sábado, 17 de março de 2012

São José

O Santo do Silêncio

De fato, Nosso Senhor foi chamado o “filho de José” (Jo 1, 45; 6, 42 e Lc 4, 22), o carpinteiro (Mt 13, 55), mas o Evangelho pouco fala de seu pai adotivo. São José é cognominado o “Santo do Silêncio”, pois não conhecemos palavras proferidas por ele mesmo, mas tão-somente suas obras e atos de fé, amor e proteção para com sua amadíssima esposa e o Menino Jesus. Entretanto, foi um escolhido de Deus e desde o início recebeu a graça de ir discernindo os desígnios divinos sobre si, por ser São José, Pai adotivo de Jesus chamado a guardar os mais preciosos tesouros do Pai Celestial: Jesus e Maria. Patrono da vida interior, é ele um exemplo de espírito de oração, sofrimento e admiração. Sendo o chefe da família, admirava sua esposa virginal, concebida sem a mancha do pecado de Adão, e o fruto de suas entranhas, Deus feito homem, muito maiores que ele mesmo.

Uma missão: ser guardião da Sagrada Família

As fontes seguras que falam da vida de São José são os primeiros capítulos dos Evangelhos de São Mateus e São Lucas: a sua genealogia e sua descendência da casa de Davi (Mt 1, 1-17 e Lc 3, 23-38) e o fato de ser esposo de Maria Santíssima, a Virgem Mãe do Messias (Mt 1, 18 e Lc 1, 27).

Mas há uma antiga tradição que conta o belíssimo episódio de seu desposório com Nossa Senhora. Diriam os italianos: si non è vero è bene trovato (mesmo se não for verdade, está bem achado). Consta que Nossa Senhora estava no Templo, já em idade de casar-se. Ela também pertencia à estirpe de Davi. Entre seus pretendentes, foram selecionados alguns, das melhores famílias, dos mais virtuosos de Israel. Cada um levava em sua mão um bastão de madeira seca. No momento da escolha, o bastão de José floresceu milagrosamente, nascendo belos lírios em sua ponta, símbolo da pureza que ele havia prometido guardar para sempre. Este fato deu segurança a Maria, que também havia feito promessa de virgindade. O guardião da Sagrada Família encantou-se com a decisão de sua esposa, uma vez que ele havia tomado igual resolução.

Fazendo jus ao grande elogio que a Escritura faz dele: “José era um homem justo” (Mt 1, 19), quando percebeu que sua esposa esperava um filho, sem compreender o que acontecera, não desconfiou da pureza dEla. Por isso decidiu abandoná-La e não denunciá-La, conforme mandava a lei de Moisés. Na noite em que ia partir foi avisado em sonhos sobre a maravilhosa concepção do filho do Altíssimo e passou a amar ainda mais Aquela a quem admirava e via crescer cada dia em virtude e amor ao Criador, Aquela a quem o anjo saudou como a que “encontrou graça diante de Deus” (Lc 1, 30).

Que família admirável! à qual o menor epíteto que cabe é mesmo o de “Sagrada”, como a chama a Igreja. E estejamos certos de que ali o menor dos três era o mais obedecido, e obedecido com amor. Por quem! Pelo próprio Deus feito homem.

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