terça-feira, 4 de março de 2008

Santa Teresa d’Ávila, um exemplo perfeito da fé que frutifica em obras

Exímio formador da juventude, o Mons. João Clá aproveitou a festa de Santa Teresa d’Àvila para propô-la como exemplo às integrantes do setor feminino dos Arautos do Evangelho, narrando alguns fatos da vida desta grande doutora da Igreja.

[i]Hoje é festa de Santa Teresa d’Ávila. O coração dela está intacto, colocado num escrínio em Alba de Tormes, onde ela morreu. Há outras relíquias dela no convento carmelita de Ávila, onde ela sofreu muitíssimo. Ela fundou e reformou conventos, mas ela passou a vida inteira tentando reformar o convento de sua cidade natal e não conseguiu. Morreu sem conseguir reformá-lo. Só na época de Pio XII é que o convento aceitou as reformas trazidas por ela.

Ela é uma santa profundamente mística. É de arrepiar de tantas graças místicas! Para começar, o coração dela, que está intacto, foi reverberado. Vê-se no coração o sinal de uma flecha que entrou de um lado e saiu do outro. E é uma flecha mística, o que acontece só com raríssimos santos, que são tomados por uma experiência tão grande do amor a Deus que têm seu coração reverberado. Ou seja, o coração é tomado de amor a Deus de uma forma tal que é como se fosse transpassado pela flecha do amor de Deus; e é fisicamente transpassado mesmo. Ela tem milagres e discernimentos extraordinários.

Ela era da escola de São João da Cruz, carmelita e um dos confessores dela. Por exemplo, eu fui visitar uma sala do convento de São José, e a freira que estava me mostrando contava que naquela sala tinha-se dado o seguinte episódio: uma freira estava procurando Santa Teresa; procurava em todos os locais, abria uma porta, abria outra, abria outra, e não a encontrava.

— Madre Teresa! “Onde é que está Madre Teresa?”.

E nada. Até que resolveu abrir a porta dessa sala e viu Santa Teresa e São João da Cruz, no alto, em levitação. Ela fechou a porta e disse: “É um perigo confessar-se com Frei João da Cruz, porque não só ele entra em êxtase, como obriga o penitente a entrar em êxtase também!”

E, assim, há episódios extraordinários da vida dela. Certa vez ela ganhou um ducado. Um ducado era a mais alta moeda do reinado daquele tempo; um ducado espanhol, no século XVI, era uma moeda de ouro, o que hoje deverá valer seus oitocentos reais. Com oitocentos reais pode-se fazer alguma coisa, mas não dá para construir um mosteiro. Santa Teresa tomou o ducado e disse:

— Vamos construir um mosteiro!

Uma freira que estava do lado dela disse:

— Madre Teresa, só com um ducado não dá para construir um mosteiro!

Santa Teresa respondeu:

— É verdade. Mas, Teresa, mais um ducado, mais Deus, resulta um mosteiro.

Era aquela fé impressionante que tinha Santa Teresa.

A memória de Santa Teresa, no nosso lecionário, diz o seguinte:

Morreu em 15 de outubro de 1582.

Ela morreu com sessenta e sete anos.

Mulher dotada de extraordinários dons, tanto de espírito quanto de coração. Entrou aos vinte anos no Carmelo de Ávila, onde concebeu e realizou a reforma que recebeu o seu nome: a reforma teresiana. Uniu à mais alta contemplação uma intensa atividade como reformadora da Ordem Carmelita.

É a fé com as obras.

Depois do Mosteiro de São José em Ávila, com a autorização do geral da Ordem, dedicou-se apaixonadamente a outras fundações e pôde estender a reforma também ao ramo masculino.

Ela reformou até o ramo masculino. Aí nós vemos que quando a mulher quer, ela pode! Quando quer e quando fica santa, pode. Mas precisa ser santa! E santa a la Santa Teresa, porque ela dizia para as freiras dela: “Sede varões!” Não ficar chorando por qualquer coisa, cheia de moleza, nada disso, ser forte!

Fiel à Igreja, no Concílio de Trento contribuiu para a renovação da comunidade eclesial. Deixou na sua biografia e nos seus escritos de espiritualidade um documento de profunda experiência mística. Paulo VI declarou-a Doutora da Igreja em 27 de setembro de 1970.

Sendo hoje festa de Santa Teresa, as graças que foram derramadas através dela na época que estava viva e, portanto, as graças que ela obteve para os mosteiros que ela fundou ou reformou, as graças que ela obteve inclusive para a Cristandade, para a Igreja Católica, para o Corpo Místico de Cristo, no momento em que ela estava viva, dessas graças nós podemos participar hoje.

Por isso, peçamos que Santa Teresa nos ajude a reformar-nos como ela reformou o Carmelo. É muito mais fácil ela reformar a nossa alma do que reformar o Carmelo. Quem faz o mais, faz o menos. Então, que ela faça esse menos, que reforme a alma de cada uma!

[i] Trecho de reunião de 15/10/2005, adaptado à linguagem escrita, publicado sem revisão e conhecimento do autor.

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