terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Santa Catarina de Alexandria

No dia 25 de novembro, comemoramos a festa de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir.Sobre a morte da Santa Catarina, o Abbé Daras, na "Vida dos Santos", traz a seguinte narração:
"Maximiliano, imperador, ordenou a morte de santa Catarina. Foi ela conduzida ao lugar do suplício em meio a uma multidão, sobretudo de mulheres de alta condição, que choravam a sua sorte. A virgem caminhava com grande calma. Antes de morrer, fez a seguinte oração:
“Senhor Jesus Cristo, meu Deus, eu vos agradeço terdes firmado meus pés sobre o rochedo da fé e terdes dirigido meus passos na via da salvação. Abri agora vossos braços feridos sobre a cruz, para receber minha alma, que eu sacrifico à glória de Vosso Nome.
Lembrai-vos, Senhor, que somos feitos de carne e sangue. Perdoai-me as faltas que cometi por ignorância e lavai minha alma no sangue que vou derramar por vós.
Não deixeis meu corpo, martirizado por vosso amor, em poder dos que me odeiam.
Baixai vosso olhar sobre esse povo e dai-lhe o conhecimento da verdade.
Enfim, Senhor, exaltai em vossa infinita misericórdia aqueles que Vos invocarão por meu intermédio, para que Vosso Nome seja para sempre bendito.
Em seguida mandou que os soldados cumprissem as ordens, e sua cabeça foi decepada de um só golpe.
Era o dia 25 de novembro. Numerosos milagres logo foram constatados. Os anjos, como ela o desejara, transportaram seu corpo para a santa montanha do Sinai, a fim de que repousasse onde Deus escrevera sobre pedra sua Lei, que ela guardava tão fielmente escrita em seu coração".

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

São Francisco Xavier e a ressurreição da filha de um homem rico


A história afirma que quando São Francisco Xavier se achava em Cangoxima, no Japão, fez um grande número de milagres, o mais notável dos quais foi a ressurreição duma rica dama. Esta donzela morrera na flor da idade, e o pai, que a amava ternamente, estava a ponto de enlouquecer. Como ele era idólatra, não encontrava lenitivo para a sua aflição, e os seus amigos que iam consolá-lo não faziam mais do que aumentar a sua dor. Dois neófitos que o foram ver, antes de se proceder ao funeral daquela que ele chorava noite e dia, aconselharam-no que procurasse socorro junto do santo homem que fazia tão grandes coisas e pedisse-lhe, com confiança, a vida de sua filha.
O pagão, persuadido pelos neófitos de que nada era impossível ao bonzo da Europa, e começando a manter uma esperança contra todas as aparências humanas, como acontece de ordinário aos aflitos, que creem facilmente em quem os consola, foi procurar o Padre Francisco, lançou-se aos seus pés, e pediu-lhe com as lágrimas nos olhos que ressuscitasse uma filha única que acabava de perder, acrescentando que seria restituir-lhe a vida a ele mesmo.
Xavier, condoído da fé e da aflição do pagão, retirou-se com o seu companheiro Fernandes para orar a Deus, e voltando pouco tempo depois, disse ao pai inconsolável:
 ── Ide que vossa filha está viva.
O idólatra, que esperava que o Santo fosse com ele à sua casa, e invocaria o nome do Deus dos cristãos sobre o corpo de sua filha, tomou aquelas palavras por zombaria e retirou-se descontente. Mas apenas tinha dado alguns passos, viu um dos seus criados, que, todo cheio de alegria, lhe gritou de longe, dizendo-lhe que sua filha estava viva. E viu-a daí a pouco, porque ela correra ao seu encontro. Depois dos primeiros abraços, a filha contou a seu pai que, apenas entregara a alma, dois demônios horríveis se apoderaram dela e a quiseram precipitar num abismo de fogo; mas dois homens de aspecto nobre e modesto a tinham arrancado das mãos daqueles dois carrascos e lhe restituíram a vida, sem que lhe fosse possível dizer como isso se fizera.
O japonês compreendeu quais eram aqueles dois homens de quem lhe falava a filha, e conduziu-a logo a Xavier, para Lhe testemunhar o seu agradecimento, como era devido a um tamanho favor; e apenas ela viu o santo com o seu companheiro Fernandes, exclamou:
  Eis os meus dois libertadores!
E no mesmo instante pai e filha pediram o batismo.

Schouppe, S.J., Pe. F. X., "O Dogma do Inferno", trad. bacharel formado em Teologia na Universidade de Coimbra, Liv. Católica Portuense, Porto, 1896, p.5.

domingo, 27 de novembro de 2016

São Carlos Borromeu

São Carlos Borromeu não foi apenas um grande bispo contrarreformista, mas, em algum sentido, o Bispo da Contra-Reforma. Não só por ser um homem de grande preparo e cultura, que irradiou sua sabedoria em seu tempo, mas por ter realizado o modelo perfeito de bispo.
Não basta redigir obras refutando isso ou aquilo. A pessoa precisa ser a personificação, o próprio símbolo, o tipo humano das obras que escreveu. O trabalho que ele realizou, sendo o Bispo da Contra-Reforma e o modelo de bispo, foi de uma eficácia para a Igreja certamente maior do que a dos próprios escritos dele.

Plinio Corrêa de Oliveira -Extraído de conferência de 30/10/1963

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Sóror Josefa Menéndez

Subia sóror Josefa ao terceiro andar do convento a fim de fechar algumas janelas antes de se recolher, quando encontrou Nosso Senhor Jesus Cristo no corredor.
- De onde vens? - perguntou Ele.
- Fechava as janelas, Senhor.
- E agora que estou aqui, para onde vais?
- Vou terminar de fechá-las, meu Jesus.
É a miséria que atrai a misericórdia
Cenas como esta não eram raras no dia a dia da irmã Josefa... 
Na Páscoa de 1922, Jesus ressurrecto lhe aparece "formosíssimo e cheio de luz". Todavia, ela se mostra indiferente à sua presença, alegando não estar autorizada a quebrar o silêncio monástico. "Não tens permissão para falar comigo, Josefa! - respondeu com bondade - E para Me olhar? [...] Olha-Me... e deixa que Eu te olhe... isto nos basta". Ela fitou-O e Ele disse: "Quando a madre te chamar, pede permissão para falar comigo",1 e desapareceu.
Que pensar de alguém que, deparando-se com o próprio Cristo, deixa-O só para fechar umas janelas ou se recusa a falar com Ele alegando um simplório pretexto? Por que Nosso Senhor insiste em aparecer a esta alma, e não a alguma outra que manifestasse maior amor?

A resposta nos vem dos lábios do Divino Salvador: "Se na Terra tivesse encontrado uma criatura mais miserável que tu, teria pousado sobre ela meu olhar amoroso, e lhe teria manifestado os desejos de meu Coração. Mas não tendo encontrado, escolhi a ti. [...] O único desejo de meu Coração é aprisionar-te e inundar-te de meu amor, fazer de tua pequenez e tua fraqueza um canal de misericórdia para muitas almas".
É a miséria das almas, pois, que atrai a bondade e a misericórdia do Divino Coração! E foi nosso tempo, tão ingrato para com Deus, que recebeu, pela pena de sóror Josefa Menéndez, o tesouro das revelações que aqui vamos contemplar.
Escolhida desde muito cedo
Nascida em Madri, a 4 de fevereiro de 1890, teve Josefa Menéndez uma infância muito alegre e ­tranquila. Possuía ela um temperamento vivo, jovial e um tanto altivo, o que a tornava um polo de atração para toda a família.
Desde muito pequena sentia-se chamada a entregar-se a Jesus, mas não sabia ainda como... Na festa de São José de 1901 fez sua Primeira Comunhão e prometeu a Nosso Senhor, formalmente e por escrito, manter perpétua virgindade. Foi repreendida pelo confessor, pois para ele "as meninas não devem prometer nada mais que ser muito boazinhas", e ordenou-lhe destruir o papel do compromisso assinado. Ela, entretanto, não o fez e repetia a Jesus sua promessa cada vez que comungava.
Começou a estudar no colégio das Religiosas do Sagrado Coração de Jesus - instituição fundada por Santa Madalena Sofia Barat, à qual viria a pertencer - e a capela era seu lugar preferido, onde se recolhia e fazia companhia, por largas horas, ao Divino Prisioneiro do sacrário. Com frequência visitava também o Carmelo de Loeches, do qual uma tia materna era a priora. Conheceu a regra carmelitana na biblioteca das freiras e a punha em prática quando brincava "de convento" com suas irmãs menores: Mercedes, Carmem e Ângela. Ela sabia, contudo, no fundo de seu coração, que aquilo era mais do que uma distração... Tomava força em sua alma o chamado à vida religiosa.
Dotada de grande habilidade com a linha e a agulha, foi aprender corte e costura no ateliê de uma modista de confiança dos pais, onde reinava um ambiente frívolo e vazio, muito distinto do calor piedoso de seu lar. Ali conheceu os primeiros embates espirituais e se manteve firme graças à Comunhão diária que não abandonava, à custa de verdadeiros sacrifícios. Aos domingos se dedicava a visitas de caridade, atendendo pobres e enfermos, tanto com o socorro material como nos mais humildes serviços.
Desta época de sua vida, relata ela em seus escritos: "Atravessei muitos perigos, mas Deus, Nosso Senhor, sempre me guardou no meio deles e das más conversas no ateliê. Quantas vezes chorei ao ouvir aquelas coisas que me perturbavam, porém, não deixei de encontrar força e consolo em Deus. Nada nem ninguém me fizeram mudar ou duvidar jamais de que Jesus me queria para Si".
Longa e dolorida espera

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Beato Carlos de Blois

A índole das instituições feudais, as quais eram hierárquicas, conduzia à santidade, enquanto as instituições que pressupõem uma igualdade completa levam ao contrário da santidade, que é o espírito da Revolução. Vejamos os comentários de Plinio Corrêa de Oliveira.
A respeito do Beato Carlos de Blois, o General Silveira de Mello, no livro “Os Santos Militares”, diz o seguinte:
Herda o Ducado da Bretanha
Carlos de Blois era filho do Conde de Blois, Guy I, e da Princesa Margarida, irmã de Filipe de Valois.
Recebeu educação esmerada e foi muito adestrado militarmente. Casando-se com Joana, filha de Guy de Penthièvre e sobrinha de João III da Bretanha, por morte deste último, Carlos de Blois recebeu, com sua esposa, o ducado como herança, no ano de 1341. Assumiu o governo dessa província com grande entusiasmo dos nobres e dos seus vassalos mais humildes.
Entretanto, o Conde de Montfort, irmão do Duque falecido, reclamou o direito à sucessão e pegou em armas para reivindicá-lo. Foi apoiado pelos ingleses, enquanto a França tomava o partido de Carlos.
O jovem Conde de Blois fez frente ao seu contendor. 23 anos durou essa luta que os ingleses sustentavam de fora.
Em 1346, no combate de La Roche-Derrien, Carlos sofreu um revés e caiu prisioneiro. Encerraram-no na Torre de Londres, onde permaneceu encarcerado durante nove anos. As orações que rezou neste cativeiro foram de molde a assegurar a continuidade do governo da Bretanha.
Nunca afrouxou seus exercícios de piedade
A Princesa Joana, sua enérgica esposa, assumiu a direção dos negócios públicos e da guerra e manteve atitude de energia pela libertação do marido.
Livre, Carlos prosseguiu com maior denodo as operações militares. Sucederam-se reveses e vantagens de parte a parte, até que por fim, em 1364, aos 29 de setembro, festa do Arcanjo São Miguel, o santo e bravo duque caiu morto na Batalha de Auray. Esta jornada heroica, última de sua vida, iniciou-a Carlos com a recepção dos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia.

domingo, 30 de outubro de 2016

Santo Alberto Magno

Corria o ano de 1223. Nas povoações do norte da Itália anunciava-se de boca a ouvido a chegada de um frade, célebre por suas palavras e obras, que percorria a região para instruir o povo nos mistérios do Reino dos Céus. Cativadas por sua fama de santidade, as multidões se apinhavam nas igrejas para ouvi-lo.
Com efeito, ao falar do púlpito as suas admoestações arrebatavam os fiéis, deixando-lhes uma impressão profunda, um chamado irresistível para abraçar a prática da virtude. Seu nome era Jordão da Saxônia, Mestre Geral da Ordem dos Pregadores e sucessor imediato de São Domingos de Gusmão.
Quando ele ensinava, parecia um embaixador divino. Em seus lábios os temas doutrinários mais intrincados tornavam-se claros, acessíveis e luminosos, ao que se somava um notável dom de atração capaz de mover os ouvintes a abandonar para sempre o pecado. Eram dias de franca expansão da Ordem, que lançava suas raízes, e “o fascínio de São Domingos se transferira para os seus filhos, sem perder a intensidade e o ardor”.1
A uma dessas concorridas prédicas assistia, atento às exortações do sacerdote, certo jovem vindo da Baviera. Encontrava-se na Península para estudar filosofia e artes liberais, na renomada Universidade de Pádua. Todavia, até então nunca conhecera alguém com as qualidades morais do Beato Jordão, alemão como ele.
Ao ouvi-lo sentiu despertar em seu interior o desejo de incorporar-se à nova milícia espiritual de que ele era superior e abraçar o mesmo carisma que animava numerosos religiosos já presentes em vários países da Cristandade. Pouco tempo antes Nossa Senhora lhe aparecera, convidando-o a abandonar o mundo, e agora algo indicava que este era o próximo passo a ser dado.
O nome deste bávaro de pouco mais de 20 anos era Alberto, o qual passaria para a História com o cognome de Magno.
“Sim” incondicional à vocação dominicana