quinta-feira, 25 de maio de 2017

A Inter-relação entre os Três Arcanjos

São Gabriel, São Rafael e São Miguel, tendo sido líderes contra a Revolução chefiada por Lúcifer, no Céu, ajudam possantemente os contrarrevolucionários na Terra. Plinio Corrêa de Oliveira discorre sobre a inter-relação das missões desses três Arcanjos com vistas ao Reino de Maria.
Poderíamos nos perguntar que relação existe entre as tarefas dos três Arcanjos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael.
Primazia por natureza
Parece que eles constituem uma espécie de circuito fechado, uma totalidade, como que uma trindade.
Como essa “trindade” se prende ao conjunto do mundo angélico? Por exemplo, são eles Serafins? Tanto mais que para calcular as missões e as importâncias deles, entram duas ordens de valores distintas: uma é o que eles são por natureza; outra é a conduta deles durante a prova, porque é certo que os três se conduziram de um modo perfeito naquela ocasião.
Mas a perfeição tem graus e, por exemplo, São Miguel vê-se que foi superexímio na prova. Alguém comentou comigo que São Luís Maria Grignion de Montfort diz ter sido São Miguel aquele que teve mais amor a Nossa Senhora durante a prova, e por isso foi mais combativo. Trata-se de uma primazia por causa da atitude durante a prova, o que é diferente do primado por natureza.
Então haveria dois títulos de primazia diversos para considerar. Vamos tratar aqui apenas das relações de natureza a natureza, e não vamos considerar a primazia efetiva como ela existe no Céu, posta a reação durante a prova.
Na primazia por natureza nós poderíamos ver o que e como eles fazem, e assim entender como se completam na tríade.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

São Willehade


Os saxões eram pagãos muito agressivos e frequentemente invadiam as terras dos francos, cometendo crimes e pilhagens. Carlos Magno, numa cruzada em defesa da Religião Católica, atacou-os e derrotou-os. Eles se revoltaram, mas novamente o Imperador venceu-os e lhes impôs um tributo em benefício da Santa Igreja.
        São Willehade, bispo e confessor. Foi o primeiro Bispo de Bremen, diocese criada pelo Imperador Carlos Magno, após suas conquistas. No ano de 788, 21º do seu reinado, Carlos Magno deu àquela igreja um diploma lavrado nos seguintes termos:
        “Em nome de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Carlos, por vontade da Providência Divina, Rei. Sob o auxílio do Deus dos exércitos, conseguimos uma vitória nas guerras. É só n’Ele que nos gloriamos. E é d’Ele que nós esperamos neste mundo a paz e a prosperidade, e no outro a recompensa eterna.
        Salvem-se, pois, todos os fiéis de Cristo, e os saxões rebeldes aos nossos ancestrais, pela obstinação da perfídia e por um tão longo tempo rebeldes a Deus e a nós, até que os tivéssemos vencido pela Cruz do Senhor, não pela nossa. Por sua misericórdia, nós recebemos a graça do batismo, e os levamos à antiga liberdade, desobrigando-os de todos os antigos tributos que nos devem. Pelo amor d’Aquele que nos deu a vitória, de tributários os declaramos devotamente súditos.
        Como se recusaram a tal presente e o jugo de nosso poder, agora que foram vencidos pelas armas e pela Fé, ficam obrigados a pagar a Nosso Senhor Jesus Cristo e seus sacerdotes o dízimo de todos os seus animais, frutos e culturas.”
Zelo do poder civil para com o poder eclesiástico

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Santo Aretas

A coragem e firmeza de Santo Aretas diante do martírio fazem reluzir mais uma das maravilhas produzidas pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana nos povos que se põem sob seu maternal domínio.
No livro do Frei José Pereira de Santana, “Os dois Atlantes da Etiópia”, encontramos alguns dados biográficos de Santo Aretas. Trata-se de uma prédica de Santo Aretas aos católicos da cidade de Najran, na Arábia, antes de ser martirizado pelo tirano Dun’an.
Invectiva cheia de grandeza
Ouvi-me, inumano Rei, doutores da Sinagoga, apóstatas franitas, bárbaros confederados, cortesãos ilustres e esclarecidos habitantes de Najran.
Isto, sim, é saber dirigir uma apóstrofe!
“Apóstatas” é uma palavra de alta expressão. “Fulano é um apóstata!” Todo o horror da apostasia se descarrega nestes dois “tas”: “após-ta-ta”. Tem-se a impressão de que é uma coisa que caiu, que rola em dois “tas” e que se desfaz.
Um “apóstata franita” dá a impressão de ser alguém que se deu a uma das heresias mais infectas, aliciantes e, ao mesmo tempo, mais digna de rejeição.
“Bárbaros confederados” é também uma forma de ultraje; soa como se fossem bárbaros requintados, de tal maneira ligados a outros bárbaros que formam uma coesão de barbárie, uma espécie de ultrabarbárie, pior do que todas as barbáries.
Então, os doutores da Sinagoga, os apóstatas franitas e os bárbaros confederados, todos juntos num conglomerado imundo, nefando e agressivo contra o Santo que está sozinho. Vai ser martirizado, mas, antes de morrer, diz o que quer. Não falta grandeza a essa introdução.
Cântico de coragem, transbordante de Fé
E continua:
Companheiros, amigos, parentes e outros quaisquer dos circunstantes, sejais nobres ou plebeus, ou católicos ou infiéis, ouvi-me todos, vos suplico, pois com todos falo. Bem vos pudera dizer que canto, se observardes que, por artifício dos anos, me converti em cisne nacional, conservada na cabeça a candura, no coração, sem temor de morte, a alegria.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

São Mateus

Quando o Filho de Deus se fez homem e veio a este mundo, tomou o nome de Jesus ou Salvador, porque viera para salvar-nos e não para perder-nos. Ao iniciar a sua vida pública, escolheu doze apóstolos. Os primeiros foram Pedro e André, que viviam da pesca, em seguida Tiago e João.
Jesus passara alguns dias em Cafarnaum fazendo pregações e milagres. Um dia quando passava pela cidade em direção ao Mar da Galiléia, Jesus parou diante de uma banca de arrecadação de impostos, onde se travava uma acalorada discussão:
– Por favor, eu já disse, paguei tudo o que devia!
– Pagou?! Pagou nada! Ainda me deves 200 denários!!! – retorquiu inclemente o cobrador de impostos que se chamava Levi.
– Mas, não tenho mais dinheiro, tudo que tinha já lhe dei!
– Pois então, prepare-se! Se não me pagares amanhã, irás para a prisão!!!
– Mas eu tenho mulher e filhos para cuidar!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

São Pedro de Arbués

A História deixou-nos incontáveis exemplos de devoções ardentes ao Santíssimo Sacramento.
Corria o ano de 1485, época em que, devido a atuação dos hereges, aumentava também a vigilância da Santa Madre Igreja. No Reino de Aragão, havia alguns anos, atuava um fogoso amante da ortodoxia: um religioso agostiniano chamado Pedro de Arbués. Não se contentava em se opor aos propugnadores da heresia que lhe eram apresentados, mas buscava ele mesmo os adversários da Fé nas suas assembleias para convencê-los de seus erros, provocando tal ódio, que precisava de especiais cuidados de segurança.
Sendo ele o homem mais odiado pelos hereges, era frequentemente vítima de atentados. Quantos impios não foram surpreendidos ao tentarem cravar em seu corpo espadas e punhais, sendo impedidos pela cota de malha que o prudente homem de Deus vestia sob seu hábito!
Entretanto, alguns homens, meticulosamente instruidos, arranjaram um modo de acabar com o principal obstáculo das heresias. Em uma noite, rezava o santo na Catedral de Zaragoza Àquele que lhe foi durante toda a vida objeto de maior devoção: o Santíssimo Sacramento. Mas, ao contrário do que pensava, não estava só. Quatro homens armados de gladios estavam escondidos, esperando o momento para atacá-lo. Passado certo tempo, quando perceberam que São Pedro estava inteiramente atento à Sagrada Eucaristia, foram em direção a ele, passo ante passo, silenciosamente aproximaram-se dele, e introduziram as armas no único vão existente na cota de matha, na região do pescoço.
Imediatamente saíram correndo, enquanto o corpo caiu no chão, formando uma imensa poça de sangue, ao passo que as espadas permaneceram miraculosamente suspensas no ar, e até hoje se veneram nesse local. Ao amanhecer, um sacerdote da região foi abrir a catedral, e encontrou no chão o corpo do grande defensor da Fé. Sem hesitar, sua primeira providência foi celebrar uma Missa pelo santo, com o corpo ali presente. Entretanto, no momento da elevação, o sacerdote ouviu um pequeno ruído, e percebeu que, como último preito de devoção, o sangue ali jazente fervia a ponto de borbulhar!

Dessa maneira foi martirizado o grande São Pedro Arbués, protetor da Fé, defensor dos verdadeiros católicos de seu tempo e modelo de devoto do Santíssimo Sacramento. Possa o seu exemplo inspirar a devoção Eucarística.
Arautos do Evangelho - Chez nous

terça-feira, 11 de abril de 2017

O martírio de São Filemon

No ano de 287, o então Imperador Romano, Diocleciano, promoveu uma feroz perseguição aos cristãos. Jurara extirpar da face da Terra a religião de Jesus Cristo e, para isso, ordenou a todos os governantes das províncias que se empenhassem nesta tarefa.
Ariano, governador da Tebaida e grande amigo de Diocleciano, logo deu início à perseguição. Queria com isso agradar ao Imperador, sabendo que seria prontamente gratificado.
Espalhou guardas pela cidade e aprisionou muitos cristãos.
Um diácono, de nome Apolônio, vendo os cruéis e terríveis tormentos que se preparavam para os cristãos aprisionados, temeu por sua fragilidade e, para tentar fugir ao perigo de negar a Cristo, achando que não teria bastante ânimo para declarar-se cristão, inventou uma saída.
Havia em sua cidade um menestrel de nome Filemon. Insigne por suas brincadeiras, tocando maravilhosamente a sua flauta, era amado por todo o povo da Tebaida.
Apolônio mandou chamá-lo, e propondo-lhe certa quantia de ouro pediu que ele se apresentasse disfarçado em seu lugar, para prestar homenagem aos ídolos.
Filemon aceitou o encargo e deixando suas flautas em casa de Apolônio, tomou a sua capa e compareceu à presença do governador Ariano.

sábado, 1 de abril de 2017

São Cristóvão

Antes de seu batismo chamava-se “Reprovado”, depois recebeu o nome de Cristóvão, porque ele levou o Cristo de quatro formas: sobre seus ombros, para o fazer passar pelo rio; em seu corpo, pela mortificação; em seu coração pela devoção e sobre seus lábios pela confissão e pregação.
Sua festa é comemorada no dia 25 de julho e seu martírio deu-se no ano de 254, na cidade de Lícia.
Cristóvão era um homem gigantesco e de um terrível aspecto.
Um dia, em que ele se encontrava junto de um rei, lhe veio ao espírito o desejo de procurar o maior príncipe do mundo e de permanecer junto dele a seu serviço.
Ele se apresenta a um rei muito poderoso que tinha em toda parte a reputação de não ter ninguém que o igualasse em grandeza. Vendo-o, o rei o acolheu com bondade e o fez ficar em sua corte.
Ora, certo dia um bulhão cantava em presença do rei uma canção onde freqüentemente se repetia o nome do diabo; o rei, que era cristão, fazia um sinal da cruz, cada vez que ouvia pronunciar esse horrível nome. Cristóvão notando isso, ficou muito impressionado por esta ação e do significado de tal ato.
Interrogou o rei sobre isto, mas este não queria lhe responder, furioso, disse Cristóvão:
- Se vós não me disserdes, eu não ficarei mais convosco!
O rei, constrangido e até com um certo medo, disse:
-- Eu me muno deste sinal, diante de algum diabo que eu ouço nomear, no temor de que ele tome poder sobre mim e me prejudique.
Cristóvão lhe respondeu:
- Se vós temeis o diabo, é ele, evidentemente, maior e mais poderoso do que vós! A prova é que vós tendes um terrível medo dele. Eu estou, portanto, bem enganado em meu intento, eu pensava ter encontrado o maior e mais poderoso senhor do mundo; mas agora eu vos dou adeus, pois eu quero procurar o próprio diabo e o tomar por mestre e fazer-me seu servidor!
O rei tentou de todas as maneiras dissuadi-lo de tal intento, mas Cristóvão, ou melhor, o Reprovado, pôs termo à discussão com um grito:
- Já estou decidido, é assim que vou fazer!
Reprovado deixa o rei e começa a procurar o diabo.