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sábado, 16 de abril de 2016

São João Nepomuceno

 Mártir do sigilo sacramental
Ao comentar a vida de São João Nepomuceno, que exprobou do púlpito a heresia dos hussitas, Plinio Correa de Oliveira explica que João Huss e Wycliffe prepararam o campo para Lutero, o qual promoveu a I Revolução e arrastou um terço da população da Europa, devido à tibieza dos católicos.
Comentarei hoje uma ficha sobre a vida de São João Nepomuceno, presbítero e mártir.
São João nasceu em Nepomuk, Boêmia, em 1340. Quando ele nasceu, viram-se luzes extraordinárias sobre sua casa. Quando era criança, a Santíssima Virgem curou-o de uma grave moléstia.
Ordenado sacerdote, dedicou-se à pregação com grande êxito. A cidade de Praga mudou com seus sermões, que eram ouvidos por uma imensa multidão.
Venceslau IV Rei da Boêmia e Imperador da Alemanha, , nomeou-o Preboste de Witchad e deu-lhe o título de Chanceler do Reino.
Mas São João tudo recusou, continuando simples cônego regular. Entretanto, a Imperatriz escolheu-o para seu confessor, e Venceslau o encarregou da distribuição de suas esmolas.
Mas este jovem príncipe perverteu-se, tornando-se tirano de seu povo. E como sua esposa passasse horas na igreja rezando por sua conversão, foi tomado por violento ciúme, chamando São João para que lhe relatasse as confissões da Imperatriz. E assim começou o longo calvário desse santo.
Foi mais de uma vez preso e submetido a tremendas torturas. Era sempre libertado, pois o Imperador temia uma revolta popular a favor do sacerdote.
Ameaçado de morte, nada o demovia. Finalmente, numa ocasião percebeu que seu fim estava próximo. Subindo ao púlpito, começou seu discurso pelas palavras do Evangelho: “Ainda um pouco de tempo e já não mais me vereis”. E predisse, então, claramente as devastações que a heresia de João Huss faria na Boêmia.
Depois quis rezar ainda uma vez aos pés de Nossa Senhora, cuja imagem, juntamente com a Fé cristã, fora trazida para a região por São Cirilo e São Metódio.
Nesse mesmo dia, voltando a Praga, foi preso e ameaçado. Como sua constância fosse a mesma, Venceslau esperou o cair da noite e mandou que o lançassem às águas do Rio Moldava.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

São João Nepomuceno

Mártir do segredo da Confissão
 Um denodado sacerdote
João Nepomuceno nasceu na cidade de Nepomuk, em um dos vales da Boêmia, por volta do ano de 1345. Já no ano de 1370 tinha o cargo de notário na Cúria Metropolitana. Nove anos depois, foi ordenado sacerdote e nomeado pároco de São Gall. Não obstante os encargos dessa grave função, continuou seus estudos de direito eclesiástico na Universidade de Praga, na qual obteve o bacharelato. Em 1382, o arcebispo o enviou a Pádua, onde se doutorou em direito canônico, em 1387. Voltando logo em seguida a Praga, foi nomeado cônego da igreja de São Gil, mas ali permaneceu só dois anos. Em agosto de 1390, tornou-se cônego honorário da Catedral de São Vito e vigário geral dessa já então ampla e importante arquidiocese. A partir desse momento, a Providência o transformou em homem público.
Os sermões pregados por São João Nepomuceno produziram notável mudança nos costumes e assim ele foi chamado a desempenhar o cargo de confessor da Rainha. Para isso concorreram sua já conhecida virtude e a segurança doutrinária por ele tantas vezes demonstrada no púlpito.
Se, no entanto, a piedosa rainha colocava-se docilmente sob a direção espiritual de tão virtuoso sacerdote, o mesmo não se passava com o rei. Além de ser dado a violentos acessos de fúria, foi ele tomado por uma infundada desconfiança em relação à fidelidade de sua esposa. Como nada encontrasse para comprovar essa dúvida, mas seu coração mesquinho continuasse apegado a essa fantasiosa idéia, mandou trazer o confessor à sua presença e exigiu-lhe contar em detalhes o que no confessionário lhe confidenciava a rainha. Espantado pela infundada desconfiança, e muito mais pelo inaudito pedido, João Nepomuceno com firmeza o recusou, afirmando categoricamente o princípio da inviolabilidade do segredo da confissão, o mesmo até hoje mantido pela Santa Igreja:
“O que é dito dentro das santas paredes do confessionário é o mais estrito dos segredos. As palavras pelo penitente declinadas ante o sacerdote, sendo a matéria para a absolvição da alma pecadora, ali mesmo morrem. Disso tudo, somente Deus é testemunha, e o sacerdote que algo disso revelasse a um terceiro cometeria um dos mais abomináveis sacrilégios, contra o qual se levantaria imediatamente terrível excomunhão”.
A nada disso, porém, deu ouvidos o ímpio rei. Cego de furor, mandou brutalmente torturar o fiel confessor. Suportando sofrimentos terríveis, João Nepomuceno manteve-se irredutível e isso só aumentou a fúria do cruel soberano. Por fim, vendo que nada conseguiria tirar de um homem tão firme e compenetrado de sua fé, mandou os esbirros amarrarem-no e atirarem-no de uma das pontes de Praga. Assim, o intrépido sacerdote entregou sua alma a Deus, perecendo afogado nas águas do rio Moldava. Era a noite de 20 de março de 1393.
Uma controvérsia histórica
A trágica morte dum personagem tão conhecido e estimado chocou muitos habitantes da cidade, e o rei, não querendo admitir abertamente a razão pela qual mandara assassinar o Pe. João Nepomuceno, fez constar ser outra a razão de sua atitude.
Havia na Boêmia uma grande e prestigiosa abadia, a de Klandrau. Aproveitando o lapso entre a morte do antigo abade e a eleição de um novo, o monarca tencionava suprimi-la, transformando-a em uma nova sede episcopal, a qual seria entregue a um membro de sua corte. O rei tentou pressionar o vigário geral para apóiá-lo nessa ação. E como ele a isso se teria oposto violentamente, o rei declarou ser essa oposição suficiente para condená-lo à morte.
Embora algumas crônicas oficiais do reino tenham transmitido essa versão, muitas outras referem o verdadeiro motivo.
Após ser encontrado, o corpo de João Nepomuceno foi sepultado na própria catedral, onde logo passou a receber do povo as honras devidas a um mártir. Assim, tinha início um forte e saudável movimento de veneração ao sacerdote que morrera em defesa do segredo da Confissão. Estes fatos inclusive foram narrados na carta de acusação ao rei, que o arcebispo João Jenzenstein apresentou ao Papa Bento IX.
Beatificação e canonização
O Papa Inocêncio XIII o declarou beato em 1721. Posteriormente, cartas de imperadores, de bispos e de ordens religiosas, às quais se juntavam as das universidades de Viena, Praga e Blatislava, em coro pediam ao Soberano Pontífice a abertura do processo de canonização, e de fato, este foi iniciado em julho de 1722.
Anos depois, em 27 de janeiro de 1725, uma comissão presidida pelo Arcebispo de Praga, formada por algumas dignidades eclesiásticas, além de um professor de medicina e dois cirurgiões, realizou a exumação dos restos mortais do mártir. Na presença dessas autoridades, deu-se um extraordinário acontecimento.
O corpo se encontrava naturalmente desfeito pelo tempo, exceto a língua, a qual estava maravilhosamente conservada, ainda que ressequida. Então, diante de todos, começou a refazer-se, apresentando uma cor rósea como se tratasse de alguém vivo. Admirados, os presentes se puseram de joelhos, e este milagre, realizado em circunstâncias tão solenes e com testemunhas tão categorizadas, foi o quarto dos constantes no processo de canonização.
E assim, em 19 de março de 1729, na Basílica de São João de Latrão, pelas mãos do Papa Bento XIII, era solenemente elevado à honra dos altares São João Nepomuceno, mártir do segredo da Confissão, cuja festa a Igreja comemora no dia 16 de maio.