sexta-feira, 13 de abril de 2012

Grigio, o protetor de Dom Bosco

Passou para a História um cão singular que salvou a vida de São João Bosco em diversas ocasiões. Seria mesmo um simples animal?
Por incrível que possa parecer, São João Bosco teve muitos inimigos, recebeu inúmeras ameaças e sofreu vários atentados. Sacerdote exemplar em tudo, nunca andou armado. A Providência Divina o defendeu sempre nos momentos de perigo. De que modo? Entre outros, servindo-se de um misterioso cão, de grande porte, focinho longo e orelhas tesas, parecido com um lobo. Por causa de sua cor cinza, recebeu o nome de Grigio, “Cinzento” em italiano.
“Vou morrer! Vou morrer!”
Numa noite de 1852, voltando sozinho para casa, o Santo percebeu que um bandido o seguia a poucos passos de distância, pronto a agredi-lo. Dom Bosco pôs-se a correr, mas, pouco adiante, deparou-se numa esquina com o resto do bando que lhe barrava o caminho. Parou de improviso e fincou o cotovelo no peito do primeiro agressor, que caiu por terra gritando: “Vou morrer! Vou morrer!”
O bom êxito da manobra salvara-o de um perseguidor, mas os outros avançaram ameaçadores. Nesse instante surgiu o cão providencial. Saltava de um lado para outro, dando latidos aterradores com tamanha fúria que os malfeitores tiveram de pedir a São João Bosco para acalmá-lo e mantê-lo junto de si, enquanto eles tratavam de fugir.
Um cão capaz de “prever o futuro”
Em outra ocasião, seu protetor o impediu de sair de casa. Era noite, e Dom Bosco precisava sair.
Mama Margarita procurou dissuadi-lo, mas ele a tranquilizou, pegou o chapéu e já ia saindo, acompanhado por alguns rapazes. No portão, encontraram o Grigio estendido no chão.
— Oh, o Grigio, tanto melhor, estaremos bem acompanhados! Levanta-te e vem conosco, disse o Santo.
Porém o cão, em vez de obedecer, rosnou e não se mexeu. Um dos rapazes o fustigou com o pé para ver se conseguia levantá-lo, mas ele arreganhou os dentes ameaçadoramente.
Mama Margarida disse então ao filho:
— Não quiseste ouvir-me, ouve agora o cão: não saias a esta hora!
Para satisfazer o desejo da mãe, Dom Bosco retornou à casa. Pouco depois, apareceu correndo um vizinho para preveni-lo de que não saísse naquele momento, pois quatro indivíduos armados rondavam pelos arredores, decididos a matá-lo.
O fato foi confirmado mais tarde por pessoas dignas de fé. Esse cão capaz de “prever o futuro” e agir em consequência era mesmo um simples animal irracional? O Fundador dos Salesianos não responde a esta pergunta. Mas ele fez a seus discípulos uma interessante narração, que transcrevemos abaixo com suas próprias palavras.
Relato de Dom Bosco
O Grigio foi assunto de muitas conversas e hipóteses várias. Muitos de vós o vistes e até acariciastes. Deixando de lado as histórias peregrinas que dele se contam, vou expor a pura verdade.
Por causa dos frequentes atentados de que eu era alvo, fui aconselhado a não andar sozinho ao ir à cidade de Turim ou de lá voltar.
Numa tarde escura, regressava para casa, com certo medo, quando vejo ao meu lado um enorme cão, que à primeira vista me assustou; como, porém, fazia-me festa como se eu fosse seu dono, travamos de imediato boas relações, e ele me acompanhou até o Oratório.
O que aconteceu naquela tarde repetiu-se muitas vezes, de modo que posso dizer que o Grigio me prestou importantes serviços. Vou relatar alguns.
Regressei bem escoltado ao Oratório
Em fins de novembro de 1854, numa tarde escura e chuvosa, voltava da cidade, pela rua da Consolata. Em determinado ponto percebi que dois homens caminhavam a pouca distância na minha frente. Aceleravam ou diminuíam o passo, toda vez que eu acelerava ou diminuía o meu. Quando, para não me encontrar com eles, tentava passar para o lado oposto, eles com grande habilidade colocavam-se à minha frente. Quis voltar sobre meus passos, mas não houve tempo: dando dois pulos para trás, lançaram-me um manto sobre o rosto. Um deles conseguiu amordaçar-me com um lenço. Queria gritar, mas já não podia.

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