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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

São Martinho I

Varão de espírito nobre, muito inteligente e culto, São Martinho I foi sujeito a uma das maiores humilhações a que um Papa tenha sido exposto, desde o começo da história do Pontificado. 
Vejamos os comentários que Plinio Corrêa de Oliveira:
Vamos analisar uma nota biográfica referente a São Martinho, Papa e mártir.
Condenado à morte por defender a verdade
São Martinho I sucedeu a Teodoro, no ano 649.
A alma do novo Papa deveria ser grande para suplantar as grandes dificuldades do momento. Para salvar especialmente as Igrejas do Oriente, devia anatematizar a heresia monotelista. E foi o que fez o novo Papa.
Imediatamente, por ordem do Imperador Constante II, foi preso numa emboscada e transportado num navio para o Oriente. Sofreu horrivelmente durante a viagem. Ao chegar a Constantinopla estava em extremo grau de debilidade; mesmo assim, manietado, arrastaram-no ao tribunal, chamaram testemunhas falsas que depuseram contra o Pontífice acusando-o de traidor e herético. Depois de condená-lo, carregaram-no para junto das cavalariças imperiais, onde se reunia incontável multidão.
São Martinho foi alçado a um terraço para que Constante pudesse vê-lo da sacada de seu palácio; depois o juiz que havia presidido o tribunal aproximou-se do ancião mofando:
— Viste como Deus te livrou de nossas mãos, eras contra o imperador. Deus te abandonou.
Em seguida ordenou aos soldados que rasgassem as vestes do Papa e lhe arrancassem os calçados. Entregando-o ao prefeito, recomendou-lhe que o fizesse em pedaços.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Beato Carlos de Blois

A índole das instituições feudais, as quais eram hierárquicas, conduzia à santidade, enquanto as instituições que pressupõem uma igualdade completa levam ao contrário da santidade, que é o espírito da Revolução. Vejamos os comentários de Plinio Corrêa de Oliveira.
A respeito do Beato Carlos de Blois, o General Silveira de Mello, no livro “Os Santos Militares”, diz o seguinte:
Herda o Ducado da Bretanha
Carlos de Blois era filho do Conde de Blois, Guy I, e da Princesa Margarida, irmã de Filipe de Valois.
Recebeu educação esmerada e foi muito adestrado militarmente. Casando-se com Joana, filha de Guy de Penthièvre e sobrinha de João III da Bretanha, por morte deste último, Carlos de Blois recebeu, com sua esposa, o ducado como herança, no ano de 1341. Assumiu o governo dessa província com grande entusiasmo dos nobres e dos seus vassalos mais humildes.
Entretanto, o Conde de Montfort, irmão do Duque falecido, reclamou o direito à sucessão e pegou em armas para reivindicá-lo. Foi apoiado pelos ingleses, enquanto a França tomava o partido de Carlos.
O jovem Conde de Blois fez frente ao seu contendor. 23 anos durou essa luta que os ingleses sustentavam de fora.
Em 1346, no combate de La Roche-Derrien, Carlos sofreu um revés e caiu prisioneiro. Encerraram-no na Torre de Londres, onde permaneceu encarcerado durante nove anos. As orações que rezou neste cativeiro foram de molde a assegurar a continuidade do governo da Bretanha.
Nunca afrouxou seus exercícios de piedade
A Princesa Joana, sua enérgica esposa, assumiu a direção dos negócios públicos e da guerra e manteve atitude de energia pela libertação do marido.
Livre, Carlos prosseguiu com maior denodo as operações militares. Sucederam-se reveses e vantagens de parte a parte, até que por fim, em 1364, aos 29 de setembro, festa do Arcanjo São Miguel, o santo e bravo duque caiu morto na Batalha de Auray. Esta jornada heroica, última de sua vida, iniciou-a Carlos com a recepção dos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Santa Catarina de Bolonha

A fisionomia de Santa Catarina de Bolonha é distendida. O mais expressivo deste semblante está nos lábios cerrados, longos e finos, com um leve sorriso, ao mesmo tempo de afabilidade e de acolhida, como quem, com muita suavidade, mas com uma enorme transcendência, sorri de desdém de todas as coisas da vida, e diz: “Olhe, tudo isso não é nada, tudo acaba, não tem importância; a figura das coisas terrenas passa, só a eternidade fica. Eu passei por tudo, sofri todas as dores, tive todas as provações, e terminados esses sofrimentos sorrio para eles. Porque aquilo que foram mares encapelados, precipícios temíveis, montanhas intransponíveis, fica para trás. De longe, eu sorrio para tudo isso e percebo que só a eternidade é séria.”
(Plinio Correa de Oliveira)

quinta-feira, 5 de junho de 2014

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA

Canonizado em 3 de abril, São José de Anchieta reúne em sua personalidade inúmeras qualidades próprias à grande missão a que estava destinado. Aliou grandes virtudes a relevantes talentos naturais como mestre, gramático e artista. Ensinou aos índios os ofícios de pedreiro, carpinteiro e ferreiro, além de ajudá-los como enfermeiro. Seu ardor apostólico lhe valeu o elogio de “zeloso salvador 1 das almas”, feito pelo Beato Inácio de Azevedo, seu contemporâneo. No entanto, seu mais famoso título é o de “Apóstolo do Brasil”, dado pelo Administrador Apostólico Bartolomeu Simões Pereira, Prelado do Rio de Janeiro, em sua homilia durante as cerimônias fúnebres do Santo.
Um dos mais conhecidos milagres
Os relatos de sua vida são ricos em milagres, alguns dos quais bem conhecidos, como a ressurreição do índio Diogo. Este nativo morreu na vila de Santos, na casa do nobre Domingos Dias, e todos o tinham por católico. Algo surpreendente se passou no velório: o corpo do Diogo se moveu, causando grande espanto entre os presentes. Aproxima-se então Grácia Rodrigues, a senhora da casa e uma das testemunhas que prestaram juramento a respeito da veracidade do fato, e o índio lhe pede para chamar o padre Anchieta, a fim de ser batizado. Segundo ele, o Santo viera-lhe ao encontro, mandando que retornasse à vida.
Todos responderam ser impossível, pois o sacerdote se encontrava em São Vicente. Replicou Diogo dizendo estar o santo a apenas duas léguas de distância, perto de um riacho. Apesar de perplexos, alguns foram rapidamente ao local, encontrando Anchieta já a caminho. Quando chegou, o missionário ordenou ao índio que dissesse em público o motivo de sua ressurreição.
Então ele passou a narrar que os portugueses o haviam instruído na Fé cristã, sem contudo batizá-lo. Ele pensou não ser necessário o Batismo, sendo suficiente levar uma vida correta. Entre as abundantes lágrimas dos presentes, o Santo batiza-o e diz ter sido bem empregado todo o esforço de sua vida apenas para salvar esta alma.
Título singular recebido em Coimbra
Além de fatos extraordinários como esse, há aspectos menos conhecidos desta grande personalidade, como o de ser hábil poeta, cujas obras, feitas nas circunstâncias mais difíceis, manifestam o inegável talento dessa alma inocente. Qualidade essa favorecida pela formação recebida em sua juventude.
Nascido a 19 de março de 1534, em San Cristóbal de La Laguna, na ilha de Tenerife, uma das principais do famoso arquipélago das Canárias, José de Anchieta em sua primeira infância recebeu a formação dos padres dominicanos na cidade natal. Com 14 anos, embarcou para Portugal, ingressando no prestigioso e recém-formado Real Colégio das Artes, em Coimbra, orgulho do Rei Dom João III, que não poupou meios financeiros para dotá-lo dos melhores professores da Europa.
O jovem José aí se distinguiu por sua habilidade na língua latina e a facilidade em compor versos. Durante esses anos de estudos, Anchieta foi cognominado pelos amigos e professores de “Canário de Coimbra”,2 em alusão ao melodioso canto desse pássaro e ao arquipélago de sua proveniência. Mal sabia ele o quanto esse dom lhe seria um útil instrumento de evangelização no longínquo Brasil...
Antes mesmo de se tornar religioso, José consagrou sua virgindade a Nossa Senhora na Catedral de Coimbra. Posteriormente, em 1551, entraria para a Companhia de Jesus, que havia recebido a aprovação pontifícia em 1540.
Devido a problemas de saúde e seu ardente desejo apostólico, os médicos consideravam o clima brasileiro propício à sua saúde. Assim, contando apenas 19 anos de idade, chegou ele ao Novo Continente, ao qual consagraria os 44 anos restantes de sua vida.
Todos corriam para a catequese
Ao se defrontar com a realidade do Brasil, Anchieta soube se fazer pequeno com os pequenos, para assim torná-los grandes na ordem espiritual. O Canário de Coimbra, que compunha poemas latinos em estilo clássico com toda facilidade, agora se empenha em aprender a língua nativa, o que consegue em poucos meses. Escreveria ele uma gramática tupi, facilitando o trabalho dos demais missionários.
Diversas vezes em suas cartas, o Santo se refere à candura dos índios e ao modo admirativo com que ouviam as pregações. Anchieta ganhara o coração deste povo com uma catequese simples e direta.
Empenhou-se ele em escrever versos, que logo se transformaram em cantos populares na boca dos índios, transmitindo a verdade da Fé de forma inocente. Mais bonitos ainda eram os versos declamados nas peças teatrais. Anchieta não só redigia os textos, mas montava o cenário e treinava os atores, sem negligenciar os mínimos detalhes, para que a população assistisse com agrado à catequese. Nas representações teatrais, todos acorriam à Igreja, deixando as aldeias vazias. Desta forma, o Santo fazia com que os espíritos daqueles novos católicos se elevassem contemplando as maravilhas da Fé.
Entre as mais famosas peças encontra-se a de São Lourenço, provavelmente apresentada em Niterói, a 10 de agosto de 1583, na qual figuram Anjos, demônios, imperadores romanos, São Lourenço, São Sebastião — padroeiro do Rio de Janeiro —, e personagens como o Temor de Deus e o Amor a Deus. Os assistentes ficavam na ponta dos pés de entusiasmo, tudo sendo interpretado pelos próprios nativos.
Podemos imaginar a reação do auditório ao ouvir as seguintes palavras pronunciadas em língua tupi pelo Anjo da Guarda, logo após aprisionar os demônios: “Alegrai-vos, / filhos meus, por mim. / Aqui estou para vos proteger. / Vim do Céu / para junto de vós / a ajudar-vos sempre. / Iluminando esta aldeia / junto de vós estou. / Não me afastarei daqui. / De custodiar a aldeia / encarregou-me Nosso Senhor”.3
O enorme esforço para a realização de obras desse porte, com os parcos recursos disponíveis, era recompensado pelos frutos espirituais colhidos naquelas almas sedentas de Deus.
Versos que se tornavam o encanto dos índios
Os cânticos com rimas improvisadas eram muito do agrado dos indígenas. E ainda hoje, no imenso Brasil, em algumas regiões se observa a herança desse costume em canções populares.
Esta forma de cântico requer destreza de pensamento, a qual nunca faltou ao Canário de Coimbra. Acompanhando os gostos daquelas almas, Anchieta escrevia versos que se tornavam o encanto dos índios.
Um bom exemplo desse tipo de literatura encontramos na poesia composta em honra de Santa Inês, em simples quadras rimadas, que mostram a candura de sua alma:
“Cordeirinha linda, / como folga o povo, / porque vossa vinda / lhe dá lume novo. / Cordeirinha santa, / de Iesu querida, / vossa santa vinda / o diabo espanta. / Por isso vos canta, / com prazer, o povo, / porque vossa vinda / lhe dá lume novo”.4
As encenações teatrais, os poemas, as cantigas, tudo tinha como objetivo a glória de Deus e o bem das almas. São José de Anchieta elevava os índios de sua vida banal para os grandiosos panoramas da fé. Em suas cartas, mais de uma vez declara que essas pobres almas muitas vezes se adiantavam na prática da Fé Católica aos seus colonizadores. Eram as graças dispensadas pela Divina Providência a esta nação nascida sob o signo da Cruz de Cristo estampada nas naus de Cabral.
O eficaz apostolado realizado por Anchieta defluía de sua santidade. Eram justamente a vida ilibada do apóstolo e a sabedoria de suas palavras que moviam os índios à conversão, como atesta este bonito fato narrado por Pero Rodrigues, contemporâneo do Santo: “Ouvindo-o um dia pregar, uma mulher simples, com muita devoção, usou desta semelhança: ‘o Espírito Santo põe na boca do padre o que há de dizer, assim como a pomba na boca do filhote o que há de comer’”.5
Cativo na “cova dos leões”
Podemos pensar ter São José de Anchieta escrito seu mais belo poema em um momento de reflexão e de calma. Mas não foi assim.
Os calvinistas de origem francesa estabelecidos no Rio de Janeiro, em 1555, haviam feito acordo com os ferozes tamoios contra os portugueses estabelecidos ao sul. E para evitar ataques que poderiam causar pavorosos estragos tanto entre os portugueses como entre os índios católicos, procurou-se chegar a um armistício com os tamoios. A fim de garantir as negociações de paz, ofereceram-se como reféns o padre Manuel da Nóbrega acompanhado por José de Anchieta, que nessa época ainda não era sacerdote, mas já se tornara modelo de virtude que inspirava respeito e admiração até nos inimigos.
Para tal, a 7 de maio de 1563, desembarcam os dois religiosos em Iperoig, atual Ubatuba. Entre as ameaças que sofreram, conta-se uma ocorrida na véspera da Solenidade de Corpus Christi, no dia 9 de junho. Enquanto passeavam pela praia, o padre Nóbrega e Anchieta avistaram no horizonte uma pequena embarcação suspeita e correram para alertar o cacique Pindobuçu, que atuava como seu protetor, mas não o encontraram.
Quando os malfeitores, liderados pelo índio Paranapuçu, desembarcaram com intenção de matar os religiosos, se depararam com eles rezando de joelhos diante de uma imagem de Nossa Senhora e desistiram de seu intento. Paranapuçu confessaria mais tarde que seu coração se transformou ao ver os missionários e perdeu completamente a força diante deles.
Pouco depois, em 21 de junho, o padre Nóbrega teve que retornar a São Vicente, a fim de adiantar as negociações de paz e Anchieta permaneceu sozinho por mais três meses no cativeiro como um Daniel na cova dos leões, amansando-lhes os corações.
Puro de corpo e livre no espírito
Enganar-nos-emos se pensarmos que o cativeiro de São José de Anchieta e a perspectiva de uma morte violenta a qualquer momento fossem para ele causa de temor e angústia. Pelo contrário, ele estava sempre disposto a entregar de bom grado sua vida e regar as terras brasileiras com seu sangue se o sacrifício servisse para obter almas cristãs que servissem Nosso Senhor.
O próprio padre Nóbrega se lamenta por ter deixado Anchieta sozinho, sabendo que a qualquer desentendimento entre as partes do armistício seria o suficiente para que o Santo perdesse a vida. Numa das cartas que o padre Nóbrega dirigiu ao Santo, assim se expressou: “Irmão, se ainda estais vivo...”.6 E estava! Vivo para Deus, pois a cada dia vencia uma batalha mais terrível.
Anchieta havia consagrado sua pureza à Virgem Santíssima e queria preservá-la intacta a todo custo. Consideremos, entretanto, a situação em que ele se encontrava durante o cativeiro e as provocações a que se expunha a cada momento. Certa noite estava rezando diante de um crucifixo. Aproximou-se, então, uma índia com intenções bem definidas e encontrou Anchieta de joelhos, imóvel. Chamou-lhe pelo nome, mas ele não respondeu. Depois de muito insistir, ela diz: “Estás vivo, ou morto?”. E o santo respondeu com voz firme: “Estou morto...”. Estava, de fato, morto para o pecado e vivo para Deus. A resposta foi pronunciada com tanta seriedade que a índia fugiu, gritando pela aldeia: “O Deus deste abaré [padre em língua tupi] me persegue e me quer matar”.7
O mais belo dos poemas do Santo
Mas o fator decisivo para manter sua integridade encontra-se na devoção a Nossa Senhora. Foi justamente neste cativeiro, correndo riscos físicos e espirituais, que o Canário de Coimbra escreveu seu mais belo canto: o Poema à Virgem.
São José de Anchieta prometeu à Mãe de Deus compor um poema em sua honra, caso sua alma saísse incólume de todos os perigos morais. E enquanto seu corpo era cativo dos tamoios, sua alma voava livre na contemplação da Rainha dos Céus.
Nas palavras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, “ele soube encontrar acentos próprios, para louvar a mais elevada das criaturas, Aquela que, cantada pelos profetas já antes de seu nascimento, viu-se chamar Bem-Aventurada por todas as gerações que Lhe sucederam”.8
Sobre a areia úmida da praia, traçava cuidadosamente os versos de seu poema em língua latina. Contam os índios que, enquanto ele escrevia, uma graciosa ave lhe pousava nos ombros como a inspirar-lhe a composição. Teve de memorizar os quase 5.800 versos, compostos ao longo de quatro meses, pois ali não havia tinta nem papel. Somente depois de liberto, Anchieta conseguiu transcrevê-los.
O epílogo deste poema é belíssimo e mostra a alma já vitoriosa de Anchieta: “Eis os versos que outrora, ó Mãe Santíssima, / Te prometi em voto, / vendo-me cercado de feros inimigos, / pobre refém, tratava as suspiradas pazes, / tua graça me acolheu / em teu materno manto / e teu véu me velou intactos corpo e alma. / A inspiração do Céu, / eu muitas vezes desejei penar / e cruelmente expirar desejei em duros ferros. / Mas sofreram merecida repulsa meus desejos: / só a heróis / compete tanta glória”.9
A devoção de São José de Anchieta a Nossa Senhora, tão filialmente refletida naqueles versos escritos na praia, mais do que nas areias, ficou gravada no coração do Brasil e de filhos que se tornaram profundamente marianos. Sem dúvida, o mais belo canto do Canário de Coimbra foi ter ensinado a devoção a Maria Santíssima ao povo brasileiro.
1 AZEVEDO, SJ, Inácio de, apud VICE-POSTULAÇÃO DO V. P. ANCHIETA. Vida Ilustrada do V P. . José de Anchieta, da Companhia de Jesus. Apóstolo do Brasil. 3.ed. Rio de Janeiro: Aparecida, 1939, p.112.
2 VICE-POSTULAÇÃO DO V. P. ANCHIETA, op. cit., p.13.
3 SÃO JOSÉ DE ANCHIETA. São Lourenço, apud THOMAZ, Joaquim. Anchieta. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1981, p.122-123.
4 SÃO JOSÉ DE ANCHIETA. A Santa Inês, apud: MAIA, SJ, Pedro Américo. José de Anchieta, o apóstolo do Brasil. São Paulo: FTD, 1997, p.45.
5 RODRIGUES, Pero. Vida do Padre José de Anchieta. L.I, c.5.
6 NÓBREGA, SJ, Manuel da. Carta, apud VIOTTI, SJ, Hélio Abranches. Anchieta: o apóstolo do Brasil. 2.ed. São Paulo: Loyola, 1980, p.101.
7 ASV. Cong. Rit. Anchieta, n.306,296-297, apud VIOTTI, op. cit., p.100.
8 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Discurso na Assembleia Nacional Constituinte sobre o padre Anchieta, seção de 17 de março de 1934. In: Opera Omnia. Reedição de escritos, pronunciamentos e obras. São Paulo: Retornarei, 2009, v.II, p.62.
9 SÃO JOSÉ DE ANCHIETA. De Beata Virgine Dei Matre Maria, v.5.777-5786, apud VIOTTI, op. cit., p.102.


Thiago de Oliveira Geraldo. Revista Arautos do Evangelho jun 2014

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Santa Teresa D'Avila e Santa Terezinha

Faremos um paralelo entre duas estrelas do firmamento da Igreja: Teresa de Ávila e Teresa de Lisieux.
Um dos comentários mais adequados que se poderia fazer a respeito de Santa Teresa de Jesus, a Grande, cuja festa se comemora em 15 de outubro, é o que tange à sua verdadeira grandeza de alma, e como esta difere da “imensa pequena” grandeza de Santa Teresinha do Menino Jesus.
Qualidades naturais e espirituais deslumbrantes
Quando se lê a vida de Santa Teresa tem-se uma espécie de deslumbramento que nos leva a dizer: “Trata-se de uma avultada personalidade, com todas as suas potencialidades plenamente desenvolvidas”.
Por ocasião de sua morte, um escritor, em carta a um amigo na qual contava algumas novidades, afirmou: “Morreu um grande homem, a freira espanhola Teresa de Jesus”. Tal era a impressão causada por ela a seus contemporâneos.
Possuía inteligência vasta e privilegiada, ao mesmo tempo matizada e forte, talhada para altos voos. Além disso, dotada de uma vontade firme e sensibilidade controlada por inteiro.
A essa riqueza natural a Providência acrescentou diversos dons sobrenaturais, cuja amplitude pode ser avaliada pelos fenômenos da vida mística com ela ocorridos. Ou seja, visões, revelações, êxtases, todo um especial convívio com Deus, em que se percebe o refulgir colossal da graça, causando-nos a impressão de extraordinária personalidade que verdadeiramente nos deslumbra. Foi, de fato, uma grande dama, uma grande mulher, uma grande freira e grande santa.
Tipo perfeito da religiosa matriarca
Todas essas culminâncias, como montanhas superpostas, produziam tais sensações de assombro que, durante sua vida terrena, algumas pessoas talvez sentissem certo receio de se acercar dela.
Era, em última análise, a grandeza da personalidade humana num de seus exemplares mais privilegiados na ordem da natureza, refulgindo com sublimidades da graça, e dando uma ideia completa do que seria o tipo perfeito da religiosa matriarca. Pois Santa Teresa de Jesus tornou-se uma admirável matriarca. Ela foi, como mãe espiritual, aquilo que o patriarca é como o fundador de uma linhagem. Possuía de modo invulgar quase todos os carismas e bênçãos do patriarca, a ponto de nos fazer esquecer das debilidades do sexo feminino e vermos nela uma espécie de querubim, com todas as eminências de um ser puramente espiritual.
Assim foi Santa Teresa de Jesus, a Grande, dotada de todos os recursos psíquicos que caracterizam o equilíbrio ideal: força, repouso sobre si mesmo, plenitude, que se manifestava de modo extraordinário.
Paralelo com Santa Teresinha
Santa Teresinha do Menino Jesus, pelo contrário, representa de algum modo a aurora da época em que esse tipo de personalidade surgiu. Ou seja, a família de almas pequenas, profundamente admirativas das grandes almas, pelas quais nutrem respeito, procuram imitá-las, mas compreendem que no plano natural não lhes foi concedida a mesma plenitude.
A santa de Lisieux tinha acessos de timidez, inibição e outros movimentos de alma complexos que, no âmbito humano, representam limitações. Por exemplo, quando a mãe a chamava do alto de uma escada, fazendo-o de modo risonho e acolhedor, ela a galgava num passo rápido; porém, se de maneira severa, ela ficava enregelada e não conseguia subir. Ora, se o fato ocorresse com Santa Teresa de Ávila, de uma ou outra forma, ela subiria a escada saltando os degraus.
Donde Santa Teresinha afirmar que Deus não a atraía através de fenômenos extraordinários, como visões, êxtases ou revelações, e sim por meio de pequenas coisas feitas com amor, naturalidade, com confiança ilimitada na bondade do Altíssimo.
A mesma música, com acentos de delicadeza
Santa Teresinha do Menino Jesus fundou a pequena via que não poderia ter sido vivida com mais envergadura de alma, largueza de horizonte e plenitude de santidade do que ela própria o fez. Executou a mesma música magnífica de Santa Teresa de Ávila, contudo tocada em outro instrumento, mais delicado e suave. Não obstante, no fundo com austeridade, generosidade e entrega a Deus tão grandes que, quando se lê a vida de Santa Teresinha, chega-se a esta conclusão: por mais que Santa Teresa tenha sido colossal realizando coisas extraordinárias, Santa Teresinha foi colossal fazendo coisas pequenas. E esta última característica não fica abaixo da primeira.
Trata-se da maravilhosa variedade das obras de Deus, fazendo-nos compreender que cada um de nós, procurando santificar-se naquilo para o que nasceu, deve estar tranquilo e satisfeito, pois obedece à vontade do Criador.
Deus glorificado na junção das duas Teresas
Assim entendemos como Deus é glorificado na junção dessas duas Teresas; cada uma como que representa um capítulo da história da alma humana e uma forma de santidade da Igreja.
Como disse, não se pode reputar que Santa Teresa do Menino Jesus fosse uma pessoa cheia de debilidades e carências. Porém, estava na aurora das almas da pequena via, que fazem coisas simples, comuns, modestas, despretensiosas, e podem alcançar uma grande santidade. A esse título ela deve ser considerada a que indica o caminho reto, fácil, para os pequenos. Estes, sem almejarem os grandes voos de Santa Teresa de Jesus, entretanto são capazes de tocar em alturas tão elevadas quanto ela logrou alcançar.
Eis, portanto, um paralelo estabelecido entre as duas santas. Uma se explica pela outra. Se quisermos contemplar toda a grandeza de Santa Teresa de Ávila, consideremos Santa Teresinha. Se desejarmos aquilatar a riqueza da santa de Lisieux, analisemos a vida de sua predecessora. Tais são as maravilhas de Deus que devemos admirar e cujo alcance inteiro não raro escapa ao olhar humano.
O espírito prático não se opõe à contemplação
Em geral, os fundadores das ordens contemplativas têm importante nexo com a causa contra-revolucionária, e Santa Teresa foi fundadora de um ramo da Ordem do Carmo. De fato, esta Ordem é uma só, embora esteja dividida em dois ramos (calçados e descalços).
Ao conhecermos a infatigável atividade de Santa Teresa, aliada à sua não menos intensa vida interior, compreendemos tratar-se de erro funesto pensar que o espírito prático é o oposto do contemplativo, gerando a falsa ideia de que a piedade de uma pessoa realizadora e dinâmica deve diminuir na proporção de suas obras, e que o tempo por ela dedicado à oração prejudica seus empreendimentos.
Conta-se que o abade trapista francês, Dom Chautard, autor do livro A alma de todo apostolado, certa vez se encontrou com Clemenceau, primeiro-ministro da França, e este lhe perguntou:
— Como o senhor tem tempo para fazer tanta coisa?
A resposta do religioso:
— Acrescente às minhas ocupações diárias a celebração da Missa, a leitura do breviário, outras tantas práticas de vida de piedade, e então sobra tempo para as demais atividades...
Afirmação magnífica, à qual não falta aquela precisão francesa, que diz tudo em poucas palavras.
Uma pessoa ávida dos minutos diria que dedicamos tempo exagerado à oração, e melhor serviríamos aos interesses da Igreja se comprimíssemos determinadas preces quotidianas. É uma ideia inteiramente equivocada, e o êxito notório de nosso apostolado pelo Brasil e o mundo prova que só o alcançamos porque dedicamos todo o tempo necessário à vida interior. Ou seja, se mais tempo a ela consagrássemos, resultados ainda mais práticos e eficazes seriam obtidos. E acrescento: teríamos no mais alto grau os dons para cumprir nossa missão.
Equilíbrio entre contemplação e ação
Nesse sentido, há um episódio célebre na vida de Santa Teresa de Jesus que ilustra bem como a contemplação e a ação devem estar unidas.
Certo dia recebeu ela, por obediência, ordem de preparar uma panqueca para o almoço das freiras. Para fritá-la, é necessário manusear a frigideira de modo a lançar a panqueca para o alto e fazê-la girar no ar, o que exige muita atenção de quem a prepara. Em determinado momento, entra uma freira na cozinha e vê Santa Teresa no auge de um êxtase, a face iluminada, transfigurada, e continuando a fritar a panqueca. Quando terminou sua oração, o quitute estava pronto e muito bem feito.
Vejo neste fato um belo símbolo do equilíbrio entre a contemplação e a ação. Quer dizer, quem desejar fazer boas “panquecas” em matéria de apostolado, reze fervorosamente; isto é, se orar, o apostolado dará bons frutos; sem oração, os frutos serão menores ou nulos.
Temos, assim, colhido no admirável exemplo de Santa Teresa de Jesus, um princípio de ouro que toda alma chamada a uma vocação apostólica deveria gravar e cultivar no seu interior.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A santidade ao alcance de todos


Monsenhor João afirmou que,frequentemente, quando Doutor Plinio Corrêa de Oliveira fazia comentários a respeito deste ou daquele bem-aventurado, apresentava um quadro da vida espiritual que poderia ser assim resumido: a Fé ilumina a inteligência; esta dirige a vontade a qual, por sua vez, fortalece a sensibilidade humana. Agindo dessa forma, o homem está em ordem em relação a

Deus. Os santos o conseguiram por meio de meditações, raciocínios, exercícios metódicos e cuidados persistentes, enfrentando lutas e sofrimentos extraordinários.

Dificuldade dos mais fracos
Os santos têm muita personalidade, são capazes de sofrer, de praticar atos heróicos e fazem obras que nós não conseguimos realizar. Então, que proveito podemos tirar desses exemplos?

Virtudes a serem admiradas, mais do que imitadasAntes de tudo, cumpre considerar que, em toda a História da Igreja, Deus suscita santos com virtudes tão extraordinárias que devem ser admiradas, mais do que imitadas. Exemplo frisante é o de São Simão Estilita, o qual, para fugir das atrações mundanas, subiu no alto de uma coluna e ali passou a vida inteira em oração e penitência. O que sucederia se toda pessoa com dificuldades em cumprir os Mandamentos, ficasse o dia inteiro rezando sobre uma coluna?
Não haveria colunas que bastassem. Além disso, o número de colunas abandonadas seria imenso...
Sem dúvida, o procedimento de São Simão Estilita é um modo admirável de praticar a virtude. Não há palavras que possam exprimir nosso respeito e enlevo por um homem que permanece durante anos no alto de uma coluna, não pensando em outra coisa senão em Nosso Senhor e nas verdades eternas. Contudo, se o desígnio de Deus para a maior parte dos homens não é o de imitar São Simão Estilita, a admiração pelo santo deve levá-los a praticar virtudes menores, ou pelo menos de modo menos excepcionalmente heróico.
Cada um poderia dizer a si mesmo: “Claro está, não posso chegar ao grau de virtude que São Simão Estilita atingiu, mas desejo caminhar nessa direção.”
Ora, se esse anelo nasce em nosso interior, significa que aquele santo é uma espécie de precursor de milhões de almas que, de algum modo, fazem aquilo que ele realizou. E, portanto, o extremo da admiração redunda numa como que imitação, a qual beneficia incontáveis corações.

Todos somos chamados à santidade
Em segundo lugar, precisamos compreender que, embora as virtudes heróicas de alguns santos e santas do passado não possam ser praticadas pelos homens e mulheres de hoje — e nem pertençam às vias comuns da graça —, a santidade está ao alcance de todos. Porque a perfeição moral é atingível por qualquer pessoa que a deseje, com o auxílio da graça. E quando admiramos um santo, nos encantamos com a santidade, e somos convidados a seguir de alguma forma o exemplo de sua vida virtuosa.
Outro não foi o pensamento que inundou a alma de Santa Teresinha do Menino Jesus, a doutora da chamada infância espiritual. Quer dizer, ela se comportava diante de Deus com a humildade e a simplicidade de uma criança. Não almejava fazer coisas extraordinárias, mas apenas servir a Deus nas formas quotidianas e comuns da virtude. Porém, praticando-as com um amor tal que este significava verdadeiramente a santidade.
O teor de relações de Santa Teresinha com Nosso Senhor era semelhante ao da criança com seus pais, e poderia ser qualificado quase de filial e reverentemente sem cerimônia. Ela não procurava de modo algum ser grande diante de Deus, e sim humilde e pequena, vivendo da confiança na misericórdia do Altíssimo minuto a minuto. Dessa maneira ela alcançou a santidade.

Como águia que fita o sol através das nuvens

Pode-se dizer que Santa Teresinha levou essa confiança a extremos singulares. Por exemplo, ela era um braseiro de amor a Deus, mas sua alma passou por longos períodos de aridez. Em certas ocasiões essas penas espirituais a afligiam até mesmo durante o cântico do Ofício.
Entretanto, nas mais diversas provações, ela se mantinha serena, e já no fim de sua vida, devorada por tentações contra a fé, ela resistia de modo admirável e completo. Diante de tudo isso, conservava a atitude de pequenez, vazia de si mesmo, sabendo que valia muito aos olhos de Deus. Por isso costumava reafirmar que Nosso Senhor a protegia, embora ela não o sentisse.
Nesse sentido, empregava a linda metáfora da águia que fita o sol através das nuvens: não lhe era possível divisar o sol divino, mas estava com as vistas continuamente voltadas para Ele, amando-O do modo mais intenso possível.

Certa feita lhe perguntaram como ela agiria se tivesse a infelicidade de cometer um pecado grave. Resposta: “A misericórdia de Deus é tão grande que eu retomaria, com a alma partida de dor, minha vida espiritual no ponto anterior à queda, e recomeçaria a ascensão tranqüilamente.”
Não cabe chamar Santa Teresinha de débil, mas ela abriu a pequena via para os débeis que viriam depois dela, proporcionando-lhes uma vida espiritual modesta, humilde, mas repleta de amor, dando-lhes a oportunidade de realizar, à sua maneira, grandes coisas.

Concluímos, portanto, dizendo que convém conhecermos as altas virtudes dos santos insignes para amá-las, admirá-las e, na medida do possível, imitá-las, segundo as disposições propostas pela “pequena via”.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Bem-aventurado Stefano Bellesini

"Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito". Deus sendo um ser infinito e estando infinitamente acima da natureza humana, seria difícil para nós seguirmos tão alta convocação feita por Nosso Senhor Jesus Cristo, sem ter diante dos olhos alguém que representasse esta perfeição. Este é o papel dos Santos que, tendo em si debilidades e passando pelos dramas da vida atenderam inteiramente o chamado feito por Jesus, servindo para nós como mestres, modelos e guias. É o que sempre nos ensina Mons. João Clá Dias.



A Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho tem em suas fileiras tantos devotos da Mãe do Bom Conselho, quantos filhos possui. Entre eles, o Bem-aventurado Stefano Bellesini reluz como pérola preciosa. Seu corpo, incorrupto, conserva-se na Basílica de Genazzano.

Nascido em Trento, em 1774, vestiu o hábito da Ordem em 1793, professando em 1794. Estudou Filosofia e Teologia em Roma, Bolonha e Trento e, durante a invasão napoleônicas dos Estados Pontifícios, sofreu a proscrição das Ordens religiosas. Ao longo de seis anos foi obrigado a morar fora de seu convento, afastados de seus irmãos de vocação. Restaurada a monarquia papal em 1814, e reaberta a possibilidade de vida religiosa, Beato Stefano Bellesini partiu definitivamente da sua cidade natal e reingressou na Ordem Agostiniana(1817). Seus superiores destinaram-no para mestre de noviços, primeiramente no convento de Santo Agostinho, em Roma, depois em Città della Pieve.



Em 1826, um surto de maior observância e afervoramento na vida religiosa soprou nas fileiras da Ordem Agostiniana, e foi restaurada a vida comum em alguns conventos. O Pe. Bellesini pediu logo para ser aceito neste novo grau de perfeição, transferindo-se para o convento de Genazzano, o primeiro onde se restabeleceu a vida comum dos eremitas de Santo Agostinho. Em 1831, foi nomeado pároco do Santuário de Santa Maria do Bom Conselho.

Em Genazzano, celebrava sempre a missa no altar de Mater Boni Consilii e estimulava em todos os fiéis a devoção a Ela. Aos que viajavam ou viviam longe, distribuía estampas, dava azeite da lamparina do altar, enfim, tudo quanto recordasse a Santa Imagem.



Conduzia e consagrava à Virgem todas as crianças que batizava. E queria que todos os paroquianos fossem consagrados à Madonna do Bom Conselho.


Era devotíssimo da Rainha dos Corações e recitava diariamente, entre outras práticas de piedade, o Rosário com a Ladainha de Nossa Senhora. Retido no leito pela enfermidade que o levaria à morte, tentou o prior do convento poupar-lhe a fadiga das orações, mas ele respondeu: " Como quereis que compareça ante o Tribunal de Deus sem ter antes recitado a Coroinha de Nossa Senhora e o Rosário com sua Ladainha?"

Obedientíssimo em vida- e até depois da morte- pediu permissão a seu superior para comparecer ao Juízo de Deus no dia da Purificação de Maria, também festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Não quis o prior do convento consentir que ele falecesse durante as cerimônias litúrgicas deste dia, porque, devido à benção das velas e à grande afluência de público, sua morte ocasionaria inevitávelmente transtornos nas solenidades. Submeteu-se de bom grado o Bem-aventurado Stefano, dizendo: "Terminada a função de Nossa Senhora, começará a minha".



Ao fim das vésperas, os fiéis entoaram na igreja o último verso do derradeiro cântico- "Maria do Bom Conselho, abençoai-nos assim como vosso Filho"- com o que as cerimônias estavam concluídas. E, efetivamente, às quatro da tarde do dia da Purificação de Nossa Senhora, Stefano, em sua cela, entregava sua bela alma a Deus. Era o dia 2 de fevereiro de 1840.



Durante seu processo de beatificação exumaram-lhe o cadáver para exame, na presença do Cardeal Pedecini e numeroso clero. O corpo estava íntrego, incorrupto e flexível, como ainda hoje em dia se conserva. Transladaram-no para um novo ataúde que, infelizmente, fora mal calculado, e era demasiado pequeno. O Cardeal, então, ordenou: "Padre Bellesini, tão obediente como fostes em vida, não poderíeis agora acomodar-vos neste estreito caixão? À vista de todos os presentes, o corpo se encolheu suficientemente para entrar na urna. Milagre impresionante que nos mostra um exímio seguidor da Rainha dos Céus, d'Aquela que obediente em toda a sua vida, com o fiat, trouxe o Salvador ao mundo.