quarta-feira, 19 de abril de 2017

São Pedro de Arbués

A História deixou-nos incontáveis exemplos de devoções ardentes ao Santíssimo Sacramento.
Corria o ano de 1485, época em que, devido a atuação dos hereges, aumentava também a vigilância da Santa Madre Igreja. No Reino de Aragão, havia alguns anos, atuava um fogoso amante da ortodoxia: um religioso agostiniano chamado Pedro de Arbués. Não se contentava em se opor aos propugnadores da heresia que lhe eram apresentados, mas buscava ele mesmo os adversários da Fé nas suas assembleias para convencê-los de seus erros, provocando tal ódio, que precisava de especiais cuidados de segurança.
Sendo ele o homem mais odiado pelos hereges, era frequentemente vítima de atentados. Quantos impios não foram surpreendidos ao tentarem cravar em seu corpo espadas e punhais, sendo impedidos pela cota de malha que o prudente homem de Deus vestia sob seu hábito!
Entretanto, alguns homens, meticulosamente instruidos, arranjaram um modo de acabar com o principal obstáculo das heresias. Em uma noite, rezava o santo na Catedral de Zaragoza Àquele que lhe foi durante toda a vida objeto de maior devoção: o Santíssimo Sacramento. Mas, ao contrário do que pensava, não estava só. Quatro homens armados de gladios estavam escondidos, esperando o momento para atacá-lo. Passado certo tempo, quando perceberam que São Pedro estava inteiramente atento à Sagrada Eucaristia, foram em direção a ele, passo ante passo, silenciosamente aproximaram-se dele, e introduziram as armas no único vão existente na cota de matha, na região do pescoço.
Imediatamente saíram correndo, enquanto o corpo caiu no chão, formando uma imensa poça de sangue, ao passo que as espadas permaneceram miraculosamente suspensas no ar, e até hoje se veneram nesse local. Ao amanhecer, um sacerdote da região foi abrir a catedral, e encontrou no chão o corpo do grande defensor da Fé. Sem hesitar, sua primeira providência foi celebrar uma Missa pelo santo, com o corpo ali presente. Entretanto, no momento da elevação, o sacerdote ouviu um pequeno ruído, e percebeu que, como último preito de devoção, o sangue ali jazente fervia a ponto de borbulhar!

Dessa maneira foi martirizado o grande São Pedro Arbués, protetor da Fé, defensor dos verdadeiros católicos de seu tempo e modelo de devoto do Santíssimo Sacramento. Possa o seu exemplo inspirar a devoção Eucarística.
Arautos do Evangelho - Chez nous

terça-feira, 11 de abril de 2017

O martírio de São Filemon

No ano de 287, o então Imperador Romano, Diocleciano, promoveu uma feroz perseguição aos cristãos. Jurara extirpar da face da Terra a religião de Jesus Cristo e, para isso, ordenou a todos os governantes das províncias que se empenhassem nesta tarefa.
Ariano, governador da Tebaida e grande amigo de Diocleciano, logo deu início à perseguição. Queria com isso agradar ao Imperador, sabendo que seria prontamente gratificado.
Espalhou guardas pela cidade e aprisionou muitos cristãos.
Um diácono, de nome Apolônio, vendo os cruéis e terríveis tormentos que se preparavam para os cristãos aprisionados, temeu por sua fragilidade e, para tentar fugir ao perigo de negar a Cristo, achando que não teria bastante ânimo para declarar-se cristão, inventou uma saída.
Havia em sua cidade um menestrel de nome Filemon. Insigne por suas brincadeiras, tocando maravilhosamente a sua flauta, era amado por todo o povo da Tebaida.
Apolônio mandou chamá-lo, e propondo-lhe certa quantia de ouro pediu que ele se apresentasse disfarçado em seu lugar, para prestar homenagem aos ídolos.
Filemon aceitou o encargo e deixando suas flautas em casa de Apolônio, tomou a sua capa e compareceu à presença do governador Ariano.

sábado, 1 de abril de 2017

São Cristóvão

Antes de seu batismo chamava-se “Reprovado”, depois recebeu o nome de Cristóvão, porque ele levou o Cristo de quatro formas: sobre seus ombros, para o fazer passar pelo rio; em seu corpo, pela mortificação; em seu coração pela devoção e sobre seus lábios pela confissão e pregação.
Sua festa é comemorada no dia 25 de julho e seu martírio deu-se no ano de 254, na cidade de Lícia.
Cristóvão era um homem gigantesco e de um terrível aspecto.
Um dia, em que ele se encontrava junto de um rei, lhe veio ao espírito o desejo de procurar o maior príncipe do mundo e de permanecer junto dele a seu serviço.
Ele se apresenta a um rei muito poderoso que tinha em toda parte a reputação de não ter ninguém que o igualasse em grandeza. Vendo-o, o rei o acolheu com bondade e o fez ficar em sua corte.
Ora, certo dia um bulhão cantava em presença do rei uma canção onde freqüentemente se repetia o nome do diabo; o rei, que era cristão, fazia um sinal da cruz, cada vez que ouvia pronunciar esse horrível nome. Cristóvão notando isso, ficou muito impressionado por esta ação e do significado de tal ato.
Interrogou o rei sobre isto, mas este não queria lhe responder, furioso, disse Cristóvão:
- Se vós não me disserdes, eu não ficarei mais convosco!
O rei, constrangido e até com um certo medo, disse:
-- Eu me muno deste sinal, diante de algum diabo que eu ouço nomear, no temor de que ele tome poder sobre mim e me prejudique.
Cristóvão lhe respondeu:
- Se vós temeis o diabo, é ele, evidentemente, maior e mais poderoso do que vós! A prova é que vós tendes um terrível medo dele. Eu estou, portanto, bem enganado em meu intento, eu pensava ter encontrado o maior e mais poderoso senhor do mundo; mas agora eu vos dou adeus, pois eu quero procurar o próprio diabo e o tomar por mestre e fazer-me seu servidor!
O rei tentou de todas as maneiras dissuadi-lo de tal intento, mas Cristóvão, ou melhor, o Reprovado, pôs termo à discussão com um grito:
- Já estou decidido, é assim que vou fazer!
Reprovado deixa o rei e começa a procurar o diabo.

quinta-feira, 23 de março de 2017

São Simão e São Judas Tadeu, Apóstolos

De nenhum dos Apóstolos nos refere o santo Evangelho menos coisas, do que do apóstolo São Simão. É verdade que diz bastante só com assegurar-nos que Nosso Senhor Jesus Cristo o escolheu para que fosse um dos doze apóstolos, ministério, que por si só, significa mais que tudo quanto nos podiam referir os historiadores. São Mateus sempre o chama de Simão, o Cananeu; este apelido vem-lhe da cidade de Caná na província da Galiléia, onde São Simão havia nascido. São Lucas chama-o de Simão, o Zelador (Zelotes).
São Judas Tadeu era irmão de São Tiago Menor, filho de Alfeu e de Maria Cléofas.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Santo Odon

A Idade Média, com suas catedrais, castelos, universidades e outras instituições, causa admiração até entre os não católicos. O espírito dessa época histórica nasceu de Cluny, uma pujante Abadia que teve Santo Odon como primeiro abade. Graças à sabedoria deste grande santo, Cluny pôde influenciar toda a Europa. Vejamos os comentários de Plinio Corrêa de Oliveira.
No dia 18 de novembro comemora-se a festa de Santo Odon. Na “Vida dos Santos”, de Omer Englebert1, encontramos a seguinte síntese biográfica deste santo abade de Cluny:
Graças a Santo Odon, a influência de Cluny espargiu-se por toda a Cristandade
Odon era filho de fidalgos que viviam na Alsácia, os quais atribuíam seu nascimento à intercessão milagrosa de São Martinho. Foi mandado ainda criança para a corte de Fulk, o Bom, Conde de Anjou, e mais tarde passou para a de Guilherme, Duque de Aquitânia. Aos 16 anos foi acometido de dores de cabeça, que só foram curadas quando o jovem ingressou no cabido de São Martinho, em Tours. Dedicou-se durante vários anos ao estudo dos clássicos e dos Santos Padres, seguindo em Paris, em 901, os cursos de Filosofia de Remígio de Auxèrre. Aplicou-se também profundamente ao estudo da Poesia e da Música, as quais cultivou durante toda a vida. Após ter sido cantor do cabido e de ter escrito várias obras, Odon ingressou no mosteiro beneditino de Baume-les-Messieurs, na Borgonha, mudando depois para Cluny, quando da fundação desse mosteiro, onde foi nomeado abade. As escolas que ele criou em Cluny atraíram em breve tudo quanto havia de mais nobre no Ocidente. Era costume dizer-se que um príncipe, no palácio de seu pai, não recebia educação mais apurada que os alunos de Cluny. Graças ao santo abade, a influência da abadia espalhou-se por toda a Cristandade. Os Papas a ele recorriam em suas dificuldades, e os príncipes chamavam-no para reformar os mosteiros em seus estados.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Santo Onésimo, discípulo de São Paulo


Por volta do ano 61 da Era Cristã, encontrava-se preso em Roma o Apóstolo das Gentes. Tinha o corpo agrilhoado, mas a alma livre, e não cessava de evangelizar. Neste período de cárcere, ele escreveu pelo menos quatro de suas epístolas: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filêmon.
 Essas duas últimas foram levadas por Tíquico à cidade de Colossos, situada a cerca de 20 km de Laodiceia, na Ásia Menor (atual Turquia). Além da carta endereçada para toda a comunidade, seguia uma curta mensagem para um cristão particularmente amado pelo Apóstolo: Filêmon.
  Ao se dirigir a Colossos, Tíquico não estava só. Como escreveu o Apóstolo: “Ele vai juntamente com Onésimo, nosso caríssimo e fiel irmão, conterrâneo vosso. Ambos vos informarão de tudo o que aqui se passa” (Col 4, 9).
Filho espiritual do Apóstolo

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

São Vicente Ferrer

Certa ocasião, quando São Vicente Ferrer entrava em Barcelona — uma das maiores e mais ilustres cidades de seu tempo —, fizeram-lhe uma recepção tão extraordinária que de todas as janelas pendiam tapeçarias em sua honra, o povo o aclamava e ele caminhava debaixo de um pálio, cujas varas eram carregadas pelos principais da cidade. Então, alguém lhe perguntou, baixinho, ao ouvido:
— Irmão Vicente, e a vaidade?
— Esvoaça do lado de fora, mas não entra — respondeu ele.
A resposta de um orgulhoso seria: “Nem sinto tentação.”
E um pusilânime diria: “Pobre de mim, estou inundado de vaidade.”
Este Santo deu a resposta certa: Como homem, posso e estou sendo tentado. Porém, a tentação esvoaça do lado de fora, mas, pela graça de Deus, ela não entra.
De fato, neste vale de lágrimas é normal sermos tentados. A tentação tempera a alma. Quem diz “não” para o demônio sai mais forte, mais pertencente a Nossa Senhora. O servo bom e fiel que foi provado e venceu manifesta a sua fidelidade, faz render na luta os seus talentos, colhe louros e os entrega à sua Senhora.
Somos soldados da Igreja Militante e devemos nos entusiasmar com isso.

Plinio Corrêa de Oliveira – Extraído de conferência de 16/1/1970