terça-feira, 29 de julho de 2014

Santa Maria Madalena e Santa Marta

Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.
“Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”. Significa que a outra escolheu a pior parte e esta lhe será tirada. Isso é evidente. Porque senão Nosso Senhor não teria insistido nesse aspecto. E nós vemos que Nosso Senhor quando se dirige a Santa Maria Madalena, Ele não diz: “Maria, Maria”. Ele diz: “Maria”. E ela imediatamente diz: “Raboni!” (cf. Jo 20, 15-16). Basta ouvir uma vez “Maria”, que ela já está inteiramente em consonância com Nosso Senhor. E no Evangelho nós vemos Nosso Senhor dizer: “Marta, Marta!” “Maria”. São pequenos detalhes que mostram um mundo por detrás.
Por que “Marta, Marta”, e por que “Maria”?
São dois estados de espíritos, são duas mentalidades; Marta ainda não está assistida pelo Espírito Santo, como mais tarde acontecerá, depois da descida do Espírito Santo – que desceu só sobre Nossa Senhora e os Apóstolos, mas também sobre os discípulos e as santas mulheres.
A preocupação principal de Marta quando recebe a visita de Nosso Senhor  - é em causar uma boa figura, a preocupação dela é de que Nosso Senhor saia contente do serviço que ela vai prestar.
Como é que nós devemos receber os peregrinos? Quando se trata de um igual, ou um pouco superior que seja, e, sobretudo um inferior que chega, nós devemos tratá-lo bem e mandar fazer pães e depois cabrito. Está ótimo. Mas quando é alguém que vem me visitar para me fazer bem, a minha maior preocupação não é estar servindo cabrito ou servindo pão, minha maior preocupação é aproveitar o bem que ele vem me trazendo.  
Alguém dirá: “Mas é isto que tem que ser feito com Nosso Senhor Jesus Cristo”. Entretanto, Ele não foi lá com o objetivo de ser servido. Ele diz: “Eu não vim para ser servido, mas vim para servir” (cf. Mt 20,28). E sendo Ele Deus, a primeira boa recepção a Ele, Deus, está na alma, está no reconhecermos que Ele é Deus e não em querer oferecer um pão ou um cabrito. O pão e o cabrito virão depois. Se, proposto a Ele: “Ó meu Deus, ó Jesus, quereis que vos sirva algo?” Este é o momento de ela ir para a cozinha e preparar alguma coisa. Antes disso não. Antes disso ela tinha que fazer o que fez Maria. 
Porém, ela reclama: “Veja minha irmã que não me vem ajudar, veja minha irmã que não quer me auxiliar”. Nosso Senhor o que é que diz?
“Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42 No entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.
Uma é necessária, a outra é secundária. Uma não é retirada, a outra é retirada. Claro, as coisas materiais vão todas embora, o que fica é o amor, o que fica é aquela admiração. A admiração passa os limites da eternidade, a admiração ultrapassa, portanto, todo e qualquer umbral que nos separa do tempo à eternidade. E o que é material, fica. E o que importa é este amor. 
Marta preocupa-se com a fama, Maria com Nosso Senhor, segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
Ora, isto para nós é uma lição extraordinária, porque nós vivemos metidos muitas ocupações. Como devem ser feitas? Sem agitação, sem preocupação. Ou seja, nosso coração deve estar posto em Nosso Senhor Jesus Cristo; sentados, nós devemos estar sentados aos pés de Nosso Senhor e nossa atenção deve estar posta n’Ele. O resto; devemos fazer? Claro, mas devemos fazer sempre com o coração posto n’Ele.
E nosso grande problema é que as coisas materiais, as coisas concretas, as coisas que atraem a nossa vista; que atraem os nossos ouvidos; que atraem as nossas mãos; que atraem o nosso prestígio; isto tudo, muitas vezes nos absorvem completamente. Marta aqui, está muito preocupada com a fama dela, com o que vai ser dito depois na sociedade; o que é que vão comentar a respeito da pessoa dela; como é que ela recebeu Nosso Senhor; como é que não recebeu; quantas preocupações vaidosas estão pela cabeça dela.
A preocupação está na glória de Deus ou na glória própria?

Façamos um exame de consciência para saber como é que nós tocamos as nossas funções. *
*Trechos adaptados, publicado sem revisão e conhecimento do autor.
Mons João Clá Dias - Homilia — 22/7/2007

Nenhum comentário: