sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Madre Thérèse-Camille de l’Enfant-Jésus.



Mais importante do que fazer uma imponente obra é edificar pelo exemplo. Eis a lição tirada por Dr. Plinio da conturbada vida da Madre Thérèse-Camille de l’Enfant-Jésus.
A 24 de julho de 1784, recebia o véu no Carmelo Mademoiselle Camille de Soyécourt1, filha da mais alta nobreza da França. Jovem, entretanto, tão franzina e acometida, segundo os médicos, de uma moléstia incurável do coração, que todos julgavam não poder permanecer mais de seis meses no convento. Contudo, ela não somente sobreviveu muitos anos como, sem dúvida, sua personalidade teve destaque notável, embora desconhecido, na preservação do Carmelo de Paris durante a Revolução Francesa.
Familiares guilhotinados

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Santa Gibitrudes



Depois de oferecer a vida por sua superiora, Santa Gibitrudes foi levada ao Juízo, mas Deus mandou-a voltar à Terra devido a faltas veniais que cometera e não expiara. Ele é tão sublimemente intransigente que não quis suportá-la na sua presença enquanto tivesse aqueles defeitos.

A biografia que temos para comentar é de uma Santa da qual nunca ouvira falar. Trata-se de uma monja beneditina do século VII, Santa Gibitrudes. A ficha é tirada do livro Vidas dos Santos, do Padre Rohrbacher1.
Constância ante os primeiros obstáculos
Sobre Santa Gibitrudes, um monge, chamado Jonas, escreveu:
Uma virgem, chamada Gibitrudes, nobre pelo nascimento e pela Religião, converteu-se e deixou o século para ganhar a comunidade (de Eboriacum), e a mãe do mosteiro, Burgondofara, recebeu-a com alegria, como a um gracioso presente, porque ela era sua parenta. Queimava-a um tal ardor, que sempre a graça do Espírito Santo parecia inflamá-la.
Estava ela ainda na casa paterna quando, a conselho do Espírito Santo, decidiu votar-se ao culto da Religião, e rogou ao pai e à mãe que lhe erigissem um oratório onde pudesse ser a serva de seu Criador.
Os pais julgaram-na erradamente: os dois eram nobres da raça franca e não se importavam ainda com a vida que leva ao Reino dos Céus. Pelo contrário, desejavam fruir das honras do século, e por isso queriam da filha uma posteridade, antes que dar penhor do Céu. Todavia, nada conseguiram fazer para demover a jovem do que trazia no espírito: cederam ao seu desejo e lhe construíram uma pequenina capela.
Como a jovem ali ia dia e noite, a astúcia do hábil inimigo propôs-se tomá-la como alvo. E começou, por meio de sua ama, a causar-lhe obstáculos, a impedir que ela fosse ao oratório. A moça, vendo-se atormentada, principiou a procurar a clemência do Criador, a fim de que aquela que lhe impedia de orar e queria roubar-lhe a luz da alma fosse privada da luz exterior.
A bondade divina não se fez esperar! Bem cedo a mulher, atacada de um mal dos olhos, viu-se despojada da luz necessária e o Árbitro clemente redobrou o temor dos pais castigando o pai com febres. Se bem que inflado pela nobreza, pelo exemplo da filha ele aspirava já ao temor divino; pediu à filha que rogasse ao Senhor por si e, se recuperasse a saúde por sua intercessão, seguir-lhe-ia a vontade.
A este pedido da fé, respondeu a saúde por longo tempo diferida; o fogo da febre deixou-o e o pai recuperou a saúde de outrora. A jovem, então, pediu licença para ir à comunidade de Eboriacum.
Ali levou ela a vida religiosa por muitos anos, quando, um dia, Burgondofara foi tomada de febres, levando a crer que os liames da presente vida dela se desligariam.
“Põe em ordem os teus sentimentos!”
Gibitrudes, vendo a mãe do mosteiro perto da última hora, entrou, angustiada, na basílica e pediu ao Senhor, com lágrimas, que se lembrasse da antiga misericórdia, a fim de que não deixasse morrer a mãe, mas que, a ela mesma, recebesse no Céu com as companheiras, e ali não chamasse a mãe senão para as seguir.
Depois das lágrimas, ouviu uma voz vinda do alto que lhe disse:
– Vai, serva de Cristo, o que pediste obtiveste. Ela, de boa saúde, pode ser unida aos bem-aventurados doutra vez, mas tu serás primeiramente desligada dos entraves da carne.
No mesmo instante, foi tomada pela febre e rendeu a alma pouco depois. Já os Anjos a haviam tomado e levavam além do éter; deposta diante do tribunal do eterno Juiz, via bandos de vestes brancas – foi ela mesma que o referiu depois – toda a milícia do Céu de pé diante da glória do eterno Juiz.
Ouviu uma voz partindo do trono que dizia:
– Volta, porque não estás inteiramente desapegada do século. Está escrito: “Dá e te será dado”, e, ademais, vê-se na oração: “Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores”. Tu te lembras dos sentimentos de rancor para com três de tuas irmãs? Não curaste a ferida com o remédio da indulgência. Corrige, pois, as tuas fraquezas, põe em ordem os teus sentimentos, que manchaste com o tédio e com a negligência!
Ó maravilha! Voltando e tomando a vida anterior, ela revelou com tristes gemidos a sentença que recebeu, e confessou as faltas. Chamou as companheiras, pelas quais votara sentimentos de cólera, e pediu perdão para que não incorresse na danação eterna por causa de uma dissimulação.
Novamente saudável, viveu mais seis meses no século; depois, presa da febre, predisse o dia da morte e anunciou a hora em que deixaria o mundo.
A morte foi tão feliz que, na cela, onde o corpo jazia inanimado, acreditava-se sentir exalações de bálsamo. Para nós, que lá estávamos no momento, pareceu-nos um grande milagre.
No trigésimo dia, quando lhe celebrávamos uma Missa, segundo o costume da Igreja, um tal perfume encheu a nave que se diria haver ali todos os eflúvios das essências e dos aromas. A justo título, o Criador fazia brilhar, por seus dons, as almas que lhe foram dedicadas aqui, as que, por seu amor, nada do século quiseram amar.”
O milagre é um prêmio da fé...
A ficha pode parecer tão extraordinária, pelos milagres por ela narrados, que talvez desperte em alguém um sentimento de desconfiança. Não se tratará de uma lenda que teria sido incorporada à História? Será que realmente fatos tão extraordinários se passaram? Tanto mais quanto, se nós acompanharmos a vida dos Santos mais recentes, não notamos milagres dessa ordem. E se não os há, por que os haveria naquele tempo? E neste caso, não estaríamos no nosso direito de duvidar de acontecimentos dessa natureza?
A meu ver, essa seria uma dúvida sem propósito, porque dois dados são indiscutíveis e devem chamar nossa atenção.
O primeiro é: nas épocas de muita fé, Deus Nosso Senhor realiza milagres mais estrondosos do que nos tempos de pouca fé. Dir-se-ia que isso é um paradoxo, pois onde há pouca fé Ele deveria fazer milagres portentosos, e onde já existe muita fé, não haveria necessidade de tais milagres.
Mas o contrário é verdade. O milagre é um prêmio da fé. E quem pede com muita fé pode obter favores tão contrários à ordem normal, que constituam milagres. Exatamente por causa disso, nas épocas de muita fé os milagres excepcionais são mais numerosos.
Na época em que o espírito de dúvida penetra nas almas, e elas começam, a priori, a negar a possibilidade do milagre ou exigir provas muito mais amplas e meticulosas do que seria necessário para reconhecer a existência do milagre; quando as almas não têm apetência do extraterreno, do sobrenatural, do divino e, a fortiori, do metafísico e do sublime, a graça se retrai e a ação de Deus vai se tornado mais escassa, rara e difícil de obter. É um castigo para aqueles que não quiseram crer.
Ora, no século VII nós estávamos numa época de fé, a Igreja vivia os primeiros séculos de reconstrução da sociedade medieval que daria na Cristandade. Nesse tempo era natural que os milagres fossem estupendos. Aquelas pessoas pediam e obtinham coisas que realmente as maravilhavam, mas nem tanto as robusteciam na fé, pois já possuíam a fé vigorosa que fora a causa daquele pedido.
No Santuário de Aparecida do Norte, há um recinto chamado “sala dos milagres”, onde as pessoas depositam objetos em gratidão ou cumprimento de promessas, por graças recebidas, em muitas das quais, se devidamente estudadas, poder-se-ia reconhecer o caráter de milagre. Vendo a fé com que aquele povo vai rezar lá, compreende-se que suas orações sejam atendidas. Suponhamos que aquela fé decaísse muito. O número de graças de que a sala guarda recordação não diminuiria também? Sem dúvida. Porque a oração feita com pouca fé é pouco atendida.
...fruto da pregação da Santa Igreja Católica
Alguém dirá: “Mas então não há saída para um povo que cai no despenhadeiro da falta de fé. É um círculo vicioso: ele se emendaria se soubesse de milagres; por outro lado, ele não conhece os milagres porque estes não vêm ao povo fraco na fé. Então ele está perdido, amarrado na sua própria incredulidade e condenado. ”
Isso não é verdade. A causa ordinária e comum da fé não é o milagre, mas a pregação da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. É a própria existência da Igreja, a apetência que o espírito humano, tocado pela graça, tem de conhecer as verdades que a Esposa de Cristo ensina e de amá-las como elas são. Eis a causa determinante da fé. O milagre é uma causa excepcional da fé. O grande favor de Deus não é de alguém ter crido por causa de um milagre, mas o de acreditar mesmo sem vê-los.
Atesta-o o famoso episódio de São Tomé que, ao lhe ser anunciada a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, teve dúvida. Quando lhe apareceu o Ressuscitado, ele acreditou. Então, o Divino Mestre exigiu que ele pusesse a mão em seu sagrado flanco para, tocando, constatar ser mesmo Ele. E depois fez este comentário: “Tomé, creste porque Me viste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20, 29).
Poder-se-ia objetar: “Mas, Dr. Plinio, então o senhor reduz muito o papel do milagre, o qual deixa de ser uma tão grande graça .”
Não. Em relação aos fracos na fé, o milagre é uma graça por onde Deus arromba, por assim dizer, a alma de alguns especialmente favorecidos e que não quiseram crer. Para estes, o milagre é um grande bem, uma extraordinária dádiva, porém mais felizes eles teriam sido se tivessem crido sem o milagre.
Para os que têm fé, o milagre é de muito valor como uma prova do amor de Nosso Senhor, que rompe seu próprio procedimento normal para atender à súplica de alguém consagrado a Ele, como essa freira, e que Lhe pede um favor.
 Assim, vemos como Santa Gibitrudes, sendo consagrada a Nosso Senhor, pediu e obteve graças esplêndidas, entre as quais, a de ficar cega aquela mulher que a atrapalhava na sua vocação.
Existem situações em que se pode pedir a desgraça dos outros
Alguns, talvez, poderão ficar surpresos: “Como é possível alguém pedir que outrem fique cego?! Compreende-se que se implore para uma pessoa recuperar a vista; mas que fique cega . . . ”
Há casos em que tal oração é perfeitamente legítima, justa. A Santa teve, provavelmente por imponderáveis, conhecimento de uma determinada situação moral, ou recebeu uma comunicação interior, por onde ela ficou vendo que aquela mulher seria absolutamente refratária a qualquer graça. Absolutamente falando, Deus poderia lhe dar graças tão grandes que ela se convertesse. Quiçá aquela mulher tivesse uma alma tão endurecida e merecesse tais castigos que Ele não quisesse conceder-lhe tais graças.
Assim, para a moça restava apenas a seguinte alternativa: ficar gravemente ameaçada de perder a sua vocação ou pedir que a outra se tornasse cega. Ademais, para sua perseguidora era muito melhor ficar cega nesta Terra, mas não causar a perdição de uma alma, do que conservar a vista e comprometer uma vocação. Mas, sobretudo, era muito melhor para a glória de Deus que aquela moça se tornasse uma Santa e que a cega aguentasse depois, com virtude, a sua cegueira.
Há situações, portanto, nas quais se pode pedir o mal dos outros, mas não em qualquer conjuntura. Então, basta uma pessoa estar me atrapalhando, me amolando, prejudicando minha salvação, para eu rogar que ela fique cega? Não é assim. Há todo um conjunto de circunstâncias a serem consideradas. Contudo, existem casos em que se pode pedir a morte, a doença, a desgraça dos outros para que eles não prejudiquem a execução de um desígnio da Providência. Se nos secretos desígnios de Deus não houver outro meio para afastar aquele obstáculo senão a punição daquela pessoa, pedir que ela seja castigada é uma coisa que se pode perfeitamente fazer, com critério.
Para que esse pedido seja bem feito são necessárias duas condições: quem peça faça-o sem nenhum apego pessoal. Logo, não é por raiva, birra, agastamento ou comodismo, mas apenas pelo zelo por sua própria santificação. Em segundo lugar, que por via das dúvidas, na hora de pedir, acentue muito: se esta for a vontade de Deus. Se não houver outro meio de remover do caminho este obstáculo à minha santificação, então rogo que isso se realize. Nessas condições é perfeitamente legítimo pedir.
Severidade e misericórdia não se excluem, mas se completam
Vemos a prova disso no lance final da vida de Santa Gibitrudes. Ela ofereceu sua vida pela superiora e, ao morrer, teve até uma visão esplêndida na qual contemplava a revoada dos Anjos com seus hábitos. Naturalmente, é um símbolo, pois sendo puros espíritos os Anjos não usam hábitos. Levada ao juízo divino, recebeu a comunicação de que havia três freiras de quem ela guardava birra, e ela não podia estar na presença de Deus mantendo com esse defeito.
Vemos nisso um misto da sublime bondade e condescendência do Criador, e sua sublime intransigência. Deus é tão sublimemente intransigente que uma freira para quem Ele fizera milagre tão excelso, não queria, entretanto, suportá-la na sua presença, enquanto ela tivesse aqueles defeitos.
Mas Ele é tão sublimemente misericordioso que praticou este milagre: levou a freira à sua presença e denunciou o pecado que ela, certamente por própria culpa, não via. Mandou-a de volta à Terra para pedir perdão pelo pecado e expiar. Tendo ela expiado e implorado perdão, então levou-a para o Céu. Notem a misericórdia extraordinária d’Ele com ela, ao lado da severidade. E como a severidade e a misericórdia, longe de se excluírem, se completam.
Nós vemos isso na própria alma da Santa. Para Nosso Senhor fazer por ela tudo quanto realizou, é óbvio que é uma grande Santa. Entretanto, tais são as contradições que cabem na pobre alma de uma criatura humana, que esta pode ser elevada em virtudes debaixo de muitos pontos de vista e, portanto, atrair de fato o amor de Deus, mas ter alguns defeitos dos quais ela precisa ser purificada e que a Providência não tolera.
E é neste modo contraditório de ser das criaturas que brilha de uma maneira especial a justaposição da justiça e da misericórdia de Deus. Justo para com um defeito, misericordioso para com o próprio defeito em atenção às altas qualidades, e escolhendo um modo magnífico para curar a freira, no fundo, de uma falta que não era um pecado mortal, pois se o fosse o Criador não faria isso. Não levaria essa alma em estado de pecado mortal para a própria presença d’Ele, para ver os Anjos. Evidentemente eram faltas veniais. Entretanto, naquela alma, sobretudo, Deus não queria tolerar essas faltas. Ele poderia dar graças comuns para ela se arrepender e ir ao Céu sem esse milagre. Mas quis fazê-lo para provar, por essa narração, quanto Ele ama excepcionalmente as almas que O amam excelentemente. E não poderia haver para ela um castigo mais glorioso do que a punição que ela recebeu. Ela poderia chamar-se “a Santa do glorioso castigo”.
Que glória nessa punição! Que estupendo ser amada de tal maneira que, para receber esse castigo, ela é tirada desta vida, colocada na presença de Deus, sua alma é novamente reintegrada a seu corpo, e lhe é restituída a vida, tendo recebido do próprio Deus a lição que precisava receber. Ele poderia mandar um Anjo fazer isso, mas Ele mesmo o realizou. Pode haver maior glória e maior prova de amor? Era castigo, entretanto.
Olhar luminoso para perceber nossos próprios defeitos
Alguém poderia perguntar: “Mas por que Deus fez isso assim? Foi só por essa Santa? ”
Se fosse só por ela já estaria perfeitamente bem feito. Isso se deu no século VII. Nós estamos no século XX, que já vai caminhando para seu fim. Quantos séculos depois, em terras que ninguém imaginava, naquele tempo, que existissem, está-se comentando essa ficha e a sucessão desses fatos! E nós ainda estamos nos extasiando com a maravilha operada por Deus, com esse jogo complexo e de variados aspectos de que estou dando notícia.
Quer dizer, isso foi feito para ficar brilhando na História da Igreja até o fim dos tempos. Quando acabar o mundo e chegar o dia do Juízo Final, é possível que algum daqueles sobre os quais meus olhos estão caindo neste momento, encontre uma Santa que lhe esteja sorrindo de modo particular. E a Santa use como insígnia uma chibata luminosa mais do que muitos sóis, e feita de uma matéria mais preciosa do que o ouro. E a Santa se aproxima de um de nós e diz: “Sabes quem sou? Eu sou Gibitrudes, a Santa do glorioso castigo. Rezei por ti naquela noite em que soubeste do meu castigo e de minha glória. E agora te encontras perto de mim e estamos todos salvos. Olhemos para Nossa Senhora e glorifiquemo-La e, por meio d’Ela, Nosso Senhor Jesus Cristo. ”
E nós, então extasiados com a glória de Santa Gibitrudes, nos lembraremos desta pobre conferência, e daremos glória a ela. E nos sentiremos associados à santa alma dela.
Como é bom, então, encerrarmos esta reunião dizendo: “Santa Gibitrudes, rogai por nós. Dai-nos a graça de não nos acontecer o que ia vos sucedendo, ou seja, ter alguns defeitos que por culpa nossa não vejamos. Se não merecemos um castigo tão glorioso quanto o vosso, é verdade também que nós tivemos, pelo menos, uma ajuda luminosa que foi a vossa. Tínhamos defeitos ocultos, mas o vosso exemplo, séculos depois, nos trouxe à presença de vossa biografia. E foi um convite para, na noite de 26 de outubro de 1976, nós vos pedirmos: Santa Gibitrudes, tornai luminoso nosso olhar no exame de consciência, de maneira a percebermos tudo o que está oculto, e nossas almas compareçam diante de Nossa Senhora límpidas como foi a vossa, na segunda vez em que diante de Deus aparecestes. Santa Gibitrudes, rogai por nós!”
 Plinio Corrêa de Oliveira (Extraído de conferência de 26/10/1976)
1) ROHRBACHER, René François. Vidas dos Santos. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Vol. XIX, p. 42-45.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A Inter-relação entre os Três Arcanjos

São Gabriel, São Rafael e São Miguel, tendo sido líderes contra a Revolução chefiada por Lúcifer, no Céu, ajudam possantemente os contrarrevolucionários na Terra. Plinio Corrêa de Oliveira discorre sobre a inter-relação das missões desses três Arcanjos com vistas ao Reino de Maria.
Poderíamos nos perguntar que relação existe entre as tarefas dos três Arcanjos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael.
Primazia por natureza
Parece que eles constituem uma espécie de circuito fechado, uma totalidade, como que uma trindade.
Como essa “trindade” se prende ao conjunto do mundo angélico? Por exemplo, são eles Serafins? Tanto mais que para calcular as missões e as importâncias deles, entram duas ordens de valores distintas: uma é o que eles são por natureza; outra é a conduta deles durante a prova, porque é certo que os três se conduziram de um modo perfeito naquela ocasião.
Mas a perfeição tem graus e, por exemplo, São Miguel vê-se que foi superexímio na prova. Alguém comentou comigo que São Luís Maria Grignion de Montfort diz ter sido São Miguel aquele que teve mais amor a Nossa Senhora durante a prova, e por isso foi mais combativo. Trata-se de uma primazia por causa da atitude durante a prova, o que é diferente do primado por natureza.
Então haveria dois títulos de primazia diversos para considerar. Vamos tratar aqui apenas das relações de natureza a natureza, e não vamos considerar a primazia efetiva como ela existe no Céu, posta a reação durante a prova.
Na primazia por natureza nós poderíamos ver o que e como eles fazem, e assim entender como se completam na tríade.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

São Willehade


Os saxões eram pagãos muito agressivos e frequentemente invadiam as terras dos francos, cometendo crimes e pilhagens. Carlos Magno, numa cruzada em defesa da Religião Católica, atacou-os e derrotou-os. Eles se revoltaram, mas novamente o Imperador venceu-os e lhes impôs um tributo em benefício da Santa Igreja.
        São Willehade, bispo e confessor. Foi o primeiro Bispo de Bremen, diocese criada pelo Imperador Carlos Magno, após suas conquistas. No ano de 788, 21º do seu reinado, Carlos Magno deu àquela igreja um diploma lavrado nos seguintes termos:
        “Em nome de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Carlos, por vontade da Providência Divina, Rei. Sob o auxílio do Deus dos exércitos, conseguimos uma vitória nas guerras. É só n’Ele que nos gloriamos. E é d’Ele que nós esperamos neste mundo a paz e a prosperidade, e no outro a recompensa eterna.
        Salvem-se, pois, todos os fiéis de Cristo, e os saxões rebeldes aos nossos ancestrais, pela obstinação da perfídia e por um tão longo tempo rebeldes a Deus e a nós, até que os tivéssemos vencido pela Cruz do Senhor, não pela nossa. Por sua misericórdia, nós recebemos a graça do batismo, e os levamos à antiga liberdade, desobrigando-os de todos os antigos tributos que nos devem. Pelo amor d’Aquele que nos deu a vitória, de tributários os declaramos devotamente súditos.
        Como se recusaram a tal presente e o jugo de nosso poder, agora que foram vencidos pelas armas e pela Fé, ficam obrigados a pagar a Nosso Senhor Jesus Cristo e seus sacerdotes o dízimo de todos os seus animais, frutos e culturas.”
Zelo do poder civil para com o poder eclesiástico

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Santo Aretas

A coragem e firmeza de Santo Aretas diante do martírio fazem reluzir mais uma das maravilhas produzidas pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana nos povos que se põem sob seu maternal domínio.
No livro do Frei José Pereira de Santana, “Os dois Atlantes da Etiópia”, encontramos alguns dados biográficos de Santo Aretas. Trata-se de uma prédica de Santo Aretas aos católicos da cidade de Najran, na Arábia, antes de ser martirizado pelo tirano Dun’an.
Invectiva cheia de grandeza
Ouvi-me, inumano Rei, doutores da Sinagoga, apóstatas franitas, bárbaros confederados, cortesãos ilustres e esclarecidos habitantes de Najran.
Isto, sim, é saber dirigir uma apóstrofe!
“Apóstatas” é uma palavra de alta expressão. “Fulano é um apóstata!” Todo o horror da apostasia se descarrega nestes dois “tas”: “após-ta-ta”. Tem-se a impressão de que é uma coisa que caiu, que rola em dois “tas” e que se desfaz.
Um “apóstata franita” dá a impressão de ser alguém que se deu a uma das heresias mais infectas, aliciantes e, ao mesmo tempo, mais digna de rejeição.
“Bárbaros confederados” é também uma forma de ultraje; soa como se fossem bárbaros requintados, de tal maneira ligados a outros bárbaros que formam uma coesão de barbárie, uma espécie de ultrabarbárie, pior do que todas as barbáries.
Então, os doutores da Sinagoga, os apóstatas franitas e os bárbaros confederados, todos juntos num conglomerado imundo, nefando e agressivo contra o Santo que está sozinho. Vai ser martirizado, mas, antes de morrer, diz o que quer. Não falta grandeza a essa introdução.
Cântico de coragem, transbordante de Fé
E continua:
Companheiros, amigos, parentes e outros quaisquer dos circunstantes, sejais nobres ou plebeus, ou católicos ou infiéis, ouvi-me todos, vos suplico, pois com todos falo. Bem vos pudera dizer que canto, se observardes que, por artifício dos anos, me converti em cisne nacional, conservada na cabeça a candura, no coração, sem temor de morte, a alegria.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

São Mateus

Quando o Filho de Deus se fez homem e veio a este mundo, tomou o nome de Jesus ou Salvador, porque viera para salvar-nos e não para perder-nos. Ao iniciar a sua vida pública, escolheu doze apóstolos. Os primeiros foram Pedro e André, que viviam da pesca, em seguida Tiago e João.
Jesus passara alguns dias em Cafarnaum fazendo pregações e milagres. Um dia quando passava pela cidade em direção ao Mar da Galiléia, Jesus parou diante de uma banca de arrecadação de impostos, onde se travava uma acalorada discussão:
– Por favor, eu já disse, paguei tudo o que devia!
– Pagou?! Pagou nada! Ainda me deves 200 denários!!! – retorquiu inclemente o cobrador de impostos que se chamava Levi.
– Mas, não tenho mais dinheiro, tudo que tinha já lhe dei!
– Pois então, prepare-se! Se não me pagares amanhã, irás para a prisão!!!
– Mas eu tenho mulher e filhos para cuidar!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

São Pedro de Arbués

A História deixou-nos incontáveis exemplos de devoções ardentes ao Santíssimo Sacramento.
Corria o ano de 1485, época em que, devido a atuação dos hereges, aumentava também a vigilância da Santa Madre Igreja. No Reino de Aragão, havia alguns anos, atuava um fogoso amante da ortodoxia: um religioso agostiniano chamado Pedro de Arbués. Não se contentava em se opor aos propugnadores da heresia que lhe eram apresentados, mas buscava ele mesmo os adversários da Fé nas suas assembleias para convencê-los de seus erros, provocando tal ódio, que precisava de especiais cuidados de segurança.
Sendo ele o homem mais odiado pelos hereges, era frequentemente vítima de atentados. Quantos impios não foram surpreendidos ao tentarem cravar em seu corpo espadas e punhais, sendo impedidos pela cota de malha que o prudente homem de Deus vestia sob seu hábito!
Entretanto, alguns homens, meticulosamente instruidos, arranjaram um modo de acabar com o principal obstáculo das heresias. Em uma noite, rezava o santo na Catedral de Zaragoza Àquele que lhe foi durante toda a vida objeto de maior devoção: o Santíssimo Sacramento. Mas, ao contrário do que pensava, não estava só. Quatro homens armados de gladios estavam escondidos, esperando o momento para atacá-lo. Passado certo tempo, quando perceberam que São Pedro estava inteiramente atento à Sagrada Eucaristia, foram em direção a ele, passo ante passo, silenciosamente aproximaram-se dele, e introduziram as armas no único vão existente na cota de matha, na região do pescoço.
Imediatamente saíram correndo, enquanto o corpo caiu no chão, formando uma imensa poça de sangue, ao passo que as espadas permaneceram miraculosamente suspensas no ar, e até hoje se veneram nesse local. Ao amanhecer, um sacerdote da região foi abrir a catedral, e encontrou no chão o corpo do grande defensor da Fé. Sem hesitar, sua primeira providência foi celebrar uma Missa pelo santo, com o corpo ali presente. Entretanto, no momento da elevação, o sacerdote ouviu um pequeno ruído, e percebeu que, como último preito de devoção, o sangue ali jazente fervia a ponto de borbulhar!

Dessa maneira foi martirizado o grande São Pedro Arbués, protetor da Fé, defensor dos verdadeiros católicos de seu tempo e modelo de devoto do Santíssimo Sacramento. Possa o seu exemplo inspirar a devoção Eucarística.
Arautos do Evangelho - Chez nous