quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

São Martinho I

Varão de espírito nobre, muito inteligente e culto, São Martinho I foi sujeito a uma das maiores humilhações a que um Papa tenha sido exposto, desde o começo da história do Pontificado. 
Vejamos os comentários que Plinio Corrêa de Oliveira:
Vamos analisar uma nota biográfica referente a São Martinho, Papa e mártir.
Condenado à morte por defender a verdade
São Martinho I sucedeu a Teodoro, no ano 649.
A alma do novo Papa deveria ser grande para suplantar as grandes dificuldades do momento. Para salvar especialmente as Igrejas do Oriente, devia anatematizar a heresia monotelista. E foi o que fez o novo Papa.
Imediatamente, por ordem do Imperador Constante II, foi preso numa emboscada e transportado num navio para o Oriente. Sofreu horrivelmente durante a viagem. Ao chegar a Constantinopla estava em extremo grau de debilidade; mesmo assim, manietado, arrastaram-no ao tribunal, chamaram testemunhas falsas que depuseram contra o Pontífice acusando-o de traidor e herético. Depois de condená-lo, carregaram-no para junto das cavalariças imperiais, onde se reunia incontável multidão.
São Martinho foi alçado a um terraço para que Constante pudesse vê-lo da sacada de seu palácio; depois o juiz que havia presidido o tribunal aproximou-se do ancião mofando:
— Viste como Deus te livrou de nossas mãos, eras contra o imperador. Deus te abandonou.
Em seguida ordenou aos soldados que rasgassem as vestes do Papa e lhe arrancassem os calçados. Entregando-o ao prefeito, recomendou-lhe que o fizesse em pedaços.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

BEATA ELISABETH CANORI MORA


Beatificada por João Paulo II em 24/4/1994. Um retrato no-la mostra aos 22 anos, como uma muito distinta jovem senhora. Filha de uma boa família romana, ela foi educada no recolhimento de um convento. Voltando a Roma com 17 anos, foi logo introduzida na sociedade. Lá, como ela mesma o diz, “esquecida de Deus” e “prisioneira dos nadas do mundo”, ela cedeu a “sua tendência de bem vestir-se, de procurar a boa sociedade, a querer ser uma mulher importante”. Ela se casou com a idade de 22 anos com um jurista de bela aparência, Christofero Mora, também abastado e de boa família romana. Ela deu à luz quatro filhas; duas das quais morreram depois do parto.
Entretanto, o matrimônio “não foi feliz”: seu marido tomou cedo uma concubina e tornou-se um perdulário que cada vez mais negligenciava a mulher e as filhas. Aos 27 anos, Elisabeth teve uma crise. Uma doença do estômago a leva aos bordos da sepultura; ela recebe a Unção dos Enfermos. Esta provação, diz ela, “levou-a a abandonar “os nadas” deste mundo. Em oração implorei sem descanso misericórdia e perdão. Eu esperava unicamente nos méritos de Jesus. Eu me ofereci inteiramente a Ele. Eu Lhe consagrei toda minha pessoa para a vida e para a morte...”
Ela se restabeleceu. Deus não é mais esquecido ou degradado como coisa colateral, mas o centro de sua vida. “Deus pôs novamente minha vida inteiramente em ordem, eu me ofereci a ele para seu santo serviço”. Ela pode dizer “Tu me venceste, santo Amor; Tu venceste a dureza de meu amor-próprio”.
Na presença de Deus ela formou o propósito de “praticar a mansidão e nunca ficar aborrecida pelas ofensas do próximo — não desejar o que serve meu interesse pessoal, mas em todos os instantes da vida cumprir a santa vontade de Deus —, de praticar as virtudes da castidade, da pobreza, da obediência, da humildade, da mortificação e da penitência”.
No amor de Jesus Cristo ela permanece fiel a seu marido; ela não se deixa separar dele também internamente: “A mulher com a qual ele se casou, lhe pertencerá para sempre e com ela sua família e sua casa. As portas da casa estão sempre abertas...” Ela reza e se sacrifica por ele; ela educa suas filhas nesse sentido. Entretanto, ela não dá seu consentimento à relação adúltera que ele quer fazê-la aceitar. Irritado com isso, ele reage com brutais maus tratos, com caçoadas e desprezo pela sua religiosidade. Ela, contudo, profetiza: “Depois de minha morte, tu voltarás a Deus e O honrarás”. No amor de Jesus Cristo ela está também livre de inveja e de ódio pela amante de seu marido; ela reza ao Senhor para que “ela possa encontrar no Céu a amada de meu marido”. Ela vende todos seus bens para poder pagar um tratamento a seu esposo e para preservá lo da prisão por dívidas. Finalmente, trabalha como costureira para sustentar a família.
Como sua conhecida, a bem aventurada Ana Maria Taigi, ela se torna Terciária da Ordem dos Trinitários e se dedica aos pobres e aos doentes e às famílias em necessidade. Misticamente favorecida, tem visões sobre o futuro da Igreja, rezando e se sacrificando pelos interesses desta.
Por ordem de seu confessor, ela relata por escrito a história de sua alma e suas experiências espirituais; são 1.160 páginas manuscritas.
Elisabeth morre a 5 de fevereiro de 1825 nos braços de sua filha Luciana. Ela ainda recomenda a suas filhas: “Não esqueçais o respeito e a consideração que deveis a vosso pai”. Depois de sua morte, Christoforo Mora se converte; e morre como sacerdote dos Franciscanos Conventuais.
Fontes:
Der Fels, junho de 1994 (tradução).
AAS 20 (1928) 111. — Antoni Pagani, “Biografia della Ven. Elisabeth Canori Mora”; Roma 1911.

Traduzido para o alemão e publicado sob o título “Die Visionariu Rom”, Theresia Verlag, CH 6423 Suwies   Suíça

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Santo Isidoro de Sevilha

Pausados, graves e solenes, os sinos da Igreja de Santa Cruz de Jerusalém, a principal de Sevilha, anunciavam a partida deste mundo de seu Arcebispo Isidoro, admirável por sua ciência, por seus escritos e, sobretudo, por sua integridade de vida. Era o dia 4 de abril de 636. Revestido das insígnias episcopais e tendo sobre o peito o livro dos Santos Evangelhos, o corpo repousava no presbitério e o povo, em prantos, comprimia-se para prestar-lhe suas filiais homenagens. Por fim foi conduzido à Igreja de São Vicente e sepultado entre Leandro e Florentina, seus irmãos na carne e na santidade.
Quem era este Isidoro, de família tão abençoada e cuja morte tanto se lamentava?
Hordas bárbaras irrompem no Império
Desde o início do século IV, e com mais intensidade no transcurso do século V, o outrora tão poderoso Império Romano tornava-se cada vez menos capaz de conter o avanço das hordas bárbaras que irrompiam por todos os lados em seu território, saqueando, queimando e destruindo por onde passavam. E como julgavam ser a cultura a causa da decadência daquele povo antes tão aguerrido, os bárbaros demonstravam especial empenho em fazer desaparecer os livros que encontravam.
Entretanto, pior que a destruição material eram os empecilhos causados pelos invasores - pagãos ou arianos - ao desenvolvimento da Igreja Católica, que mal acabara de conseguir a liberdade de ação, concedida pelo Edito de Milão, em 313, pelo imperador Constantino.
Com muita frequência os povos bárbaros guerreavam entre si, pela conquista ou pela manutenção de algum território. Foi o que aconteceu na Península Ibérica, disputada por alanos, suevos, vândalos e visigodos. Estes últimos, aliados a Roma, acabaram por dominar a situação e manter a região sob seu domínio.
Fundamentos da formação de um sábio

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Santo Annon

Santo Annon, bispo e confessor, é um dos grandes e pouco conhecidos Santos da Idade Média.
Pessoa de trato verdadeiramente agradável
Santo Annon é um dos grandes santos dos primeiros anos do Sacro Império Romano Alemão. Seus altos feitos ficaram registrados não só na História, como na Literatura, pois sobre a sua vida foi escrito um poema em 876 versos, clássico da literatura medieval alemã.
Professor da escola de Bamberg, Arcebispo de Colônia e Chanceler do Sacro Império, fundador de mosteiros, a ele se deve também, em grande parte, a introdução da reforma cluniacense na Alemanha.
Era uma personalidade invulgar. De porte majestoso, bem proporcionado, seus contemporâneos o descreviam como um belo homem, grande orador, e não menor causeur1, suas aulas e sua prosa prendiam a atenção de todos os que o ouviam, nele admirando não só a ciência, como a ortodoxia de seu pensamento. A amenidade de seu trato e a extraordinária, e mais tarde legendária, energia impunham a todos respeito e veneração.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Santa Luzia

Santa Luzia, não querendo abandonar a fé verdadeira, nem macular sua virgindade, enfrentou seus perseguidores, para assim testemunhar com o martírio o que disse: "Tenho o meu patrimônio em lugar seguro. Jamais privei com corruptores, nem de alma, nem de corpo".

(Pe. René François Rohrbacher, Vida dos Santos)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Santa Catarina de Alexandria

No dia 25 de novembro, comemoramos a festa de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir.Sobre a morte da Santa Catarina, o Abbé Daras, na "Vida dos Santos", traz a seguinte narração:
"Maximiliano, imperador, ordenou a morte de santa Catarina. Foi ela conduzida ao lugar do suplício em meio a uma multidão, sobretudo de mulheres de alta condição, que choravam a sua sorte. A virgem caminhava com grande calma. Antes de morrer, fez a seguinte oração:
“Senhor Jesus Cristo, meu Deus, eu vos agradeço terdes firmado meus pés sobre o rochedo da fé e terdes dirigido meus passos na via da salvação. Abri agora vossos braços feridos sobre a cruz, para receber minha alma, que eu sacrifico à glória de Vosso Nome.
Lembrai-vos, Senhor, que somos feitos de carne e sangue. Perdoai-me as faltas que cometi por ignorância e lavai minha alma no sangue que vou derramar por vós.
Não deixeis meu corpo, martirizado por vosso amor, em poder dos que me odeiam.
Baixai vosso olhar sobre esse povo e dai-lhe o conhecimento da verdade.
Enfim, Senhor, exaltai em vossa infinita misericórdia aqueles que Vos invocarão por meu intermédio, para que Vosso Nome seja para sempre bendito.
Em seguida mandou que os soldados cumprissem as ordens, e sua cabeça foi decepada de um só golpe.
Era o dia 25 de novembro. Numerosos milagres logo foram constatados. Os anjos, como ela o desejara, transportaram seu corpo para a santa montanha do Sinai, a fim de que repousasse onde Deus escrevera sobre pedra sua Lei, que ela guardava tão fielmente escrita em seu coração".

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

São Francisco Xavier e a ressurreição da filha de um homem rico


A história afirma que quando São Francisco Xavier se achava em Cangoxima, no Japão, fez um grande número de milagres, o mais notável dos quais foi a ressurreição duma rica dama. Esta donzela morrera na flor da idade, e o pai, que a amava ternamente, estava a ponto de enlouquecer. Como ele era idólatra, não encontrava lenitivo para a sua aflição, e os seus amigos que iam consolá-lo não faziam mais do que aumentar a sua dor. Dois neófitos que o foram ver, antes de se proceder ao funeral daquela que ele chorava noite e dia, aconselharam-no que procurasse socorro junto do santo homem que fazia tão grandes coisas e pedisse-lhe, com confiança, a vida de sua filha.
O pagão, persuadido pelos neófitos de que nada era impossível ao bonzo da Europa, e começando a manter uma esperança contra todas as aparências humanas, como acontece de ordinário aos aflitos, que creem facilmente em quem os consola, foi procurar o Padre Francisco, lançou-se aos seus pés, e pediu-lhe com as lágrimas nos olhos que ressuscitasse uma filha única que acabava de perder, acrescentando que seria restituir-lhe a vida a ele mesmo.
Xavier, condoído da fé e da aflição do pagão, retirou-se com o seu companheiro Fernandes para orar a Deus, e voltando pouco tempo depois, disse ao pai inconsolável:
 ── Ide que vossa filha está viva.
O idólatra, que esperava que o Santo fosse com ele à sua casa, e invocaria o nome do Deus dos cristãos sobre o corpo de sua filha, tomou aquelas palavras por zombaria e retirou-se descontente. Mas apenas tinha dado alguns passos, viu um dos seus criados, que, todo cheio de alegria, lhe gritou de longe, dizendo-lhe que sua filha estava viva. E viu-a daí a pouco, porque ela correra ao seu encontro. Depois dos primeiros abraços, a filha contou a seu pai que, apenas entregara a alma, dois demônios horríveis se apoderaram dela e a quiseram precipitar num abismo de fogo; mas dois homens de aspecto nobre e modesto a tinham arrancado das mãos daqueles dois carrascos e lhe restituíram a vida, sem que lhe fosse possível dizer como isso se fizera.
O japonês compreendeu quais eram aqueles dois homens de quem lhe falava a filha, e conduziu-a logo a Xavier, para Lhe testemunhar o seu agradecimento, como era devido a um tamanho favor; e apenas ela viu o santo com o seu companheiro Fernandes, exclamou:
  Eis os meus dois libertadores!
E no mesmo instante pai e filha pediram o batismo.

Schouppe, S.J., Pe. F. X., "O Dogma do Inferno", trad. bacharel formado em Teologia na Universidade de Coimbra, Liv. Católica Portuense, Porto, 1896, p.5.