade que diz bastante só com assegurar-nos que Nosso Senhor Jesus Cristo o escolheu para que fosse um dos doze apóstolos, ministério, que por si só, significa mais que tudo quanto nos podiam referir os historiadores. São Mateus sempre o chama de Simão, o Cananeu; este apelido vem-lhe da cidade de Caná na província da Galiléia, onde São Simão havia nascido. São Lucas chama-o de Simão, o Zelador (Zelotes).
São Judas Tadeu era irmão de São Tiago Menor, filho de Alfeu e de Maria Cléofas.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Santo Odon

A Idade Média, com suas catedrais, castelos, universidades e outras instituições, causa admiração até entre os não católicos. O espírito dessa época histórica nasceu de Cluny, uma pujante Abadia que teve Santo Odon como primeiro abade. Graças à sabedoria deste grande santo, Cluny pôde influenciar toda a Europa. Vejamos os comentários de Plinio Corrêa de Oliveira.
No dia 18 de novembro comemora-se a festa de Santo Odon. Na “Vida dos Santos”, de Omer Englebert1, encontramos a seguinte síntese biográfica deste santo abade de Cluny:
Graças a Santo Odon, a influência de Cluny espargiu-se por toda a Cristandade
Odon era filho de fidalgos que viviam na Alsácia, os quais atribuíam seu nascimento à intercessão milagrosa de São Martinho. Foi mandado ainda criança para a corte de Fulk, o Bom, Conde de Anjou, e mais tarde passou para a de Guilherme, Duque de Aquitânia. Aos 16 anos foi acometido de dores de cabeça, que só foram curadas quando o jovem ingressou no cabido de São Martinho, em Tours. Dedicou-se durante vários anos ao estudo dos clássicos e dos Santos Padres, seguindo em Paris, em 901, os cursos de Filosofia de Remígio de Auxèrre. Aplicou-se também profundamente ao estudo da Poesia e da Música, as quais cultivou durante toda a vida. Após ter sido cantor do cabido e de ter escrito várias obras, Odon ingressou no mosteiro beneditino de Baume-les-Messieurs, na Borgonha, mudando depois para Cluny, quando da fundação desse mosteiro, onde foi nomeado abade. As escolas que ele criou em Cluny atraíram em breve tudo quanto havia de mais nobre no Ocidente. Era costume dizer-se que um príncipe, no palácio de seu pai, não recebia educação mais apurada que os alunos de Cluny. Graças ao santo abade, a influência da abadia espalhou-se por toda a Cristandade. Os Papas a ele recorriam em suas dificuldades, e os príncipes chamavam-no para reformar os mosteiros em seus estados.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Santo Onésimo, discípulo de São Paulo


Por volta do ano 61 da Era Cristã, encontrava-se preso em Roma o Apóstolo das Gentes. Tinha o corpo agrilhoado, mas a alma livre, e não cessava de evangelizar. Neste período de cárcere, ele escreveu pelo menos quatro de suas epístolas: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filêmon.
 Essas duas últimas foram levadas por Tíquico à cidade de Colossos, situada a cerca de 20 km de Laodiceia, na Ásia Menor (atual Turquia). Além da carta endereçada para toda a comunidade, seguia uma curta mensagem para um cristão particularmente amado pelo Apóstolo: Filêmon.
  Ao se dirigir a Colossos, Tíquico não estava só. Como escreveu o Apóstolo: “Ele vai juntamente com Onésimo, nosso caríssimo e fiel irmão, conterrâneo vosso. Ambos vos informarão de tudo o que aqui se passa” (Col 4, 9).
Filho espiritual do Apóstolo

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

São Vicente Ferrer

Certa ocasião, quando São Vicente Ferrer entrava em Barcelona — uma das maiores e mais ilustres cidades de seu tempo —, fizeram-lhe uma recepção tão extraordinária que de todas as janelas pendiam tapeçarias em sua honra, o povo o aclamava e ele caminhava debaixo de um pálio, cujas varas eram carregadas pelos principais da cidade. Então, alguém lhe perguntou, baixinho, ao ouvido:
— Irmão Vicente, e a vaidade?
— Esvoaça do lado de fora, mas não entra — respondeu ele.
A resposta de um orgulhoso seria: “Nem sinto tentação.”
E um pusilânime diria: “Pobre de mim, estou inundado de vaidade.”
Este Santo deu a resposta certa: Como homem, posso e estou sendo tentado. Porém, a tentação esvoaça do lado de fora, mas, pela graça de Deus, ela não entra.
De fato, neste vale de lágrimas é normal sermos tentados. A tentação tempera a alma. Quem diz “não” para o demônio sai mais forte, mais pertencente a Nossa Senhora. O servo bom e fiel que foi provado e venceu manifesta a sua fidelidade, faz render na luta os seus talentos, colhe louros e os entrega à sua Senhora.
Somos soldados da Igreja Militante e devemos nos entusiasmar com isso.

Plinio Corrêa de Oliveira – Extraído de conferência de 16/1/1970

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

São João Batista


Muito nos falam os Evangelhos da pessoa ascética do Batista, com suas vestes evocativas dos antigos profetas de Israel e sua austeridade de vida. Chegaram os judeus a pensar que estavam diante do Messias esperado.
Entretanto, a história deste varão tão singular, cuja pregação marca o fim do Antigo Testamento e dá início ao Novo, é desconhecida para muitos. Falemos um pouco sobre ela.
Nascimento anunciado por um Anjo
"Nos tempos de Herodes, rei da Judeia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias" (Lc 1, 5). Sua mulher, de estirpe sacerdotal, chamava-se Isabel. Eram ambos de idade avançada e não haviam recebido a principal bênção de todo lar hebreu: uma descendência. Justos e tementes a Deus, aceitavam sem poder consolar-se esta dura prova.
Estando de serviço no Templo, oferecendo o incenso no altar dos perfumes, Zacarias sentia palpitar seu coração na esperança da iminente chegada do Messias quando viu à sua direita um Anjo do Senhor, radiante de glória.
"Não temas, pois tua oração foi ouvida: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João", disse o celeste mensageiro. E acrescentou: "Ele será grande diante do Senhor" e "irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias" (Lc 1, 13.15.17). Entretanto, por ter duvidado da promessa por um instante, ficou mudo.
São Lucas nos transmite a seguir a Anunciação do Anjo à Virgem Maria e a visita desta a Isabel, pondo em contato a Mãe do Messias com a mãe do Precursor. Ao ouvir a saudação de Maria, Isabel sentiu o nascituro "saltar de alegria" em seu seio (cf. Lc 1, 26-45). O Precursor reconhecera o Messias e começou logo a exercer sua função de arauto.
Ao nascimento seguia-se a circuncisão, o rito de admissão do filho varão no povo de Deus. A esta se associava a imposição do nome, a qual era uma como que inscrição do recém-nascido no catálogo dos filhos de Israel. Os parentes e vizinhos queriam dar ao Batista o nome de seu pai, Zacarias, mas Isabel interveio sem vacilar: "Ele se chamará João". Replicaram eles que na família não havia ninguém com este nome. Consultado, Zacarias escreveu numa tabuinha: "João é o seu nome". Logo recuperou a fala, que havia perdido por ter duvidado da palavra do Anjo (cf. Lc 1, 58-63).
Sempre generoso com seus servidores, Deus não só o curou da mudez, mas também o encheu do Espírito Santo e o elevou às alturas do profetismo, colocando em seus lábios o belíssimo cântico do Benedictus: "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo, e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo" (Lc 1, 68-69). Por fim, fixando os olhos no filho, profetizou ­trêmulo de emoção: "E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e Lhe prepararás o caminho" (Lc 1, 76).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Santa Escolástica

Quando Nosso Senhor veio ao mundo, trouxe-nos um mandamento novo: "Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros"(Jo 13,34). Este amor levado às últimas consequências propiciou-nos a Redenção. E um relacionamento humano regrado e bem conduzido deve seguir o exemplo do Divino Mestre. O verdadeiro amor ao próximo é aquele que se nutre por outrem por amor a Deus e que tem o Criador como centro, visando a santidade daqueles que se amam. Já ensinava Santo Agostinho que só existem dois amores: ou se ama a si mesmo até o esquecimento de Deus, ou se ama a Deus até o esquecimento de si mesmo.
Assim foi Santa Escolástica, alma inocente e cheia de amor a Deus, de quem pouco se conhece, mas que, abrindo-se à sua graça, adquiriu excepcional força de alma e logrou chegar à honra dos altares. Sua história está intimamente ligada à aquele que por desígnios da Providência nasceu com ela para a vida, o grande São Bento, seu irmão gêmeo e pai do monacato ocidental, a quem amou com todo o seu coração.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Santa Juliana Falconieri


Pressa é uma palavra que a cada dia está mais presente na vida de todos. Quanto mais se acelera o ritmo de vida, menos se tem tempo para fazer as coisas. Ver pessoas apressadas é o comum em nosso cotidiano. Tem-se pressa para chegar ao trabalho, pressa para retornar a casa, pressa para não faltar a um compromisso, pressa, pressa, pressa… Sem dúvida, sempre atrás dos interesses pessoais!
Pressa é o que se encontra também na vida de uma dama oriunda de ilustre família da república florentina: Juliana Falconieri. No entanto, desta vez, os interesses são outros…
Uma nobre e piedosa família de Florença
Naqueles idos anos do século XIII, Florença tornara-se uma das maiores maravilhas da Itália, pela beleza de sua arquitetura, o rico comércio nela desenvolvido e o valor dos tecidos, pinturas e demais obras de arte ali produzidas.
Tais maravilhas, porém, não conseguiam satisfazer os anseios de sete prósperos comerciantes da cidade, que buscavam um tesouro muito mais precioso. Para obtê-lo, decidiram dedicar-se ao serviço da mais alta das soberanas: Maria Santíssima. E tanto os uniu e elevou este sublime exercício que, deixando na penumbra seus respectivos nomes de família, passaram eles para a História como os Sete Santos Fundadores da Ordem dos Servos de Maria, os servitas.
Caríssimo Falconieri, pai de Juliana, conhecia-os de perto, pois um deles era seu irmão Aleixo. Abastado e bem-sucedido, aquele não era indiferente à exemplar piedade deste. Passou Caríssimo por um estado de conversão e teve escrúpulos de haver sido desonesto em algum de seus negócios, pelo que, como eventual reparação, deu muitas esmolas. Financiou também a construção de uma igreja em louvor de Nossa Senhora da Anunciação, em cujo interior haveriam de repousar seus restos, sob o epitáfio: “Sepulcro do próvido varão, o senhor Caríssimo de Falconieri, que para remédio de sua alma fez alicerçar, edificar e concluir esta Igreja em louvor de Deus e da Bem-Aventurada e gloriosa Virgem”.
A atitude modelar do aristocrata florentino marcou de forma decisiva outro membro desta abençoada família: a própria filha, que lhe fora concedida pela Providência em 1270, quando ele e sua esposa estavam já em idade avançada.